Gerp mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados para 2026

Pesquisa nacional revela empate técnico entre os principais candidatos à presidência no próximo pleito.
Redação NC News
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao fim de junho tecnicamente empatados na disputa pelo Planalto em 2026. Pesquisa nacional do instituto Gerp, feita entre 15 e 20 de junho com 2.000 eleitores e divulgada nesta quarta-feira (24), mostra Lula à frente no primeiro turno, mas Flávio numericamente à frente no segundo.

Cenário apertado e clima de incerteza

O levantamento mede intenções de voto estimuladas, quando o entrevistador apresenta uma lista de nomes. No primeiro turno, Lula soma 37% e Flávio aparece com 34%. Com margem de erro de 2,19 pontos percentuais, há empate técnico. “O presidente Lula (PT) lidera numericamente a disputa pela Presidência da República no primeiro turno, com 37% das intenções de voto, ante 34% do segundo colocado, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Considerando a margem de erro, de 2,19 pontos percentuais, há empate técnico”, resume texto da CartaCapital sobre a pesquisa.

O quadro reforça a continuidade da polarização que marca a política brasileira desde 2018. A disputa travada voto a voto tende a prolongar a instabilidade política, com efeitos sobre economia, investimentos e ambiente institucional. Empresários e investidores acompanham não apenas as intenções de voto, mas também a avaliação do governo, que hoje sofre com 50% de desaprovação, segundo a série histórica da própria Gerp iniciada em janeiro de 2025.

Primeiro e segundo turnos contam histórias diferentes

A fotografia da pesquisa indica estabilidade nas últimas semanas, mas com pequenas oscilações simbólicas. Em 5 de junho, o mesmo instituto registrava Flávio numericamente à frente, por 35% a 34%. Em 12 de junho, Lula retomava a dianteira, com 37% a 35%. Agora, o petista mantém 37%, enquanto o senador do PL recua para 34%.

Quando a simulação vai para o segundo turno, a ordem se inverte. Flávio avança 7,8 pontos e chega a 41,5%. Lula cresce menos, 3,7 pontos, e atinge 40,2%. “Na simulação de segundo turno entre os dois, a ordem muda. Flávio avança 7,8 pontos percentuais e chega a 41,5%. Por outro lado, Lula cresce menos (3,7 pontos percentuais) e alcança 40,2% das intenções de voto. Eles, porém, permanecem empatados tecnicamente”, descreve a Gazeta do Povo.

O Poder360 destaca a mesma fotografia em outro recorte: “O levantamento mediu as intenções de voto para um 1º turno da disputa pela Presidência da República. Nesse cenário, Lula e Flávio Bolsonaro voltam a aparecer em situação de empate técnico, com 37% e 34% das intenções de voto, respectivamente.” Em todos os cenários, a margem de erro impede que se fale em favorito consolidado.

Transferência de votos e rejeição travam expansão

O desempenho de Flávio Bolsonaro na passagem do primeiro para o segundo turno se explica principalmente pela migração de votos de outros pré-candidatos. O senador herda 5,6% das intenções de voto que estavam com adversários menores, em especial Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), que transferem, respectivamente, 1,5%, 1,3% e 1,2% para o nome do PL.

Lula, por outro lado, herda apenas 2,2% dos votos de terceiros. O movimento sugere que o campo de direita se fecha em torno de Flávio no confronto direto, enquanto o presidente enfrenta mais dificuldade para atrair eleitores que não fazem parte de sua base tradicional. Em cenários testados pela pesquisa, Zema e Caiado também aparecem em simulações de segundo turno contra Lula, mas sem o mesmo peso numérico da disputa entre o petista e o senador.

A rejeição alta dos dois principais nomes funciona como teto para o crescimento. “48% dos entrevistados disseram que não votariam de jeito nenhum em Lula. Enquanto isso, a rejeição de Flávio é de 44%”, registra a Gazeta do Povo. O dado dialoga com a desaprovação de 50% ao governo Lula medida pela série de 19 pesquisas da Gerp. A administração chegou a ter 61% de desaprovação em março de 2025 e hoje se estabiliza no patamar de metade do eleitorado.

As duas cifras limitam a capacidade dos candidatos de avançar sobre o eleitorado que se declara indeciso ou simpatiza com nomes alternativos. Também abrem espaço para discursos de “terceira via”, mesmo que, neste momento, nenhum outro presidenciável se aproxime de dois dígitos nacionais.

Efeito sobre partidos, economia e campanha

O cenário de empate técnico deve reorganizar estratégias de governo e oposição. No campo governista, a leitura é de alerta: Lula precisa reduzir a própria rejeição e melhorar a avaliação de seu governo para não ficar em desvantagem na disputa de segundo turno. Interlocutores do Planalto tendem a defender entregas rápidas em áreas sensíveis, como renda, emprego e segurança, para diminuir o desgaste.

No campo de Flávio Bolsonaro, a pesquisa reforça a aposta na união da direita em torno de seu nome. O senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, deve intensificar a tentativa de atrair formalmente aliados como Zema, Caiado e Renan Santos, de olho justamente na transferência de votos captada pelo Gerp. A lógica é transformar em aliança política o que hoje aparece principalmente como afinidade ideológica no eleitorado.

Em setores econômicos, os números alimentam a percepção de incerteza sobre o rumo do país a partir de 2027. A combinação de desaprovação elevada ao governo e disputa acirrada, sem favorito claro, costuma adiar decisões de investimento e ampliar a volatilidade dos mercados. Bancos, consultorias e grandes empresas já incorporam as pesquisas de 2026 em seus cenários de risco.

A pesquisa Gerp está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09657/2026, custou R$ 20.000 e foi financiada com recursos próprios do instituto. O levantamento cobre todo o território nacional e tem grau de confiança de 95%, padrão adotado na maioria dos estudos eleitorais do país.

Disputa prolongada e próximos movimentos

A poucos meses do início oficial da campanha, a pesquisa indica que a eleição de 2026 caminha para ser decidida nos detalhes. Alta rejeição, transferência de votos desequilibrada e desaprovação ao governo formam o desenho de uma corrida longa, em que erros de cálculo podem custar caro.

Nenhum dos dois principais pré-candidatos, hoje, consegue se descolar do outro a ponto de produzir clima de favoritismo. A tendência, se o quadro se mantiver, é de uma campanha marcada por forte polarização, judicialização elevada e uso intensivo das redes sociais, tanto para mobilizar a base quanto para disputar os eleitores que hoje orbitam nomes como Zema, Caiado e Renan Santos.

As próximas pesquisas, de Gerp e de outros institutos, vão mostrar se a curva de desaprovação ao governo e a transferência de votos na direita se consolidam ou se abrem espaço para surpresas. Até lá, PT e PL ajustam o discurso, testam alianças regionais e se preparam para uma eleição que, ao menos por enquanto, se decide na casa dos décimos decimais.

O que é a pesquisa Gerp para 2026?

É um levantamento nacional de intenção de voto para a Presidência em 2026, feito com 2.000 eleitores entre 15 e 20 de junho, com margem de erro de 2,19 pontos.

Quem lidera hoje a disputa presidencial de 2026?

No primeiro turno, Lula aparece numericamente à frente, com 37% contra 34% de Flávio Bolsonaro. Pela margem de erro, os dois estão empatados tecnicamente.

E quem está na frente no segundo turno?

No cenário de segundo turno simulado, Flávio Bolsonaro tem 41,5% e Lula, 40,2%. A diferença também está dentro da margem de erro, mantendo o empate técnico.

Como a rejeição dos candidatos afeta a eleição?

Lula tem rejeição de 48% e Flávio, de 44%. Esses índices limitam a capacidade de ambos de crescer sobre indecisos e eleitores de outros pré-candidatos.

A desaprovação do governo Lula influencia a disputa?

Sim. A desaprovação de 50% ao governo tende a dificultar a expansão de Lula no segundo turno e pode favorecer o discurso de mudança usado por seus adversários.


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