Diarista que confessa matar casal em BH é presa em hotel

Diarista é capturada após admitir assassinato de casal em apartamento de luxo em Belo Horizonte.
Redação NC News
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A diarista Paola Stefany Neto Cirino, 30, é presa na madrugada desta quinta-feira (02/07/2026), em Itabira, suspeita de matar a facadas um casal de idosos em Belo Horizonte e roubar objetos do apartamento. Ela confessa o crime à Polícia Civil e alega ter sofrido um “surto psicótico”.

Crime em apartamento de luxo choca BH

O assassinato de Cláudio Atala Inácio, 75, advogado, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, 76, em um apartamento de luxo no bairro São Pedro, região Centro-Sul da capital mineira, provoca reação imediata entre moradores de áreas nobres e trabalhadores domésticos.

O crime ocorre na terça-feira (30/06/2026). Imagens de câmeras de segurança mostram Paola entrando no prédio pela manhã e saindo horas depois, carregando bolsas, mochilas e outros pertences do casal. O caso rapidamente ganha repercussão estadual, impulsionado pela brutalidade dos ataques e pela relação de confiança entre vítima e suspeita.

As cenas registradas no edifício expõem o contraste entre a rotina de um serviço doméstico comum e a violência que, segundo a polícia, se desenrola dentro do apartamento. O casal é encontrado morto com sinais de múltiplas facadas, em um ambiente que não apresenta sinais de arrombamento.

Da descoberta dos corpos à caçada em Itabira

Após a confirmação das mortes na terça-feira, a Polícia Civil cruza imagens de segurança, registros de portaria e dados telefônicos para chegar ao nome de Paola, indicada anteriormente para trabalhar como diarista na residência dos Atala Inácio. Investigadores identificam que ela deixa Belo Horizonte e segue para o interior do estado.

Segundo o delegado Gustavo Barletta, responsável pelo caso, o setor de inteligência localiza a suspeita ainda na quarta-feira (1º), em Itabira, na região Central de Minas. Ela se hospeda em um hotel da cidade, acompanhada do filho de 6 anos. Os policiais passam a monitorar seus deslocamentos até decidirem pela abordagem.

No quarto de hotel, Paola chora muito ao ser presa e está com parte dos itens levados do apartamento. “A suspeita não resistiu à abordagem e disse aos policiais que já esperava ser presa devido à repercussão do caso”, afirma Barletta.

O delegado relata que a operação é rápida e sem confronto. A criança é retirada do ambiente e encaminhada a familiares, enquanto a equipe recolhe objetos pessoais da diarista e bens que teriam sido subtraídos em Belo Horizonte. A prisão em flagrante é formalizada ainda de madrugada.

Confissão, facadas e alegação de surto psicótico

Durante a conversa inicial com investigadores, Paola confessa ter matado o casal. Segundo Barletta, ela descreve ter dopado as vítimas com quatro comprimidos de um medicamento de uso pessoal antes de iniciar os ataques com faca.

Cláudio recebe 17 facadas; Maria Clotilde, sete. Laudos preliminares indicam ferimentos de defesa, compatíveis com a narrativa de que o advogado tenta reagir. Paola afirma que ele acorda, tenta levantar da cama, mas é empurrado de volta e golpeado. Em seguida, a empresária desperta e também é esfaqueada.

Ela diz à polícia que não chega ao apartamento com intenção de roubar. Alega que decide levar os objetos depois de ver os bens do casal. Sobre a motivação, sustenta ter sofrido um “surto psicótico”, sem conseguir explicar em detalhes a sequência de decisões que culmina no duplo homicídio.

Barletta conta que a diarista tenta apagar vestígios. “A suspeita relata que lava a faca usada no crime e esconde o objeto no próprio apartamento”, diz o delegado. O utensílio é localizado e encaminhado para perícia, que deve analisar impressões digitais, resíduos de sangue e eventual tentativa de destruição de provas.

No auto de prisão em flagrante, porém, Paola opta por permanecer em silêncio, o que transfere o peso da reconstrução dos fatos para laudos periciais, imagens e depoimentos de testemunhas.

Roubo, dívidas e possível cúmplice

Além do homicídio duplo, a investigação mira o furto de bens da residência. Paola admite que deixa o prédio carregando bolsas e mochilas com objetos do casal, que pretende vender. Questionada sobre a motivação financeira, nega que o crime esteja ligado a dívidas com jogos de azar.

“Ela assume que pegou todos os objetos que estavam lá disponíveis e que tinha interesse, mas as dívidas que foram ventiladas anteriormente ela alega que já foram pagas. Ela informou que essa nova subtração seria somente para custos pessoais do dia a dia, que não teria mais nenhum tipo de dívida a ser paga”, afirma Barletta.

A polícia agora tenta mapear o caminho dos bens roubados, identificar receptadores e recuperar, ao menos parcialmente, o patrimônio do casal. Parte dos objetos é encontrada com a suspeita no hotel em Itabira; outros, segundo investigadores, podem já ter sido repassados.

As imagens do dia do crime mostram um carro aguardando Paola nas proximidades do prédio. Ela diz que o homem ao volante é apenas um motorista de aplicativo, contratado para a corrida. Barletta, porém, evita descartar a participação de um cúmplice. A eventual ligação do motorista com o crime passa a ser uma das frentes centrais da apuração.

Medo em áreas nobres e pressão sobre a segurança

A investigação ainda está em curso, mas as repercussões ultrapassam o inquérito policial. Em Belo Horizonte, síndicos e administradoras de condomínios de alto padrão começam a discutir, de forma reservada, mudanças em protocolos de acesso, cadastro de prestadores de serviço e controle de circulação de diaristas e trabalhadores temporários.

Moradores de bairros como São Pedro relatam, em conversas com vizinhos, um mal-estar imediato na relação com profissionais domésticos, marcada tradicionalmente por confiança e informalidade. Empresas de segurança privada veem espaço para oferecer novos pacotes de monitoramento, com mais câmeras internas, checagem de antecedentes e integração com centrais 24 horas.

O caso também volta os holofotes para a vulnerabilidade de idosos, mesmo em imóveis com porteiro, câmeras e estrutura considerada segura. Cláudio e Maria Clotilde viviam em um dos endereços mais valorizados da região Centro-Sul, com camadas de proteção que, desta vez, não impedem que a violência venha de dentro.

Na esfera jurídica, a alegação de surto psicótico levanta dúvidas sobre a saúde mental da suspeita. Perícias psiquiátricas devem ser determinantes para o rumo do processo criminal, influenciando desde a eventual imputabilidade até um possível pedido de internação em hospital de custódia. O resultado pode alimentar debates mais amplos sobre como o sistema penal lida com transtornos mentais graves.

Para a Polícia Civil, o desafio imediato é técnico e prático: concluir laudos, ouvir novas testemunhas, rastrear o suposto motorista e localizar todos os bens subtraídos. A partir daí, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público, que decide pela denúncia e pelo tipo de acusação a ser apresentada à Justiça.

O caso, que já domina o noticiário mineiro e mobiliza redações como a da rádio Itatiaia, tende a permanecer no centro do debate público nos próximos meses. À medida que surgirem laudos e depoimentos, a história de Paola, do casal Atala Inácio e do apartamento de luxo em São Pedro deve reabrir discussões sobre segurança residencial, proteção de idosos e o papel da saúde mental no sistema de Justiça brasileiro.

O que acontece agora com a investigação?

A Polícia Civil conclui perícias no apartamento e na faca, rastreia o motorista que levou Paola, tenta recuperar todos os bens roubados e, depois, envia o inquérito ao Ministério Público.

Paola pode alegar problema mental para não ir à prisão comum?

Ela alega surto psicótico, mas a definição cabe às perícias psiquiátricas e ao Judiciário. Dependendo do laudo, a Justiça pode optar por internação em hospital de custódia em vez de pena em presídio comum.

Moradores podem exigir mais checagem de diaristas nos prédios?

Condomínios podem reforçar cadastros, pedir indicações e exigir documentos, mas não podem praticar discriminação ilegal. Síndicos e moradores precisam equilibrar segurança, privacidade e direitos trabalhistas.


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