O governo federal lançou nesta segunda-feira (4) uma nova etapa do programa Desenrola Brasil, voltada à renegociação de dívidas, com mudanças que ampliam o alcance e endurecem algumas regras para os participantes.
Entre as principais novidades está a possibilidade de utilização de até 20% do saldo do FGTS para quitar débitos. A medida busca facilitar a adesão de consumidores endividados, oferecendo uma fonte adicional de recursos para a regularização financeira.
Por outro lado, quem aderir ao programa ficará impedido de acessar plataformas de apostas online por um período de um ano. A restrição, destacada pelo presidente Lula, faz parte de um conjunto de medidas voltadas à educação financeira e ao controle do endividamento.
O novo Desenrola permitirá a renegociação de dívidas como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, entre outras modalidades. Os descontos podem variar entre 30% e 90% sobre o valor total devido, enquanto as taxas de juros foram limitadas a até 1,99%.
Nos bastidores, o Ministério da Fazenda intensificou o diálogo com o setor financeiro para viabilizar as novas condições. O ministro Dário Durigan se reuniu com representantes de bancos ao longo da semana e afirmou que o governo exigiu a redução das taxas de juros praticadas no programa.
O que diz especialista
Na avaliação do economista e assessor de investimentos Alex Barros, o programa pode ter efeitos positivos no curto prazo, especialmente ao ampliar o acesso ao crédito e estimular o consumo.
Há também reconhecimento de que a redução de juros e os descontos oferecidos, que podem chegar a até 90%, representam um alívio relevante para consumidores endividados.
Além disso, a medida pode aumentar a circulação de recursos na economia, contribuindo para reativar o consumo em um cenário ainda marcado por restrições de crédito.
A expectativa é repetir ou até ampliar os resultados da primeira fase do Desenrola, realizada em 2023. Na ocasião, cerca de 15 milhões de brasileiros renegociaram mais de R$ 53 bilhões em dívidas.
Dados oficiais indicam que o programa contribuiu para uma queda de 8,7% na inadimplência entre pessoas com renda de até dois salários mínimos ou inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
Com as novas regras, o governo aposta na ampliação do alcance do programa e na redução do endividamento das famílias, em meio ao cenário de crédito ainda restrito e juros elevados no país.