Em São Paulo, uma operação da Polícia Civil revelou um esquema milionário que misturava falsas renegociações de dívidas, promessas financeiras enganosas e até a venda de cursos inexistentes sobre inteligência artificial.
Três homens suspeitos de integrar a organização criminosa foram presos durante uma operação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). As investigações apontam que o grupo utilizava empresas de fachada e redes sociais para atrair vítimas, principalmente idosos, oferecendo soluções financeiras “milagrosas” e supostos treinamentos para aprender a usar aplicativos de IA que, na prática, nem existiam.
Segundo a polícia, os criminosos prometiam redução de juros, renegociação de dívidas e empréstimos facilitados. Muitas vítimas eram abordadas por telefone ou anúncios nas redes sociais e acabavam convencidas a transferir dinheiro acreditando que receberiam serviços especializados ou acesso a plataformas tecnológicas inovadoras.
Durante a operação, agentes cumpriram mandados na capital paulista, em Mogi das Cruzes e Santo André. Celulares, notebooks, veículos de luxo e até um jet-ski foram apreendidos. A ostentação chamou atenção dos investigadores, que apontam que os suspeitos levavam uma vida de alto padrão sustentada pelo dinheiro obtido através dos golpes.
As autoridades acreditam que o esquema pode ter movimentado dezenas de milhões de reais nos últimos anos. Em casos semelhantes investigados recentemente, quadrilhas especializadas em golpes contra idosos chegaram a lucrar cerca de R$ 7 milhões por ano utilizando estratégias digitais sofisticadas e atuação interestadual.
O avanço desse tipo de crime acompanha o crescimento do uso da inteligência artificial na internet. Especialistas alertam que golpistas têm explorado o desconhecimento tecnológico de parte da população, especialmente idosos, criando anúncios falsos, clonagem de voz, vídeos manipulados e promessas irreais de ganhos financeiros rápidos. Em fóruns online, usuários relatam preocupação com o aumento de golpes envolvendo IA e a dificuldade de muitas vítimas em identificar fraudes digitais.
A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar outros integrantes da organização e possíveis novas vítimas. A orientação das autoridades é desconfiar de ofertas fáceis, cursos milagrosos e promessas financeiras recebidas por telefone, mensagens ou redes sociais, principalmente quando envolvem depósitos antecipados ou pressão para decisões rápidas.
Repórter: Bárbara Damasceno