As últimas pesquisas para presidente em 2026 colocam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico neste fim de junho. Em cenários de primeiro e segundo turno, os levantamentos indicam uma disputa travada, marcada por alta rejeição a ambos e pela transferência de votos de outros nomes da direita para o parlamentar.
Empate no país, vantagem apertada no Sul
No plano nacional, a pesquisa Gerp, feita entre 15 e 20 de junho com 2.000 eleitores, mostra Lula com 36,5% das intenções de voto no primeiro turno. Flávio Bolsonaro aparece com 33,7%. Os dois ficam tecnicamente empatados dentro da margem de erro de 2,19 pontos percentuais.
No segundo turno, a ordem numérica se inverte, mas o equilíbrio permanece. Flávio chega a 41,5% das intenções de voto, enquanto Lula marca 40,2%. O cenário mantém o empate técnico e reforça a ideia de um país dividido entre lulismo e antipetismo.
No Rio Grande do Sul, a fotografia é parecida em termos de disputa acirrada, mas com vantagem mais clara para Flávio. Pesquisa Real Time Big Data, feita entre 20 e 22 de junho com 1.600 eleitores gaúchos, aponta o senador com 42% no primeiro turno, contra 39% de Lula. No segundo turno, ele abre frente maior: 51% a 42%.
Mesmo assim, analistas veem mais alerta do que conforto para a campanha do PL. O cientista político Rafael Cortez resume a leitura crítica: “O dado, na verdade, é mais preocupante para a candidatura do Flávio Bolsonaro”.
Transferência de votos puxa Flávio no segundo turno
Os números nacionais ajudam a explicar por que Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente no segundo turno, embora largue atrás no primeiro. A Gerp mostra que o senador consegue herdar mais votos de outros pré-candidatos, em especial do campo à direita.
Na migração de um turno para outro, Flávio capitaliza apoios de nomes como Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Juntos, esses e outros pré-candidatos somam cerca de 4% das intenções de voto que se deslocam majoritariamente para o senador na simulação de segundo turno. Lula herda menos: 2,2% dos eleitores que declaram voto em alternativas no primeiro turno acabam migrando para o presidente.
Na prática, o quadro confirma uma dinâmica conhecida, mas com novos protagonistas. O bolsonarismo segue como polo dominante da direita e conserva capacidade de unir esse campo na reta final. O PT mantém seu teto elevado de votos, mas enfrenta mais dificuldades para crescer entre eleitores hoje identificados como independentes ou conservadores.
Rejeição alta trava expansão das duas candidaturas
Os índices de rejeição ajudam a entender por que Lula não deslancha além do patamar atual e por que Flávio também encontra limites claros. Segundo a Gerp, 48% dos entrevistados afirmam que não votariam “de jeito nenhum” em Lula. No caso de Flávio, a rejeição chega a 44%.
O dado funciona como teto. Quanto maior a fatia do eleitorado que descarta um nome, menor o espaço para crescimento, especialmente nas disputas de segundo turno. No caso de Lula, a rejeição acompanha o desgaste de governo em meio de mandato. No de Flávio, reflete tanto a rejeição herdada do bolsonarismo quanto as resistências a um candidato que ainda precisa se provar nacionalmente.
Para as campanhas, o recado é direto: não basta consolidar a base fiel. A vitória passa por reduzir rejeição, falar a eleitores céticos e construir pontes com quem hoje escolhe outros nomes ou cogita voto nulo.
Sul estratégico e limites da vantagem de Flávio
O desempenho de Flávio no Rio Grande do Sul, divulgado no programa de TV que apresentou os dados da Real Time Big Data, é um exemplo dessa equação regional. Tradicionalmente, o Sul vota mais em candidatos da direita e da centro-direita, enquanto o Nordeste se mantém como reduto do PT.
Para Rafael Cortez, os 42% de Flávio contra 39% de Lula no primeiro turno e os 51% a 42% no segundo apontam menos para uma vitória folgada e mais para um alerta estratégico. “Flávio Bolsonaro está na frente, mas vejo mais como centro de preocupação. Ele precisa ampliar essa vantagem se quiser ser mais competitivo”, afirma.
A avaliação parte de uma lógica simples. Para compensar a força do petismo no Nordeste, o campo bolsonarista precisa abrir margens robustas nas regiões onde já é favorito, como Sul e parte do Sudeste. Quando a vantagem aparece mais apertada, como agora no Rio Grande do Sul, surge o risco de que o equilíbrio nacional permaneça travado, sem espaço para uma virada confortável.
Polarização mantida e espaço para alternativas
A combinação de empate técnico, transferência de votos da direita para Flávio e rejeição alta aos dois líderes desenha um cenário conhecido e, ao mesmo tempo, aberto. A polarização entre lulismo e bolsonarismo segue como eixo central da eleição, mas sem garantia de conforto para nenhum dos lados.
Do lado do PT, o desafio é furar o bloqueio fora do Nordeste, conter a rejeição de 48% e tentar conquistar parcelas moderadas do eleitorado urbano do Sudeste e do Sul. Na campanha de Flávio, a prioridade é outra: ampliar vantagem em redutos conservadores, como o Rio Grande do Sul, sem elevar demais a própria rejeição de 44%.
O quadro também abre espaço para que candidaturas alternativas tentem ocupar o cansaço de parte do eleitorado com a disputa repetida entre petismo e bolsonarismo. Nomes como Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, hoje nanicos nas sondagens, podem se tornar peças-chave na negociação de apoios e na formação de alianças, especialmente se mostrarem capacidade de crescer durante a campanha oficial.
Quem está na frente: Lula ou Flávio Bolsonaro?
Nas pesquisas de junho, Lula aparece numericamente à frente no primeiro turno nacional, enquanto Flávio lidera numericamente no segundo turno e no Rio Grande do Sul. Em todos os casos, há empate técnico.
As pesquisas valem para todo o país ou só para o RS?
O levantamento da Gerp é nacional e mede o cenário em todo o Brasil. A pesquisa Real Time Big Data é específica do Rio Grande do Sul e mostra a disputa apenas no estado.
A alta rejeição pode tirar Lula ou Flávio do segundo turno?
No cenário atual, não. Ambos lideram com folga sobre os demais nomes. A rejeição funciona mais como limite de crescimento do que como risco imediato de ficar fora do segundo turno.
Outros candidatos ainda podem crescer até 2026?
Sim. O cenário é de pré-campanha, com baixa exposição de nomes alternativos. Se algum deles ganhar visibilidade e reduzir a própria rejeição, pode crescer e influenciar o equilíbrio entre Lula e Flávio.