O Cruzeiro vence o Defensor Sporting-URU por 2 a 0, na manhã deste sábado (4), em amistoso internacional na Arena Independência, em Belo Horizonte, às 11h. Kaio Jorge e o jovem Felipe Morais marcam e ajudam a equipe a abrir a intertemporada com vitória antes da retomada do Campeonato Brasileiro.
Amistoso vira termômetro após pausa pelo Mundial
O jogo marca o reencontro da torcida celeste com o time depois da pausa provocada pelo Mundial de Seleções e se torna um laboratório para o segundo semestre. Com substituições liberadas e escalação mista, o técnico Artur Jorge testa praticamente todo o elenco e mede o ritmo da equipe a 18 dias da volta à Série A, marcada para 22 de julho, contra o Internacional, no Beira-Rio.
O resultado positivo, ainda que em caráter amistoso, alivia a ansiedade da torcida que ocupa bem o Independência. O público é de 19.382 pessoas, com renda de R$ 204.620,00, impulsionada por promoção de ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), com 10 mil bilhetes vendidos pela internet.
Troca de palco, casa cheia e clima de retorno
A partida originalmente está marcada para o Mineirão, às 16h, mas divergências com a organizadora do evento levam o clube a transferir o amistoso para o Independência, às 11h. A mudança de cenário não esfria o interesse do torcedor, que transforma o estádio em palco de reencontro após semanas de calendário parado.
Radios tradicionais de Belo Horizonte, como Itatiaia, 98FM, Fã FM e Central da Toca, além da Samuca TV no YouTube, transmitem o jogo ao vivo. O ge acompanha em tempo real, reforçando o caráter de evento da manhã de sábado em meio às atenções divididas com a fase final do Mundial.
Em campo, o Cruzeiro inicia com uma formação mesclada. Otávio; William, João Marcelo, Villalba e Gabriel Rojas; Matheus Henrique, Gerson e Matheus Pereira; Rayan Lelis, Sinisterra e Kaio Jorge formam o primeiro desenho testado por Artur Jorge.
Cruzeiro domina, mas só marca em falha uruguaia
O time celeste começa acelerado. Com triangulações pelo lado esquerdo, envolvendo Rojas, Sinisterra e Gerson, prende o Defensor no campo de defesa e acumula escanteios e cruzamentos. Falta, porém, ajuste na finalização.
Sinisterra quase abre o placar em cruzamento que desvia no zagueiro e bate no travessão aos dois minutos. A resposta uruguaia surge apenas aos 20, em chute fraco de Montenegro, defendido sem sustos por Otávio.
O gol sai aos 40 minutos do primeiro tempo, em erro de atenção da defesa do Defensor. Em cobrança de lateral, Kaio Jorge recebe na entrada da área, gira, invade e finaliza cruzado no canto esquerdo, sem chance para Dawson. O 1 a 0 premia a superioridade mineira antes do intervalo.
Rodagem total e estreia decisiva de Felipe Morais
Como combinado para a intertemporada, o segundo tempo vira espaço de testes. Artur Jorge mexe em quase toda a equipe. Apenas Otávio e Rayan Lelis retornam do intervalo, enquanto entram Fagner, Jonathan Jesus, Fabrício Bruno, Kauã Moraes, Lucas Romero, Lucas Silva, Bruno Rodrigues, Marquinhos, Felipe Morais e Néiser Villarreal ao longo da etapa final.
O Defensor tenta aproveitar o novo cenário e assusta logo no início. Wunsch finaliza no canto direito, e Otávio salta para espalmar. O goleiro, que vive boa fase desde o primeiro semestre, deixa o campo emocionado depois. “Dia mais feliz da minha vida”, afirma, ao comentar a atuação e o reencontro com a torcida.
O amistoso, apesar da etiqueta de jogo-treino, ganha tensão aos 25 minutos. Lucas Silva e Frugone se desentendem na lateral do campo, trocam empurrões e são rapidamente contidos pelo árbitro André Luiz Skettino e pelos assistentes Guilherme Camilo e Fernanda Nandrea. Ambos levam cartão amarelo, e a confusão não passa disso.
No ataque, Néiser desperdiça três boas chances, parando em Dawson e na trave. Marquinhos quase surpreende em cruzamento fechado pela direita. O domínio territorial permanece azul, mas o placar insiste em ficar magro.
Aos 45 minutos do segundo tempo, a manhã ganha novo protagonista. Felipe Morais, de 17 anos, estreante no time principal, recebe fora da área, ajeita e acerta chute forte, rasteiro, no canto. O gol define o 2 a 0 e rende aplausos longos do Independência. “Ficha não caiu”, admite o garoto, ainda atordoado pela estreia com gol.
Comissão técnica ganha opções para Série A
O amistoso atende ao principal objetivo do Cruzeiro no período sem jogos oficiais: rodar o elenco e observar alternativas. “Artur Jorge leva de positivo a chance rara que teve de girar o elenco, fazer muitos testes para a sequência da temporada e dar ritmo aos jogadores”, resume o próprio treinador após a partida, ao avaliar o balanço do dia.
A boa atuação de Gabriel Rojas na lateral esquerda, com apoio constante e segurança defensiva, reforça a disputa por posição. O setor ofensivo ganha nova peça com a entrada de Felipe Morais no radar. A comissão técnica enxerga no jovem uma alternativa para mudar jogos no segundo tempo, com mobilidade e chute de média distância.
O desempenho controlado na defesa, sem sofrer gols nem chances claras, dá tranquilidade, mas também expõe cuidados. A queda de concentração em alguns momentos e a dificuldade para transformar volume de jogo em gols aparecem como pontos de atenção para a volta da Série A.
No lado uruguaio, a derrota por 2 a 0 não deixa clima de terra arrasada. O Defensor, dirigido por Maurício Larriera, enfrenta um adversário mais intenso fisicamente e leva do Brasil um diagnóstico útil para suas disputas locais e continentais, sobretudo quanto à recomposição defensiva, falha no lance do primeiro gol.
Próximos testes e a volta do calendário pesado
O clube projeta o amistoso contra o Grêmio, no dia 12 de julho, no Mané Garrincha, em Brasília, como último ajuste antes da retomada oficial. A ideia é repetir a lógica deste sábado: minutos para quem precisa ganhar ritmo, observação de garotos e ensaio de variações táticas.
O reencontro com jogos valendo pontos acontece em 22 de julho, diante do Internacional, no Beira-Rio. Lá, cada escolha feita na intertemporada será medida sob pressão real, com impacto direto na classificação do Brasileiro.
Para a torcida, a manhã no Independência oferece algo além da vitória: a sensação de que o time volta de cabeça ligada, com elenco mais encorpado e jovens se apresentando como solução caseira. A partir de agora, o desafio será transformar o ensaio bem-sucedido em atuação consistente quando o apito inicial for para valer.