Banco de Edir Macedo, Digimais recebe aporte de R$ 2 bilhões do Grupo Record em meio à operação da PF

Alvo da Operação Miragem, instituição financeira tenta viabilizar acordo de venda para o BTG Pactual enquanto FGC e Banco Central acompanham o caso.
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Alvo recente da Polícia Federal na Operação Miragem, o banco Digimais recebeu um robusto aporte financeiro do Grupo Record e conta atualmente com cerca de R$ 2 bilhões em caixa. A injeção de capital foi realizada por sua controladora, a Digimais Participações, pertencente à B.A. Empreendimentos Participações — holding ligada ao grupo de comunicação e à Igreja Universal do Reino de Deus, liderados pelo bispo Edir Macedo.

Os depósitos foram estruturados por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do próprio controlador, além de uma parcela captada no mercado utilizando esses mesmos títulos.

O reforço de caixa ocorre em um momento estratégico: faz parte das negociações com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para a venda da instituição. O BTG Pactual, que já havia assinado um acordo de intenção de compra em abril deste ano, é o principal interessado no negócio.

O peso da Operação Miragem

O Digimais está sob o escrutínio das autoridades por suspeita de maquiar relatórios financeiros para esconder sua real situação econômica, aparentando uma solidez inexistente perante os órgãos de controle.

As investigações da Polícia Federal miram uma série de possíveis irregularidades:

  • Gestão fraudulenta e inserção de dados falsos em relatórios.
  • Realização de empréstimos e financiamentos proibidos por lei para bancos.
    Aquisição controversa de precatórios (títulos de dívidas do Estado reconhecidas pela Justiça).

Na última terça-feira (23), a PF deflagrou nove mandados de busca e apreensão contra diretores, conselheiros e empresas ligadas ao banco. A operação resultou no bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e na quebra de sigilo bancário e fiscal dos alvos.

O futuro da venda e a posição do Banco Central

Apesar da ação policial, o BTG Pactual informou, via comunicado exigido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que não descarta concluir a aquisição. Contudo, o banco comandado por André Esteves ressaltou que a operação depende de um processo competitivo (leilão conduzido pelo FGC) e de ter sua proposta declarada vencedora. Especula-se nos bastidores que o BTG exija um aporte ainda maior por parte de Edir Macedo para fechar o negócio.

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, evitou comentar a situação específica do Digimais e os motivos de o leilão do FGC ainda não ter ocorrido. No entanto, utilizando o caso recente do Banco Master como exemplo, Galípolo ressaltou que a liquidação de uma instituição não funciona como “punição criminal”, mas sim como uma medida técnica adotada apenas quando o banco não possui mais dinheiro em caixa para honrar os compromissos com seus correntistas — o que, graças ao aporte da Record, não é o caso atual do Digimais.

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