Com −10 °C e 1.360 metros de altitude, a cidade mais fria do Brasil virou destaque em vinhos premiados

Onde os termômetros já marcaram -10 °C, município de Santa Catarina vira o principal destino do país para ver neve, impulsiona o enoturismo e atrai mais de 200 mil visitantes por ano
Redação NC News
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Enquanto a maior parte do Brasil é conhecida pelo calor tropical, existe um refúgio no topo da Região Sul onde o inverno dita o ritmo da vida e da economia. Localizada a mais de 1.300 metros de altitude na Serra Catarinense, a cidade de São Joaquim consolidou-se no imaginário nacional como a cidade mais fria do país.

Com pouco mais de 25 mil habitantes, segundo dados do IBGE, o município transforma suas temperaturas negativas e as geadas constantes em um motor bilionário de desenvolvimento social, atraindo turistas das classes C e D de todas as regiões em busca de uma experiência de clima europeu sem precisar sair do território brasileiro.

Como é a rotina no lugar onde o Brasil congela?
A vida no topo da serra exige adaptação. Com uma temperatura média anual de 13,5 °C, os meses entre junho e agosto registram marcas frequentemente abaixo de zero — com recordes históricos que já atingiram congelantes -10 °C. Para enfrentar o rigor do inverno, os moradores mantêm lareiras e fogões a lenha acesos na maior parte do ano.

A rotina da cidade é profundamente marcada por uma rica diversidade étnica. Descendentes de portugueses, alemães, italianos, gaúchos e imigrantes japoneses dividem as tradições e moldaram a identidade hospitaleira da região. A relação com a neve é tão íntima que os hotéis locais possuem uma tradição curiosa: acordam os hóspedes no meio da madrugada sempre que os primeiros flocos começam a cair do céu, garantindo que ninguém perca o espetáculo natural.

Economia forte: O tripé da maçã, do vinho e do turismo
O frio extremo, que poderia ser um obstáculo, virou a maior riqueza de São Joaquim. A economia local se sustenta firmemente em três pilares que geram emprego, renda e visibilidade para o município:

A Capital da Maçã: A partir da década de 1970, o cultivo de frutas de clima temperado, especialmente a variedade Fuji, encontrou no solo e na altitude as condições perfeitas. O sucesso consolidou a cidade como a Capital Nacional da Maçã, celebrada anualmente na tradicional Festa Nacional da Maçã.
Vinhos de Altitude: A partir dos anos 2000, o enoturismo revolucionou a paisagem. Vinícolas premiadas aproveitaram o inverno rigoroso para produzir vinhos finos de alta qualidade, atraindo investidores e transformando a gastronomia local.
Explosão Turística: Graças a essa combinação de paisagens geladas e boa mesa, o fluxo de visitantes saltou de 60 mil turistas por ano para mais de 200 mil na última década, movimentando hotéis, pousadas e o comércio das periferias ao centro.
O que fazer em São Joaquim?
Para quem planeja colocar o casaco pesado na mala e viajar pelo celular ou de carro até a maior altitude de Santa Catarina, os guias locais apontam pontos turísticos obrigatórios. Um vídeo publicado pelo canal Casal da Lavanda — que conta com mais de 200 mil inscritos nas redes sociais — viralizou ao mostrar as belezas da imponente Igreja Matriz de São Joaquim, as araucárias centenárias e a deslumbrante vista do Mirante dos Pinheiros.

A culinária típica também aquece o corpo dos viajantes, destacando pratos feitos à base de pinhão e harmonizados com os vinhos locais, mostrando que o interior catarinense sabe acolher como ninguém.

O que acontece agora?
Com a chegada oficial das frentes frias de junho, a cidade entra em sua alta temporada. O comércio local e a rede hoteleira operam com capacidade máxima, monitorando os alertas de massas de ar polar para receber os caçadores de neve de braços abertos. Se você busca paz, aventura e paisagens que parecem saídas de um filme, São Joaquim surge como a escolha perfeita para o recesso de inverno do trabalhador brasileiro.

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