O fim da guerra no Oriente Médio já tem seus termos traçados no papel. A rede de TV norte-americana CNN Internacional revelou nesta quarta-feira (17) ter obtido acesso à íntegra do acordo de paz assinado entre os Estados Unidos e o Irã. O texto, que contém 14 pontos, sela o compromisso histórico de Teerã de nunca desenvolver armas nucleares, em troca de um amplo pacote de alívio econômico.
Embora o documento já tenha sido validado virtualmente no último fim de semana — com uma cerimônia presencial de assinatura marcada para a próxima sexta-feira (19), em Genebra (Suíça) —, os detalhes oficiais ainda eram mantidos em sigilo pelos governos.
Os principais pontos do acordo
De acordo com o vazamento, o tratado estabelece o fim imediato e permanente do conflito em todas as frentes. Para que a economia da região volte a girar, os países firmaram os seguintes compromissos estruturais:
- Estreito de Ormuz: Reabertura imediata da via, com o Irã se comprometendo a restabelecer o tráfego de navios aos níveis pré-guerra em até 30 dias.
- Petróleo Livre: Emissão de isenções pelo Departamento do Tesouro dos EUA permitindo que o Irã volte a exportar livremente petróleo bruto e produtos petroquímicos.
- Fim das Sanções: Derrubada de todos os embargos econômicos atuais contra o Irã e liberação imediata dos ativos iranianos que estavam congelados.
- Apoio Econômico: Os EUA e aliados regionais têm 60 dias para apresentar um plano de reabilitação e desenvolvimento econômico para o país persa.
O impasse do fundo bilionário e a fúria de Trump
O ponto mais controverso revelado pela emissora diz respeito a uma suposta compensação financeira direta. A CNN afirmou que o Irã teria acesso a um fundo de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) caso cumpra integralmente a promessa de não desenvolver seu arsenal atômico.
A informação provocou uma forte reação de Donald Trump. Durante coletiva de imprensa na cúpula do G7, na França, o presidente dos EUA foi categórico ao classificar a existência desse fundo financeiro como “falso”.
Demonstrando irritação, Trump minimizou o atual tratado, chamando-o de “memorando de entendimento”, e deixou claro que a via diplomática pode ser desfeita a qualquer momento.
“E se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, a bombardear suas cabeças. Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos a bombardear bem no meio da cabeça deles, ok?”, disparou o norte-americano.
A retórica agressiva de Trump reflete as pontas soltas que ainda restam na negociação. O documento atual não estipula o limite exato de enriquecimento de urânio permitido ao Irã. O destino do material atômico iraniano deverá ser definido em um “acordo final” nos próximos 60 dias, que precisará ser referendado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.