Santos vence União São João e volta a brilhar no Pacaembu

Santos mantém invencibilidade no Pacaembu e reforça confiança para o Brasileirão após vitória convincente.
Redação NC News
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O Santos venceu o União São João por 3 a 0, na manhã deste sábado (4), em amistoso no Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, às 11h. A partida marca o reencontro dos clubes após 21 anos e o retorno do Peixe ao estádio símbolo de títulos continentais.

Tabu preservado e recado para o Brasileirão

O resultado mantém um dos números mais curiosos do futebol paulista recente. “O Santos busca manter um tabu de nunca ter sido derrotado pelo União São João”, registra o ge antes do jogo. Agora são 21 confrontos sem revés, com 9 vitórias e 12 empates, 40 gols marcados e 19 sofridos pelos santistas.

Em campo, o amistoso vale mais do que o placar. Em plena intertemporada, com o futebol brasileiro parado há mais de um mês, o clube usa o duelo para medir o elenco antes da retomada do Campeonato Brasileiro, em 16 de julho, contra o Botafogo, no estádio Nilton Santos. A atuação no Pacaembu alimenta a confiança de torcedores e comissão técnica.

O reencontro com o União São João, que disputa a Copa Paulista e tenta se reconstruir após anos de inatividade, também escancara o fosso entre quem briga por calendário nacional e quem ainda luta para se manter no profissional.

Volta ao Pacaembu e memória afetiva

A manhã no Pacaembu tem peso sentimental para o torcedor santista. A última partida do clube no estádio ocorre em 2020, num empate sem gols com o Palmeiras pelo Campeonato Paulista. Desde então, o Peixe concentra quase toda a sua rotina na Vila Belmiro e em arenas modernas pelo país.

O retorno ao gramado que viu o tricampeonato da Libertadores reaquece lembranças de gerações distintas e oferece um teste simbólico para a diretoria. “O amistoso marcou o retorno do Peixe ao estádio que foi palco do tricampeonato da Libertadores da América”, lembra o UOL. Com 10.054 pessoas presentes e renda de R$ 202.970,00, o jogo indica o potencial de novas ações comerciais na capital.

O clube já discute internamente como usar o Pacaembu em ocasiões específicas, seja por demanda de público, seja pelo apelo histórico. A atmosfera deste sábado oferece um argumento forte a quem defende esse movimento.

Primeiro tempo travado, virada com 11 trocas

Cuca escala um time misto, com Gabriel Brazão no gol, linha de defesa formada por Gabriel Menino, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar, e meio com João Schmidt, Gustavo Henrique e Rollheiser. No ataque, Miguelito, Rony e Barreal tentam furar a defesa do União São João, que chega ao Pacaembu em ritmo de preparação para a Copa Paulista.

O primeiro susto é da equipe de Araras. No minuto inicial, Joãozinho invade a área, mas para em Gabriel Brazão, que salva com saída rápida nos pés do atacante. O lance dá o tom de um início em que o União São João controla a bola, enquanto o Santos alterna, sem sucesso, ataques pelos dois lados.

Com o passar do tempo, o Peixe se ajusta e passa a incomodar mais. Miguelito arrisca chute cruzado, João Souto responde com boa defesa. Em cobrança de escanteio, João Schmidt cabeceia firme e obriga o goleiro a outra intervenção. A melhor chance santista surge aos 37 minutos, quando Escobar pega rebote na entrada da área e acerta o pé da trave.

A equipe alvinegra cria mais, mas não transforma volume em gol. A análise do UOL resume o problema: “O Santos iniciou o jogo com um time misto e só abriu o placar após 11 substituições feitas pelo técnico Cuca no segundo tempo”.

No intervalo, o treinador muda tudo. São 11 substituições de uma vez. Entram Gabigol, Juninho (que abandona o nome de Robinho Jr), Moisés, João Ananias e uma leva de Meninos da Vila. O time volta mais leve, adiantado e agressivo.

Moisés abre, Juninho decide e tabu ganha novo capítulo

Logo na primeira subida ao ataque, Moisés, que substitui Miguelito, recebe pela esquerda, parte para cima do marcador, corta para dentro e finaliza cruzado. A bola entra rasteira, na bochecha da rede. O gol destrava o jogo e muda a relação de forças em campo.

Com o União São João acuado, o Santos passa a dominar as ações. O adversário, que tenta usar o amistoso como vitrine para a Copa Paulista e para sua retomada no cenário estadual após o retorno em 2022, mal passa do meio-campo. Diógenes e depois João Pedro, goleiros que entram na rotação santista, viram espectadores privilegiados.

Aos 36 minutos, o segundo gol sai em jogada ensaiada. Juninho cobra escanteio da esquerda, João Ananias ganha da marcação pelo alto e testa para o fundo da rede. Três minutos depois, o meia, hoje identificado apenas como Juninho, vive sua tarde particular.

O camisa 7 arrisca jogada individual, invade a área e sofre pênalti. Na sequência, pega a bola e assume a responsabilidade. Converte com categoria, deslocando João Souto, e anota seu primeiro gol como profissional. “Com o primeiro gol de Juninho (que desistiu de ser chamado de Robinho Jr) como profissional, o Santos venceu o União São João, na manhã deste sábado (4), por 3 a 0”, destaca o UOL.

O placar confirma a superioridade histórica santista. Em 2004, na Vila Belmiro, o confronto rende uma goleada por 8 a 3. No ano seguinte, pelo Paulistão de pontos corridos, o empate por 2 a 2 em Araras, com dois gols de falta de Juliano, marca o último jogo oficial entre os clubes antes da longa pausa de 21 anos.

Quem ganha com o amistoso — e o que vem pela frente

Para o Santos, a manhã no Pacaembu é um exercício de gestão de elenco e de marca. Em campo, Cuca avalia comportamentos táticos, observa a resposta de jogadores que brigam por espaço e anota alternativas para o duelo com o Botafogo, em 16 de julho, pela 19ª rodada do Brasileiro. “O Santos volta a se concentrar na sua intertemporada, no CT Rei Pelé, visando o confronto contra o Botafogo, no próximo dia 16, no estádio Nilton Santos”, reforça o UOL.

Setores de marketing e gestão esportiva também saem com saldo positivo. O público pago superior a 10 mil pessoas num amistoso em manhã de sábado, somado à renda de R$ 202.970,00, reforça a percepção de que a marca Santos ainda mobiliza além da Baixada. A boa organização, a arbitragem discreta de Guilherme Francisco Maciel da Silva e a ausência de incidentes ajudam a compor a imagem profissional do evento.

O União São João, por sua vez, expõe suas atuais limitações, mas ganha visibilidade em um palco que raramente frequenta. O amistoso lembra o torcedor de Araras da história do clube, rebaixado no Paulistão de 2005, empurrado a divisões inferiores e forçado a encerrar as atividades em 2015 antes de voltar em 2022. A participação frente a um gigante do estado pode atrair olhares e apoios pontuais para o projeto na Copa Paulista.

O reencontro entre realidades tão distintas deixa uma pergunta para o futebol paulista. Em um calendário apertado e desigual, haverá espaço para mais jogos como este, capazes de misturar nostalgia, negócio e oportunidade esportiva para clubes de perfis tão diferentes?

 

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