Negociadores dos Estados Unidos e do Irã chegaram a um acordo para um memorando de entendimento de 60 dias com o objetivo de estender o atual cessar-fogo e iniciar negociações diretas sobre o programa nuclear iraniano. As informações foram reveladas com exclusividade nesta quinta-feira (28) pelo portal de notícias americano Axios, com base em relatos de autoridades de Washington e fontes regionais.
Apesar do avanço técnico nas mesas de negociação, o texto ainda esbarra na burocracia do poder. Segundo a reportagem do Axios, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi informado sobre os detalhes finais, mas não assinou o documento de imediato. “O presidente repassou aos mediadores que quer alguns dias para pensar a respeito”, disse um oficial americano ao jornal. Do outro lado, o governo do Irã também não confirmou publicamente a aceitação dos termos.
Se assinado, o memorando representará a maior vitória diplomática desde o início das hostilidades recentes na região. No entanto, o clima segue tenso: mesmo com as conversas na reta final, EUA e Irã registraram dois confrontos isolados no Estreito de Ormuz nas últimas 48 horas.
O que prevê o acordo de 60 dias?
A apuração do repórter Barak Ravid, do Axios, detalhou os principais compromissos de ambos os lados estipulados na janela de 60 dias. O acordo exige concessões mútuas:
- Fim do bloqueio e minas: O transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz será “irrestrito”. O Irã terá 30 dias para remover todas as minas da região, sem cobrança de pedágios. Em contrapartida, os EUA suspenderão seu bloqueio naval de forma proporcional à volta dos navios comerciais.
- Freio nuclear: O memorando incluirá o compromisso do Irã de não buscar uma arma nuclear. Os primeiros debates focarão em como descartar o urânio já altamente enriquecido por Teerã.
- Alívio econômico: O governo americano se compromete a discutir formalmente o alívio de sanções, a liberação de fundos iranianos congelados no exterior e a criação de um mecanismo para a entrada de ajuda humanitária no Irã.
“Todas as opções na mesa”
As autoridades americanas ouvidas pelo Axios garantiram que não haverá cláusulas secretas ou acordos paralelos de liberação de dinheiro. A lógica de Washington é clara: “Quanto mais os iranianos estiverem dispostos a ceder, mais eles receberão”, resumiu um dos oficiais.
O governo Trump também planeja usar as negociações para debater o financiamento iraniano a grupos extremistas (proxies) no Oriente Médio, visando a “paz regional”. Contudo, os EUA deixaram um alerta rígido: caso o Irã não cumpra as exigências nucleares, Trump manterá “todas as opções na mesa”, o que inclui força militar e estrangulamento econômico. A retirada das tropas americanas enviadas à região também só ocorrerá após a assinatura de um acordo definitivo.