A secretária municipal de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, teria tentado alinhar versões de depoimentos com servidores da pasta após a deflagração da primeira fase da Operação Falsa Emergência, realizada em maio deste ano. A informação foi divulgada pela Polícia Civil do Tocantins, que cumpriu nesta quarta-feira (10) um mandado de prisão preventiva contra a gestora.
Segundo o delegado Romeu Fernandes, titular da Divisão Especializada de Repressão à Corrupção (DECOR), a medida foi solicitada após o surgimento de novos elementos que indicariam tentativas de interferência nas investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO).
“A gestora da pasta estava mantendo contato com pessoas subordinadas hierarquicamente a ela com o objetivo de alinhar versões e influenciar os relatos que seriam prestados às autoridades, inclusive por intermédio de advogados ligados a ela”, afirmou o delegado.
De acordo com Fernandes, a prisão preventiva da secretária foi fundamentada justamente na suposta tentativa de embaraçar a apuração dos fatos.
Além de Dhieine Caminski, a Justiça também decretou a prisão preventiva do superintendente de Atenção à Saúde de Palmas, Andreis Vicente da Costa, que foi localizado pelos policiais. Já a empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada pela investigação como possível articuladora da contratação da entidade responsável pela administração das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), também é alvo de mandado de prisão, mas seguia foragida até a última atualização divulgada pela Polícia Civil.
Ainda segundo o delegado, o pedido de prisão dos investigados levou em consideração a necessidade de garantir a ordem pública e preservar o andamento das investigações.
“Estamos falando de um termo de parceria que prevê o repasse de quase R$ 140 milhões. A entidade contratada possui um histórico considerado suspeito e já atuou em situações semelhantes em seu estado de origem”, declarou Fernandes.
Entenda o caso
A Operação Falsa Emergência foi deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins em 21 de maio deste ano para investigar possíveis irregularidades na Secretaria Municipal de Saúde de Palmas.
Na ocasião, dez mandados de busca e apreensão foram cumpridos na capital tocantinense, com a participação de cerca de 50 policiais civis. A investigação apura suspeitas de falsidade ideológica em documentos relacionados à formalização de uma parceria entre a Prefeitura de Palmas e a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba (SP), entidade responsável pela gestão das Unidades de Pronto Atendimento da cidade.
Segundo a Polícia Civil, após a primeira fase da operação foram reunidos novos elementos que apontariam, em tese, para a continuidade de práticas voltadas à ocultação de provas, interferência na produção probatória e alinhamento de versões entre investigados.
Investigação do Ministério Público
Paralelamente à investigação policial, o Ministério Público do Tocantins instaurou, em maio, um inquérito civil para apurar possíveis atos de improbidade administrativa envolvendo a secretária municipal de Saúde, a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba e outros eventuais envolvidos.
O procedimento investiga supostas ilegalidades e possível direcionamento na celebração do Termo de Colaboração nº 001/2026/Semus, que transferiu a gestão das UPAs de Palmas para a entidade paulista pelo valor anual de R$ 139.197.927,12.
O contrato também é alvo de questionamentos na Justiça por meio de uma ação popular. No processo, o Ministério Público apresentou requerimentos e recursos defendendo a suspensão da contratação e dos pagamentos. O pedido ainda aguarda análise do Tribunal de Justiça do Tocantins.
Operação
Nesta quarta-feira (10), a DECOR cumpriu mandados de prisão preventiva expedidos pela 1ª Vara Regional das Garantias da Comarca de Palmas. As medidas fazem parte das investigações decorrentes da Operação Falsa Emergência e têm como foco apurar um suposto esquema relacionado ao processo que culminou na contratação de uma organização social para administrar as UPAs da capital.
De acordo com a Polícia Civil, os novos desdobramentos da investigação apontam para possíveis tentativas de ocultação de provas, influência sobre testemunhas e alinhamento de versões entre investigados após a deflagração da primeira fase da operação.
Prefeito não respondeu
A reportagem também procurou o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), para comentar as prisões, as investigações e os desdobramentos da Operação Falsa Emergência. Apesar das tentativas de contato por mensagens, o gestor não respondeu aos questionamentos encaminhados pela equipe até a conclusão desta matéria.
Nota prefeitura
A Prefeitura de Palmas, por meio da Procuradoria Geral do Município, informa que acompanha o caso e aguarda o acesso às informações oficiais dos autos para se manifestar.
A secretária de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, e o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, foram autorizados pela Justiça para serem conduzidos para o Batalhão do Comando Geral da Polícia Militar até audiência de custódia.
As ações da Secretaria de Saúde seguem normalmente, sem prejuízos à população, inclusive no atendimento das Unidades de Pronto Atendimento Sul e Norte.