O lateral inglês Djed Spence quebrou o silêncio e explicou por que decidiu não cumprimentar o meio-campista Thomas Partey antes da partida entre Inglaterra e Gana, disputada nesta semana pelo principal torneio de seleções do planeta, nos Estados Unidos.
Segundo o jogador, a escolha foi motivada por convicções religiosas e pessoais. A atitude ganhou repercussão internacional e reacendeu o debate sobre os limites entre crenças individuais, respeito aos protocolos esportivos e a presunção de inocência em casos que ainda aguardam julgamento.
O gesto aconteceu durante o tradicional protocolo de cumprimentos entre as equipes, momentos antes do início do jogo em Boston. Enquanto os demais atletas ingleses apertaram a mão de Thomas Partey, Spence manteve as mãos nos bolsos e seguiu para o próximo jogador da fila.
As imagens rapidamente viralizaram nas redes sociais e geraram reações divididas entre torcedores, comentaristas e ex-jogadores.
Posteriormente, Spence explicou que sua decisão foi baseada em princípios religiosos.
“Minha fé guia minhas decisões”, afirmou o defensor, acrescentando que não teve a intenção de desrespeitar ninguém, mas apenas agir de acordo com suas convicções pessoais.
O que aconteceu?
O episódio ocorreu antes do empate sem gols entre Inglaterra e Gana pela segunda rodada da fase de grupos da competição internacional.
Thomas Partey, atualmente no Villarreal, voltou a atuar pela seleção ganesa após ficar fora da estreia da equipe. O volante não participou da primeira partida porque teve a entrada negada no Canadá devido ao processo judicial que enfrenta no Reino Unido.
Na cerimônia oficial antes do apito inicial, apenas Djed Spence optou por não cumprimentar o jogador ganês.
Quem é Thomas Partey?
Thomas Partey construiu grande parte da carreira no futebol europeu, especialmente durante sua passagem pelo Arsenal, onde atuou entre 2020 e 2025.
Hoje com 33 anos, o atleta responde na Justiça britânica a acusações de estupro e agressão sexual envolvendo diferentes mulheres. Ele nega todas as acusações e sua defesa afirma que o jogador colaborou integralmente com as investigações desde o início do caso.
O julgamento está previsto para acontecer no próximo ano.
Como o processo ainda está em andamento, autoridades esportivas e dirigentes evitam manifestações que possam interferir no andamento judicial.
O que disse a Federação Inglesa?
Antes do confronto, a Federação Inglesa não estabeleceu orientações específicas sobre o protocolo de cumprimentos envolvendo Thomas Partey.
A decisão ficou a cargo de cada atleta, permitindo que os jogadores escolhessem individualmente como agir diante da situação.
Na prática, apenas Spence optou por não apertar a mão do volante ganês.
Como foi a repercussão?
O gesto provocou debates intensos nas redes sociais e entre personalidades do futebol internacional.
Parte dos torcedores apoiou a decisão do inglês, entendendo que questões morais e religiosas fazem parte da liberdade individual de cada atleta.
Outros, porém, criticaram a atitude, argumentando que o princípio da presunção de inocência deve ser respeitado até uma decisão definitiva da Justiça.
Ex-jogadores também se manifestaram sobre o caso, destacando que o futebol frequentemente se torna palco para discussões que vão além das quatro linhas.
O que acontece agora?
Do ponto de vista esportivo, Inglaterra e Gana seguem focadas na reta decisiva da fase de grupos do torneio mundial.
Já no campo judicial, Thomas Partey continuará respondendo às acusações perante a Justiça britânica, mantendo sua posição de inocência.
Até que haja uma sentença definitiva, o caso seguirá cercado por debates sobre responsabilidade, direitos individuais e os limites entre vida pessoal e carreira profissional.
Entenda o contexto
A polêmica envolvendo Thomas Partey acompanha o torneio desde a convocação de Gana. O jogador enfrenta acusações criminais no Reino Unido, que ele nega integralmente, e aguarda julgamento.
A situação chegou a impedir sua entrada no Canadá, fazendo com que ele perdesse a estreia da seleção ganesa. Seu retorno diante da Inglaterra, justamente contra antigos companheiros e sob forte atenção da imprensa internacional, ampliou a repercussão do caso.
O episódio envolvendo Djed Spence acrescentou uma nova camada ao debate, colocando em discussão temas como liberdade religiosa, protocolos esportivos e o respeito ao princípio da presunção de inocência enquanto o processo judicial segue em andamento.