O celular do tenente da Polícia Militar Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, ainda não foi entregue aos investigadores responsáveis por apurar a tentativa de homicídio sofrida pelo policial no último dia 27 de junho, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. O aparelho é tratado como uma das principais peças para esclarecer a motivação do crime e identificar todos os envolvidos.
Até a tarde desta sexta-feira (3), agentes do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) não tinham conhecimento sobre o paradeiro do telefone. A ausência do aparelho pode dificultar o acesso a informações consideradas estratégicas para o andamento das investigações, como registros de chamadas, mensagens, contatos e dados de localização.
O que aconteceu?
O tenente Ronickson Pimentel dos Santos foi baleado na cabeça enquanto pilotava uma motocicleta pela Avenida Goiás, principal via de São Caetano do Sul. Segundo a investigação, ele havia parado em um semáforo quando foi surpreendido por dois homens que estavam em outra motocicleta.
O passageiro da moto teria efetuado os disparos contra o policial. Após o ataque, a dupla fugiu do local.
Mesmo gravemente ferido, o tenente recebeu atendimento ainda na avenida, foi estabilizado pelas equipes de resgate e, em seguida, transportado pelo helicóptero Águia até o Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, onde permanece internado.
Por que o celular é considerado uma peça fundamental?
Para os investigadores, o telefone celular pode ajudar a reconstruir os momentos que antecederam o atentado.
A análise do aparelho poderá revelar informações importantes, como contatos recentes, conversas, histórico de ligações, localização e outros dados digitais que podem contribuir para identificar a motivação do crime, possíveis ameaças anteriores e eventuais conexões entre os investigados.
Sem acesso ao dispositivo, parte dessas diligências permanece pendente.
Quem são os investigados?
A Polícia Civil afirma ter identificado o homem apontado como autor dos disparos. Conhecido pelo apelido de “Golias”, ele teve a prisão temporária decretada pela Justiça e continua sendo procurado pelas forças de segurança.
Segundo a investigação, ele ocupava a garupa da motocicleta utilizada no ataque e teria sido o responsável pelos disparos contra o policial.
Além dele, outros dois homens permanecem presos por suspeita de envolvimento indireto no caso. A participação de cada um ainda está sendo apurada pelas autoridades.
Mortes durante as buscas levantam novos questionamentos
As buscas pelos suspeitos provocaram uma série de operações policiais realizadas entre os dias 29 de junho e 2 de julho.
Durante esse período, três homens morreram em intervenções policiais ocorridas na zona leste da capital paulista e em Peruíbe, no litoral de São Paulo.
Todos os boletins de ocorrência fazem referência às diligências relacionadas à tentativa de homicídio contra o tenente.
No episódio mais recente, ocorrido em Peruíbe, policiais localizaram um homem identificado como Elenilson Misael da Silva, conhecido como “Galego”, após uma denúncia anônima que apontava seu suposto envolvimento no atentado.
Segundo o registro da ocorrência, ele tentou fugir ao perceber a aproximação dos policiais e houve troca de tiros. Baleado, foi socorrido até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu aos ferimentos.
Com ele, foi apreendida uma pistola. O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial, porte ilegal de arma de fogo, localização e apreensão de veículo e legítima defesa.
O que dizem as autoridades?
Apesar das denúncias recebidas durante as investigações, a Secretaria da Segurança Pública informou que, até o momento, não há elementos que confirmem o envolvimento de Elenilson Misael da Silva no atentado contra o tenente.
Da mesma forma, o governo paulista mantém cautela ao tratar da relação entre os homens mortos nas operações e a tentativa de homicídio. Conforme as autoridades, a apuração continua e novas diligências serão realizadas antes de qualquer conclusão.
Quem é o tenente Ronickson Pimentel?
Ronickson Pimentel dos Santos é irmão de Eloá Pimentel, jovem que ficou conhecida nacionalmente após ser vítima de um dos casos de cárcere privado mais marcantes do país, em 2008.
Desde o atentado, familiares, colegas de farda e autoridades acompanham a evolução do quadro clínico do policial, que permanece hospitalizado.
O que acontece agora?
A Polícia Civil prossegue com as investigações para localizar o principal suspeito, esclarecer a motivação do ataque e identificar se outras pessoas participaram do crime.
Os investigadores também aguardam a localização e entrega do celular do tenente, considerado um elemento importante para complementar a produção de provas e auxiliar na reconstituição dos fatos.
Enquanto isso, seguem em andamento as análises de imagens, depoimentos, perícias e demais diligências conduzidas pelo DHPP.
Entenda o contexto
O atentado contra o tenente Ronickson Pimentel ganhou repercussão nacional não apenas pela gravidade do caso, mas também pelo fato de o policial ser irmão de Eloá Pimentel, vítima de um crime que marcou o país em 2008.
Desde o ataque, as forças de segurança intensificaram as buscas pelos suspeitos, resultando em diversas operações policiais no estado de São Paulo. Apesar dos avanços, a investigação ainda busca esclarecer a motivação do atentado, confirmar a participação de todos os investigados e reunir provas técnicas que permitam concluir o inquérito. Nesse contexto, a localização do celular do policial passou a ser considerada uma etapa importante para o esclarecimento completo do caso.