Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados na disputa pela Presidência em 2026, segundo pesquisa nacional do instituto Gerp feita de 15 a 20 de junho de 2026. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (24), indica vantagem numérica de Lula no 1º turno e leve inversão a favor de Flávio em um eventual 2º turno.
Disputa aberta no 1º e no 2º turno
Os números mostram um país dividido em duas metades políticas que seguem se enfrentando. No cenário estimulado de 1º turno, com lista de candidatos apresentada aos entrevistados, Lula soma 37% das intenções de voto, contra 34% de Flávio Bolsonaro. A diferença de 3 pontos percentuais fica dentro da margem de erro de 2,19 pontos.
“O presidente Lula (PT) lidera numericamente a disputa pela Presidência da República no primeiro turno, com 37% das intenções de voto, ante 34% do segundo colocado, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Considerando a margem de erro, de 2,19 pontos percentuais, há empate técnico”, registra texto da CartaCapital ao analisar o estudo.
Nas simulações de 2º turno, a fotografia muda de lado, mas preserva o equilíbrio. Em confronto direto, Flávio Bolsonaro chega a 41,5%, enquanto Lula alcança 40,2%, de acordo com a Gazeta do Povo. “Na simulação de segundo turno entre os dois, a ordem muda. Flávio avança 7,8 pontos percentuais e chega a 41,5%. Por outro lado, Lula cresce menos (3,7 pontos percentuais) e alcança 40,2% das intenções de voto. Eles, porém, permanecem empatados tecnicamente”, descreve o jornal.
A leitura central é que, vinte anos depois da primeira vitória nacional de Lula, a polarização se mantém, agora com Flávio Bolsonaro à frente do campo oposicionista. A pesquisa não aponta folga para nenhum dos lados e indica que o resultado de 2026 depende de detalhes de campanha, alianças e capacidade de reduzir rejeição.
Transferência de votos e força dos coadjuvantes
A vantagem numérica de Flávio no 2º turno não nasce apenas da sua base bolsonarista. O desempenho dele depende da migração de votos de outros pré-candidatos, quase todos situados no campo da direita ou do centro-direita.
O levantamento mostra que Flávio Bolsonaro herda 5,6% das intenções de voto que, no 1º turno, vão para nomes como Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Só esses três respondem por 1,5%, 1,3% e 1,2% dos votos transferidos para o senador no 2º turno, respectivamente. Lula consegue atrair apenas 2,2% dos eleitores desses adversários.
Na prática, a pesquisa indica que o espaço hoje ocupado por Renan Santos, Zema e Caiado funciona mais como antecâmara do bolsonarismo do que como uma alternativa de terceira via consolidada. Esses nomes ampliam o alcance eleitoral de Flávio, que chega ao 2º turno com um “reservatório” de votos mais favorável.
Os números também ajudam a explicar a pressão que tende a recair sobre esses pré-candidatos nos próximos meses. Com o avanço da campanha, partidos e apoiadores podem ser empurrados para uma definição precoce, seja para tentar construir um polo próprio, seja para se integrar formalmente a uma das duas forças principais.
Rejeição alta limita crescimento
O estudo da Gerp reforça outro traço do cenário de 2026: a dificuldade de ambos os líderes em furar o teto de rejeição. Segundo a Gazeta do Povo, “48% dos entrevistados disseram que não votariam de jeito nenhum em Lula. Enquanto isso, a rejeição de Flávio é de 44%”.
Os índices funcionam como um freio para o crescimento em uma disputa tão apertada. Metade do eleitorado já expressa desaprovação ao governo Lula, na faixa de 50%, de acordo com a série de 19 pesquisas da Gerp iniciada em janeiro de 2025. O percentual chegou a 61% em março do ano passado e recua desde então, mas não sai da casa dos 50%.
A soma de rejeição alta com polarização intensa costuma aumentar o espaço para abstenção, voto em branco ou nulo. Também abre brechas para candidaturas que se apresentem como “nem Lula nem Bolsonaro”, embora, por ora, esses nomes ainda alimentem mais a base bolsonarista no 2º turno do que um projeto próprio.
Para o PT, o desafio é quebrar a resistência de quase metade do eleitorado ao presidente e, ao mesmo tempo, defender um governo que convive com 50% de desaprovação. Para o PL, a tarefa é nacionalizar de forma consistente a figura de Flávio, herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem esbarrar no desgaste acumulado pelo bolsonarismo desde 2018.
Metodologia, pesos políticos e efeitos no tabuleiro
A pesquisa Gerp entrevista 2.000 pessoas em todo o território nacional, por meio de questionário estimulado, entre 15 e 20 de junho de 2026. “A pesquisa Gerp entrevistou 2.000 pessoas em todo o território nacional de 15 a 20 de junho de 2026; margem de erro é de 2,19 pontos”, registra o site Poder360.
O levantamento tem grau de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09657/2026. “O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09657/2026”, reforça o Poder360. O custo declarado é de R$ 20.000, bancados com recursos próprios, segundo o instituto.
Em um país acostumado a disputas apertadas, essas credenciais importam. A publicação do estudo, já no calendário pré-eleitoral, alimenta decisões internas de partidos, afina o discurso de campanha e ajusta os planos de marketing. As legendas passam a testar mensagens específicas para reduzir rejeição e captar o eleitor indeciso ou órfão de alternativas.
Setores econômicos ligados aos dois campos leem a pesquisa como indicativo de que nenhum dos lados pode contar com vitória antecipada. Entidades civis e movimentos sociais, por sua vez, acompanham os sinais de acirramento e se preocupam com os efeitos da polarização sobre a estabilidade política do país.
Os dados da Gerp também dialogam com outros levantamentos divulgados por institutos como Paraná Pesquisas, Atlas, Quaest e os encomendados por veículos como G1, UOL e grandes jornais, que têm mostrado linhas semelhantes de divisão do eleitorado. A diferença está nos detalhes da transferência de votos e no comportamento da rejeição, que ajudam a decifrar o jogo de 2º turno.
Campanhas em modo antecipado e incerteza até a urna
O cenário desenhado pela pesquisa reforça que 2026 tende a ser decidido na margem. As próximas rodadas de levantamentos devem medir se a liderança numérica de Lula no 1º turno se mantém e se a dianteira de Flávio no 2º turno se cristaliza ou se dilui.
Até lá, a tendência é de aceleração silenciosa das campanhas, com mais investimentos em mídia digital, viagens de pré-campanha e costura de alianças regionais. No campo lulista, a estratégia passa por tentar reduzir a rejeição e defender o legado econômico e social do governo. No campo bolsonarista, o objetivo é preservar a unidade da direita e evitar que candidatos como Renan Santos, Zema e Caiado abram uma avenida para uma terceira via robusta.
A pesquisa Gerp não fecha o jogo. Mostra apenas que, a pouco mais de um ano do primeiro turno, a disputa pela Presidência segue em aberto, com dois polos fortes, eleitores cansados e pouco espaço para erros de cálculo.
Como foi feita a pesquisa Gerp para presidente em 2026?
O Gerp entrevistou 2.000 eleitores em todo o país, entre 15 e 20 de junho de 2026, com questionário estimulado. A margem de erro é de 2,19 pontos, o grau de confiança é de 95% e o registro no TSE é BR-09657/2026.
Por que Lula lidera no 1º turno e Flávio aparece na frente no 2º?
Lula parte de uma base consolidada e lidera numericamente na largada. No 2º turno, Flávio cresce mais porque recebe 5,6% dos votos de outros pré-candidatos, enquanto Lula herda só 2,2%, ampliando sua fatia entre eleitores de direita e centro-direita.
O que significam os índices de rejeição de Lula e Flávio Bolsonaro?
A rejeição de 48% a Lula e 44% a Flávio indica que quase metade do eleitorado diz não votar neles “de jeito nenhum”. Isso limita o potencial de crescimento e aumenta o peso dos indecisos, dos votos brancos e nulos e de candidaturas alternativas.