A Organização Mundial da Saúde informou nesta terça-feira (5) que investiga a possibilidade de transmissão de pessoa para pessoa durante um surto de hantavírus registrado em um navio de cruzeiro que saiu da Argentina com destino a Cabo Verde. Ao menos três pessoas morreram e vários passageiros apresentaram sintomas da doença.
Segundo a OMS, embora a principal forma de contágio ocorra por meio de roedores silvestres, há indícios de que, neste caso específico, possa ter havido transmissão direta entre pessoas — uma situação considerada rara, mas já registrada em países da América do Sul.
O hantavírus não é uma doença nova e costuma ser contraído pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva de roedores contaminados, principalmente em ambientes fechados. Em situações menos comuns, a transmissão entre humanos foi associada a variantes como o hantavírus Andes, identificado em países como Argentina e Chile.
A infecção pode provocar duas formas principais da doença: a febre hemorrágica com síndrome renal, mais frequente na Europa e na Ásia, e a síndrome pulmonar por hantavírus, predominante nas Américas. Esta última é considerada grave e pode evoluir rapidamente.
Os sintomas iniciais costumam surgir entre uma e oito semanas após a exposição e se assemelham aos de uma gripe, incluindo febre, fadiga, dores musculares e de cabeça. Com a progressão, podem surgir dificuldades respiratórias, insuficiência pulmonar e até complicações cardíacas.
Não há tratamento específico para a doença. O atendimento é baseado em suporte clínico, com hidratação, repouso e controle dos sintomas. A taxa de letalidade da síndrome pulmonar por hantavírus pode chegar a cerca de 38%.
No Brasil, os casos são mais comuns em áreas rurais. Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2007 e 2024, foram confirmados 1.386 casos da doença, com 540 mortes registradas.
A investigação do caso no cruzeiro segue em andamento, enquanto autoridades de saúde monitoram possíveis novos casos e reforçam medidas de prevenção.