Flávio Bolsonaro discursa nesta terça em Washington contra tarifas e atrela sanções a Lula

Senador abre painel em audiência do USTR, defende o Pix e usa agenda nos EUA para se contrapor à política externa do governo federal a poucos dias do prazo final.
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O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realiza nesta terça-feira (7) seu pronunciamento formal em Washington, capital dos Estados Unidos, na tentativa de barrar a aplicação de sobretaxas contra produtos brasileiros. A participação do parlamentar ocorre na reta final da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), cuja decisão definitiva está programada para o próximo dia 15 de julho.

Flávio Bolsonaro terá um tempo de cinco minutos para apresentar sua sustentação oral, prevista para começar às 11h (horário de Brasília). O senador será o primeiro orador do painel 8, que também contará com as participações de Roberto Azevêdo, representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e de Letícia Sperb Masselli, pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). As entidades empresariais pretendem reforçar que o aumento tributário trará elevação de custos internos, além de retrair investimentos e postos de trabalho no Brasil.

Defesa do Pix e contra-ataque a narrativas

Diretamente de Washington, o senador rebateu as críticas de integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) que tentam desqualificar sua legitimidade no processo internacional. Flávio Bolsonaro classificou as acusações governistas como uma “narrativa mentirosa” e apontou a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como a verdadeira responsável pelo desgaste nas relações bilaterais com a gestão de Donald Trump.

Em seu roteiro de defesa do setor produtivo, o parlamentar antecipou que mesclará critérios técnicos e políticos para convencer os norte-americanos de que as tarifas prejudicam ambas as nações. Uma das principais bandeiras do discurso será a blindagem do sistema de pagamentos instantâneos nacional.

“Vou defender o PIX, que foi criado no governo do presidente Bolsonaro, e promoveu a inclusão de milhões de brasileiros no sistema bancário, principalmente os mais humildes. O PIX é sagrado para todos nós”, declarou o senador.

Segurança pública e promessa de virada em 2027

A estratégia do pré-candidato do PL consiste em isolar politicamente o atual Palácio do Planalto perante as autoridades dos EUA. Segundo a tese defendida por Flávio, o governo petista atua de forma deliberada para provocar Washington, arrastar negociações e colher dividendos políticos internos a partir de uma eventual retaliação estrangeira.

O senador foi além e associou a iminência do tarifaço a falhas graves de segurança pública e soberania no Brasil. De acordo com ele, a leniência federal no combate a facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) pesou na decisão de Washington de sancionar o país.

Como aceno ao mercado e à diplomacia americana, Flávio adiantou que usará a tribuna do USTR para projetar as eleições presidenciais. Ele pretende fixar o compromisso de que uma mudança de comando no Executivo em 2027 estabelecerá um novo marco de cooperação e diálogo técnico com a Casa Branca, eliminando a necessidade de barreiras alfandegárias. O senador ressaltou que a audiência, mediada pelo representante Jamieson Greer, é referendada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, como a via institucional legítima para o debate — canal este que, segundo ele, o governo Lula preferiu ignorar.

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