Pesquisa da Vox Brasil divulgada neste domingo, 28 de junho de 2026, mostra que Tarcísio de Freitas chega à metade do mandato com 63,1% de aprovação em São Paulo. O levantamento também reforça a polarização da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes entre o governador do Republicanos e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, do PT, que anuncia Márcio França, do PSB, como vice na chapa.
Aprovação alta e cenário de embate direto
O Vox Brasil entrevista 1.480 eleitores entre 25 e 27 de junho, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e confiança de 95%. A pesquisa, registrada no TSE sob o número SP-08939/2026, custa R$ 50.000, pagos com recursos próprios do instituto.
Segundo o levantamento, “63,1% dos eleitores do Estado de São Paulo aprovam a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto 31,5% dizem desaprová-la”. Outros 5,4% não sabem ou não respondem. O dado consolida um quadro confortável para quem busca a reeleição no maior colégio eleitoral do país.
O mesmo estudo indica que a corrida para governador se concentra em dois nomes: Tarcísio, que tenta manter o comando do Estado sob a sigla de centro-direita Republicanos, e Haddad, principal aposta do campo ligado ao governo federal. A disputa estadual passa a espelhar a divisão nacional entre blocos de direita e esquerda.
Aliança Haddad–França tenta furar bloqueio
Do lado petista, a resposta vem na forma de uma aliança ampliada. Haddad confirma a formação de chapa com Márcio França, do PSB, como candidato a vice-governador. A parceria tenta reorganizar o espaço da centro-esquerda paulista, até hoje marcada por derrotas sucessivas no Estado.
“Haddad anunciará chapa com Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador para fortalecer a aliança entre PT e PSB em São Paulo”, registra reportagem da revista Veja sobre o arranjo. França, ex-governador e ex-ministro, agrega tempo de TV, capilaridade em cidades médias e diálogo com setores empresariais que resistem ao PT, mas o conhecem desde o período em que ocupou o Bandeirantes.
O movimento tenta ocupar o vácuo deixado pela desistência de outros pré-candidatos. Kim Kataguiri, do Missão, e Paulo Serra, do PSDB, recuam da disputa estadual, o que reduz o número de nomes viáveis e ajuda a consolidar a eleição em dois polos. A velha hegemonia tucana abre espaço para um duelo direto entre o grupo de Tarcísio e a aliança PT–PSB.
Pressão por unidade no entorno do governador
O bom desempenho nas pesquisas não elimina a necessidade de costura interna. Em coletiva em Diadema, em 26 de junho, após inauguração de obra, Tarcísio admite preocupação com ruídos no próprio campo e faz apelo público por pacificação.
Sem entrar em detalhes, o governador cita o desconforto entre dois dos principais nomes de seu grupo, apresentados como Flávio e Michelle. “Acho que essa questão da Michelle com ele é uma questão familiar. E é uma questão que a gente tem certeza de que, lá na frente e num tempo breve, eles vão chegar num entendimento, vão poder caminhar. O grupo tem que estar unido, porque o enfrentamento vai ser difícil”, afirma.
A fala expõe a avaliação de que qualquer fissura no entorno bolsonarista e conservador pode custar caro na largada da campanha. O governador tenta manter sob o mesmo guarda-chuva figuras com trajetórias e ambições próprias, em meio a uma eleição que também envolve vagas ao Senado, prefeituras aliadas e palanques municipais.
A pesquisa da Vox Brasil inclui perguntas sobre a disputa pelo Senado, com nomes como André do Prado (PL), Guilherme Derrite (Progressistas), Marina Silva (Rede), Paulinho da Força (Solidariedade), Ricardo Salles (Novo) e Simone Tebet (MDB). A lista mostra como o tabuleiro paulista deve influenciar diretamente a composição do futuro Congresso e o equilíbrio entre governo federal e oposição.
O que está em jogo para o eleitor paulista
O poder de São Paulo não se limita ao orçamento bilionário do governo estadual. A máquina controla políticas de infraestrutura, transporte, segurança pública e programas sociais que afetam o cotidiano de mais de 44 milhões de pessoas. O resultado de 2026 tende a reorientar prioridades nesses setores.
Com alta aprovação, Tarcísio mira a narrativa da continuidade, listando obras viárias, concessões, investimentos em trens e agendas de segurança como vitrine de gestão. O desafio será defender esse legado diante de críticas sobre desigualdade regional, transporte metropolitano e atendimento em saúde e educação.
Haddad e França apostam no discurso de mudança, com ênfase em políticas sociais, revisão de privatizações e reforço do diálogo com servidores públicos. A aliança PT–PSB tenta atrair o eleitor urbano que se decepciona com a gestão, mas também aquele que nunca votou no PT para o Bandeirantes, ainda marcado por memórias da hegemonia tucana e, mais recentemente, pela ascensão da direita.
O quadro de polarização reduz o espaço para candidaturas de centro e experimentos de terceira via. Sem nomes competitivos fora dos dois campos principais, o eleitor é empurrado para um confronto de projetos mais nítido, com menor margem para ambiguidades programáticas.
Uma eleição estadual com impacto nacional
O desfecho da disputa em São Paulo tende a pesar no xadrez de 2026 e além. Uma eventual reeleição de Tarcísio consolida o Republicanos como força dominante no maior Estado do país e reforça o bloco de direita no plano nacional. Haddad derrotado novamente em São Paulo enfraquece o campo governista e limita alternativas para a sucessão presidencial.
Uma virada petista, por outro lado, quebraria uma barreira histórica, daria ao governo federal um palanque robusto no Sudeste e redesenharia a correlação de forças com o Congresso. Com isso, a eleição paulista deixa de ser apenas uma disputa regional e passa a funcionar como termômetro do humor do eleitor com o governo federal e a oposição.
Até lá, pesquisas como a da Vox Brasil devem pautar cálculos de partidos, movimentos de alianças e decisões de quem ainda hesita entre se lançar ou compor palanques. Tarcísio entra na segunda metade do mandato em vantagem numérica e simbólica, mas precisa manter o índice de aprovação e conter conflitos internos. Haddad e França correm para transformar a aliança em votos concretos. Os próximos meses dirão se o favoritismo do governador resiste ao embate direto ou se o cenário bipolar abre espaço para surpresas na reta final.
Quem são os principais candidatos ao governo de São Paulo em 2026?
O cenário atual aponta para uma disputa centralizada entre Tarcísio de Freitas, do Republicanos, que busca a reeleição, e Fernando Haddad, do PT, em chapa com Márcio França, do PSB, como candidato a vice-governador.
Qual é o partido do governador de São Paulo e onde ele se posiciona no espectro político?
Tarcísio de Freitas é filiado ao Republicanos, legenda identificada com a direita e alinhada ao campo conservador no plano nacional.
Como está a avaliação do governo Tarcísio hoje?
De acordo com a Vox Brasil, 63,1% dos eleitores paulistas aprovam a gestão, 31,5% desaprovam e 5,4% não sabem ou não respondem, em pesquisa feita de 25 a 27 de junho de 2026.