Erika Hilton acusa PSOL de descumprir acordos sobre financiamento de campanha

Em resposta, partido afirma que a deputada recebe o maior investimento entre as candidaturas proporcionais da legenda.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) criticou na última terça-feira (23) seu próprio partido, alegando que a sigla estaria descumprindo acordos internos sobre a distribuição de recursos financeiros para as eleições de 2026. Segundo a parlamentar, a situação poderia inviabilizar sua candidatura à reeleição e a de outras lideranças da legenda.

Em publicação nas redes sociais, Erika afirmou que se orgulha de atuar na luta pelo fim da escala 6×1 e destacou que “as ruas estão do nosso lado”. No entanto, argumentou que disputar eleições no Brasil não é um processo igualitário, especialmente para uma deputada negra e travesti.

A parlamentar também afirmou que atua dentro do PSOL, assim como outras lideranças, com o objetivo de ajudar o partido a superar a cláusula de barreira, contribuir para a reeleição do presidente Lula (PT) e fortalecer a bancada de esquerda no Poder Legislativo.

Entenda a manifestação

Em sua manifestação, Erika questionou os critérios adotados pela direção partidária para a distribuição dos recursos eleitorais. Segundo ela, campanhas exigem estrutura logística e de segurança para deslocamentos estaduais, mobilização de eleitores e atividades de rua, sobretudo diante dos riscos à integridade física. Na avaliação da deputada, o partido não poderia ignorar esses custos sem comprometer sua pré-candidatura e reduzir seu potencial eleitoral.

A deputada também alegou que candidaturas de outros nomes estariam recebendo tratamento prioritário na divisão de recursos. Segundo Erika, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede e candidato pela primeira vez, estaria sendo tratado com o mesmo nível de prioridade que ela. Já Manuela d’Ávila, recém-filiada ao partido e pré -candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, teria previsão de receber mais que o dobro dos recursos.

Erika afirmou respeitar a trajetória política de ambos e declarou torcer por suas eleições, mas argumentou que eles estariam sendo beneficiados por privilégios de pessoas brancas e cisgênero, em detrimento de acordos previamente firmados e dos custos reais das campanhas.

Política interna do PSOL

Outro ponto criticado pela parlamentar foi a condução da presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, em relação à política interna de inclusão da legenda para critérios de gênero, raça e pessoas com deficiência. Erika afirmou ainda que outras lideranças enfrentam dificuldades semelhantes, citando os deputados estaduais Renata Souza (Psol-RJ), Rick Azevedo (Psol-RJ) e Carlos Giannazi (Psol-SP)

Em nota divulgada ainda na noite de terça (23), o PSOL afirmou que a pré-campanha de Erika Hilton conta com o maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais das legendas, considerando os limites financeiros disponíveis e a necessidade de financiamento de outras campanhas.

O partido também declarou que a distribuição dos recursos está alinhada aos objetivos eleitorais da sigla para 2026 e que pretende concentrar esforços na derrota da extrema-direita, na conquista de cadeiras no Senado e na reeleição do presidente Lula.

Por fim, o PSOL afirmou ser pioneiro no incentivo político e financeiro a candidaturas de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTQIA + e pessoas com deficiência, sustentando que essa política está bem consolidada dentro do partido.

Reportagem: Maria Paula Meira

Carregar Comentários