A eleição suplementar em Roraima chegou ao fim. O eleitor voltou às urnas porque a Justiça Eleitoral cassou a chapa que comandava o estado por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, decisão que levou à inelegibilidade do ex-governador Antônio Denarium e à realização de um novo pleito.
Mas uma imagem chamou atenção logo após a divulgação do resultado. Antônio Denarium apareceu ao lado do candidato que apoiava, comemorando a vitória como se ainda fosse o principal protagonista da política de Roraima.
E isso leva a uma reflexão inevitável. Se a eleição aconteceu justamente por causa da cassação da chapa que governava o estado, por que a sensação transmitida é a de que pouca coisa mudou?
Mais do que isso, a sociedade continua aguardando respostas. Diversas investigações e apurações envolvendo a gestão de Antônio Denarium seguem em tramitação nos órgãos de controle e no Poder Judiciário. A população tem o direito de saber qual será o desfecho desses casos, quais responsabilidades serão ou não reconhecidas e quando essas respostas finalmente serão apresentadas.
A democracia não termina na eleição. Ela também depende da atuação firme da Justiça e dos órgãos de fiscalização. Processos precisam chegar ao fim, investigações precisam ser concluídas e a sociedade merece transparência. Não basta cassar um mandato; é preciso esclarecer todos os fatos que ainda permanecem sob investigação.
Enquanto essas respostas não chegam, permanece a pergunta: afinal, quem realmente governa Roraima? Porque, pelas imagens da comemoração de ontem, para muitos eleitores a impressão foi de que Antônio Denarium continua exercendo forte influência sobre os rumos políticos do estado, mesmo após sua cassação e inelegibilidade. Essa é uma percepção que só o tempo, a Justiça e a transparência poderão esclarecer.