O narrador esportivo Luís Roberto revela neste domingo (5), ao vivo no Domingão com Huck, que trata desde abril de 2026 uma neoplasia cervical, um tumor na região do pescoço. Ele conta que passou por 43 sessões de tratamento e que a doença o tira da cobertura do Mundial de Seleções de 2026 na TV Globo.
Do exame de rotina ao afastamento do Mundial
Luís Roberto descobre o tumor em exames de rotina, no início de abril, a dois meses do início do principal torneio de seleções do planeta. O diagnóstico precoce permite uma reação rápida, mas impõe uma decisão dura ao principal narrador da emissora.
Ele avisa à Globo que não terá condições físicas de comandar as transmissões do Mundial e se afasta das jornadas de futebol. O substituto escolhido é Everaldo Marques, que assume os jogos da seleção brasileira e parte das principais partidas do torneio.
No Domingão, o narrador resume o choque do diagnóstico e a virada de chave necessária: “Você ter que saber que não dá, você tem que priorizar saúde, continuar vivo (…) É importante que todos estejam preparados para estar forte, porque a saúde mental conta”.
Ao falar da ausência no torneio, ele sintetiza a mudança de escala de valores: “A Copa agora é estar vivo”, afirma, num depoimento que mistura alívio, emoção e sentido de dever cumprido com o próprio corpo.
Tratamento pesado e foco na saúde mental
O tratamento descrito por Luís Roberto é intenso. Ele conta ter passado por 43 sessões ao longo de cerca de dois meses: 36 de radioterapia e 7 de quimioterapia. “É um tratamento pesado”, define, sem rodeios.
A neoplasia cervical, termo médico que designa tumores benignos ou malignos na região do pescoço, pode atingir estruturas como boca, faringe, laringe e tireoide. No caso do narrador, o detalhamento sobre gravidade ou estadiamento não é divulgado, mas o diagnóstico em exame de rotina indica detecção precoce, fator apontado por especialistas como decisivo para bons resultados em tratamentos oncológicos.
No palco do Domingão, ele insiste em um ponto: o equilíbrio emocional durante o processo. “Cada um de nós pode passar por um momento desses. Em um exame de rotina, descobrir que você tem um câncer e tem que correr para fazer um tratamento, que é pesado”, afirma. Em seguida, retoma a ideia de preparo psicológico: “É importante que todos estejam preparados para estar forte, porque a saúde mental conta”.
Ao falar sobre o avanço da recuperação, Luís Roberto demonstra confiança: “Estou a caminho da cura”, diz, ressaltando a qualidade da medicina brasileira e o trabalho das equipes que o acompanham.
“A gratidão me move”: apoio da Globo, do público e da família
No estúdio da Globo, minutos antes de Brasil x Noruega pelas oitavas de final do Mundial, o clima é de jogo grande e de acolhimento. Luciano Huck abraça o colega, destaca a coragem do depoimento e o convida a permanecer na atração durante o pré-jogo. “Eu vou precisar de você ao longo do programa hoje. Qualquer esporte eu preciso do seu comentário. A hora que sair a escalação eu preciso que você me ajude”, diz o apresentador, ao acomodá-lo ao lado de Dona Dea, Paulo Vieira, Rafael Portugal e Lívia Andrade.
O jornalista Pedro Bassan apresenta uma reportagem retrospectiva da carreira de Luís Roberto, dos tempos de rádio em São Paulo à chegada à Globo em 1998. O vídeo lembra a transição após a saída de Galvão Bueno, quando ele assume o posto de principal narrador da casa, e reforça o tamanho da mudança provocada pelo afastamento no Mundial.
Luís Roberto reage à homenagem reiterando um sentimento que, segundo ele, ganha novo peso neste momento: “Gratidão é uma palavra que, às vezes, a gente banaliza. Mas, neste momento da minha vida, em um dia tão especial, com a Seleção jogando eliminatória da Copa do Mundo, eu preciso dizer que a gratidão me move”.
Ele recorda o impacto do retorno do público desde o anúncio do afastamento. “Foi um avalanche de carinho. Uma energia. Gente que eu jamais imaginava ao meu lado. São milhões de pessoas em um movimento incrível de solidariedade que tá dá força mental”, descreve, associando o apoio à capacidade de suportar o tratamento.
Uma mensagem gravada de sua esposa leva o narrador às lágrimas. “Saímos vitoriosos dessa batalha”, diz ela, em tom de celebração cautelosa. Ele ouve em silêncio e, ao fim, responde resumindo o próprio sentimento: a vitória, por ora, é poder seguir adiante.
Direto de Nova York, o comentarista e pentacampeão mundial Denilson também envia um recado. “Um beijão pra você, cara. Que você continue com essa sua energia. Tô te esperando pra aquela nossa corridinha na academia, na esteira. Daqui a pouco você está de volta”, afirma, apostando no retorno do amigo ao ritmo de antes.
Impacto na TV e reforço da mensagem de prevenção
A ausência de Luís Roberto nas transmissões do Mundial mexe com a rotina da redação de esportes da Globo e com o hábito de parte do público. A voz que narra finais de campeonatos, jogos da seleção e grandes decisões desde o fim dos anos 1990 dá lugar a um colega ainda em processo de identificação com a audiência de massa.
O remanejamento interno, com Everaldo Marques à frente de jogos centrais, mostra a necessidade de elenco preparado para emergências, sobretudo em eventos de grande pressão e audiência. A emissora também escolhe, ao trazer o narrador ao Domingão, dar protagonismo à história de saúde do funcionário, em vez de tratá-la como assunto privado.
Ao expor o diagnóstico de uma neoplasia cervical descoberta por exames de rotina, o caso de Luís Roberto ajuda a jogar luz sobre a importância de checagens regulares, inclusive para pessoas sem sintomas aparentes. O recado, em rede nacional, reforça o valor do diagnóstico precoce e do suporte psicológico durante o tratamento de cânceres de cabeça e pescoço.
Na prática, o episódio tende a alimentar debates internos sobre políticas de apoio a profissionais em tratamento prolongado, licenças médicas e a relação entre saúde mental e ambientes de alta cobrança. Fora da emissora, a trajetória recente do narrador se encaixa em campanhas de prevenção e informação sobre tumores na região cervical, ainda pouco discutidos em comparação a outros tipos de câncer.
Retorno gradual e uma carreira marcada pela resiliência
Luís Roberto evita estipular datas exatas para retomar o ritmo integral de trabalho, mas fala em retorno gradual, à medida que o corpo responde ao tratamento. O convite de Huck para comentar o pré-jogo, ainda que fora da cabine de transmissão, funciona como uma espécie de ensaio emocional para a volta.
Aos 28 anos de Globo, o narrador se apoia na própria trajetória para projetar o futuro. Ele atravessa décadas de cobertura esportiva, da era dos grandes clássicos em rádio à fragmentação das transmissões por streaming, sem abandonar o estilo pausado e a voz inconfundível. A partir de agora, carrega também a marca pública de quem enfrenta um tumor e decide transformar a experiência em alerta coletivo.
No encerramento de seu depoimento no Domingão, ele volta ao ponto inicial da conversa. “Gratidão me move”, repete, como se quisesse fixar a ideia para além da audiência de domingo. O próximo capítulo depende da resposta definitiva ao tratamento, mas, para o narrador, o placar parcial já é claro: estar vivo e a caminho da cura vale mais que qualquer decisão no Mundial.