A guerra no Oriente Médio atingiu um novo e perigoso patamar de tensão neste domingo (7). Horas após Israel desafiar os Estados Unidos e bombardear o quartel-general do Hezbollah no subúrbio de Dahiya, em Beirute (Líbano), o Irã reagiu e lançou ataques contra o território israelense.
A quebra da frágil trégua na região colocou as Forças de Defesa de Israel (IDF) em alerta máximo. O país agora se prepara para lidar com a intensificação do fogo inimigo nas próximas horas e lida com o agravamento da crise diplomática com a Casa Branca.
Disparos contra o Norte e a região de Sharon
A retaliação iraniana teve como alvo áreas do norte de Israel e a planície de Sharon. Os sistemas de defesa aérea israelenses foram ativados para conter a ofensiva. Segundo as autoridades locais, houve diversos relatos de queda de estilhaços resultantes das interceptações, mas não há registro de vítimas até o momento.
Diante dos lançamentos, o Comando da Frente Interna de Israel (Pikud HaOref / PKR) alterou imediatamente as diretrizes de segurança para a população civil, passando o status do país para “atividade limitada” — o que restringe aglomerações e altera o funcionamento de serviços não essenciais.
Fontes do governo israelense já confirmaram à imprensa local que o ataque não passará impune: “Responderemos aos lançamentos”, garantiram. A IDF afirmou que segue monitorando e se preparando para absorver e repelir novos ataques.
A ameaça do Irã às bases dos EUA
O ataque a Beirute — justificado por Israel como uma ação preventiva contra terroristas do Hezbollah que planejavam uma incursão — não provocou apenas o envio de mísseis a Israel, mas também ameaças diretas aos americanos.
Mohammad Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, anunciou que ativos e instalações norte-americanas no Oriente Médio voltaram a ser considerados “alvos legítimos”. O alerta coloca na mira as 19 bases militares dos EUA espalhadas por países como Emirados Árabes Unidos, Omã, Arábia Saudita, Iraque e Egito.
“Eles não estão comprometidos com um cessar-fogo nem acreditam no diálogo e, por meio do bloqueio naval e da violação dos acordos relativos ao Líbano, demonstraram que só entendem a linguagem do poder”, declarou Qalibaf em suas redes sociais.
O desafio a Trump e o atrito com Netanyahu
A ofensiva militar em Dahiya é também um desafio direto ao presidente dos EUA, Donald Trump. Na semana passada, o líder norte-americano havia garantido publicamente que Israel e o Hezbollah tinham concordado com uma trégua e que o Líbano não voltaria a ser bombardeado.
A desobediência de Tel Aviv expôs um racha profundo. As desavenças geraram uma forte discussão entre Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O presidente americano chegou a confirmar que chamou Netanyahu de “completamente louco” devido à insistência nas incursões militares em solo libanês.
O Paquistão (mediador) e o Irã insistem que o Líbano estava contemplado na trégua, enquanto EUA e Israel alegavam, até então, que a pausa se restringia apenas ao território iraniano e ao Golfo Pérsico.