A seleção sul-africana de futebol vence a Coreia do Sul por 1 a 0 nesta quarta-feira, 24 de junho de 2026, em Monterrey, e avança de forma inédita no Mundial de Seleções. O resultado no Estádio BBVA, pela 3ª rodada do Grupo A, coloca o time de Hugo Broos nos 16-avos de final e empurra os coreanos para a incerteza da briga entre os melhores terceiros colocados.
Noite histórica para o futebol sul-africano
A vitória quebra uma barreira que parecia intransponível. Pela primeira vez, a África do Sul masculino ultrapassa a fase de grupos em um Mundial. A equipe termina a chave com 4 pontos, na segunda posição, atrás do México. A Coreia do Sul, que chega à rodada final como favorita à vaga e joga pelo empate, estaciona nos 3 pontos e depende de combinações em outros grupos.
O gol que muda a história sai aos 18 minutos do segundo tempo, em jogada que resume o plano de jogo de Broos. Mokofeng recebe pela esquerda, parte para cima do marcador, protege a bola e olha a área. “O gol enfim saiu aos 17 minutos, dos pés do camisa 12, depois de uma jogada individual de Mokofeng. O jogador dominou pela esquerda e tocou para Maseko, que girou o corpo e bateu de esquerda para inaugurar o placar”, descrevem as reportagens sul-africanas.
O lance consagra Thapelo Maseko, que vinha sendo o mais perigoso em campo desde o primeiro tempo. E transforma em festa uma campanha que começa sob desconfiança, com a equipe na lanterna do grupo, e termina com manchetes exaltando um “milagre” em Monterrey.
Domínio sul-africano contra uma Coreia apática
O roteiro da partida contradiz as expectativas da véspera. A discussão orbitava a Coreia do Sul, acostumada a avançar em competições grandes, mas quem assume o protagonismo desde o início é a seleção sul-africana.
Na primeira etapa, Maseko perde duas grandes chances. Aos 18 minutos, corre em diagonal em direção ao gol, ajeita o corpo e, na hora do chute, é travado pela defesa. Aos 38, aparece sozinho pela direita, invade a área com espaço e finaliza por cima.
A Coreia do Sul, por sua vez, segura a bola, mas não traduz posse em perigo. Hwang Hee-Chan e Lee Tae-Seok até se apresentam no campo ofensivo, mas, como descreve a crônica do jogo, “faltou capricho na finalização”. O time circula a bola, estica passes, tenta provocar o erro sul-africano, mas não encontra espaços nas costas da defesa.
O começo do segundo tempo repete a dinâmica. Maseko volta a ter a bola do jogo logo nos primeiros minutos. Ele recebe em profundidade de Mofokeng, invade a área, dribla o zagueiro, mas chuta por cima. A frustração dura pouco. Quando a jogada se repete pela esquerda, Mokofeng acha o passe e o camisa 12, desta vez, não perdoa.
No banco coreano, a preocupação vira pressa. Son Heung-Min, principal nome da seleção, entra ainda no intervalo para tentar reverter o cenário. A presença do astro movimenta o ataque, mas esbarra na organização defensiva sul-africana. “Apesar de fazer um bom jogo, o jogador não conseguiu desequilibrar o confronto”, registram análises pós-partida.
A Coreia insiste, acumula posse de bola, cruza, arrisca de fora da área. O ataque segue “inoperante”, quase sem finalizar com perigo, enquanto a África do Sul administra o resultado com maturidade incomum para uma equipe considerada azarão.
Repercussão mundial e mudança de status
O apito final transforma o BBVA em vitrine global para a seleção sul-africana. Em poucos minutos, jornais europeus e asiáticos destacam a façanha. O diário espanhol Marca fala em “milagre”. O francês L’Équipe lembra que o país “jamais havia conseguido passar da fase de grupos” em um Mundial masculino. O Mundo Deportivo ressalta que a equipe faz história em sua quarta participação.
A imprensa inglesa vai na mesma direção. O The Athletic destaca que “a África do Sul disputará a fase eliminatória da Copa do Mundo masculina pela primeira vez depois de uma vitória histórica em Monterrey” e projeta o duelo contra o Canadá, segundo colocado do Grupo B, em Los Angeles, no domingo seguinte.
O feito tem efeito imediato sobre a imagem do futebol sul-africano. A seleção deixa o papel de figurante e passa a ser observada com mais atenção por clubes, agentes e patrocinadores. Jogadores como Maseko e Mokofeng ganham vitrine em horário nobre global. A federação local se vê com argumentos concretos para negociar acordos comerciais mais robustos e pressionar por investimentos em infraestrutura.
Dentro do país, a classificação tende a impulsionar programas de base e encher estádios na liga nacional. A narrativa de que a África do Sul pode competir em alto nível contra seleções tradicionais reforça o apelo do esporte entre jovens. A médio prazo, esse tipo de campanha costuma dialogar com melhorias em centros de treinamento, formação de treinadores e captação de talentos fora dos grandes centros urbanos.
Coreia em xeque e novo equilíbrio no Mundial
Do lado coreano, o 1 a 0 tem peso de baque psicológico. A seleção chega a Monterrey com a vantagem do empate e sai sem a vaga direta. As críticas se concentram na atuação sem brilho e na leitura da partida. “A Coreia do Sul jogava pelo empate para ficar com a segunda posição, mas teve atuação abaixo do esperado e acabou ultrapassada na tabela”, observam veículos europeus.
O time ainda tem chance de avançar entre os melhores terceiros colocados, mas entra em uma zona cinzenta. Precisa esperar resultados, torcer contra adversários indiretos e lidar com a pressão crescente sobre o comando técnico. Esse cenário mexe com planejamento físico e mental para uma eventual sequência no torneio.
O resultado também altera o equilíbrio do próprio Mundial. O cruzamento com o Canadá, em Los Angeles, ganha contornos diferentes diante da confiança sul-africana. O adversário, que vinha estudando uma Coreia com posse alta e jogo de combinação, passa a lidar com uma equipe veloz, confiante e confortável em explorar transições rápidas pelos lados.
A classificação da África do Sul expõe o peso das escolhas táticas em torneios curtos. A aposta em uma marcação sólida e em jogadas trabalhadas pela esquerda, que culmina no gol de Maseko, vira referência para seleções de perfil semelhante. Analistas técnicos passam a encarar o Mundial como ainda mais imprevisível, diante de um roteiro que derruba outra seleção tradicional antes do mata-mata.
O que vem pela frente
O próximo capítulo dessa história está marcado para domingo, em Los Angeles, contra o Canadá. A partida vale vaga nas oitavas e representa novo teste para a solidez emocional da seleção sul-africana. Hugo Broos ganha tempo curto para ajustar um time que, de repente, carrega expectativas ampliadas.
Na África do Sul, a discussão já extrapola o torneio. A campanha em Monterrey alimenta o debate sobre como transformar essa geração em ponto de virada estrutural, e não em episódio isolado. A resposta passa por dinheiro, gestão e continuidade. Dentro de campo, a equipe já deu o passo mais difícil: provar que pode derrubar barreiras históricas sob os refletores do Mundial.
Qual é o país da África do Sul?
África do Sul é o nome do próprio país, localizado no extremo sul do continente africano, fazendo fronteira, entre outros, com Namíbia, Botsuana e Moçambique.
Por que a África do Sul tem 3 capitais?
O país adota um arranjo político-histórico: Pretória é a capital administrativa, Cidade do Cabo é a capital legislativa e Bloemfontein é a capital judiciária.
Quando ir para a África do Sul?
Os meses de abril a setembro são procurados para safáris, com clima mais seco. Para praias e vinícolas, muita gente prefere o verão local, de novembro a março.
Qual é a história da África do Sul?
O país passa por colonização europeia, regime de segregação racial conhecido como apartheid e transição democrática nos anos 1990, simbolizada por Nelson Mandela.