Muito antes de conquistar oito Bolas de Ouro, levantar a Copa do Mundo pela Argentina e construir uma das carreiras mais vitoriosas do futebol, Lionel Messi já chamava atenção de uma forma incomum. Aos nove anos, o garoto franzino das categorias de base do Newell’s Old Boys fazia até jogadores profissionais adiarem a volta ao hotel apenas para vê-lo jogar.
O cenário acontecia em Rosário, entre 1993 e meados da década de 1990. Enquanto disputava partidas pelas equipes infantis do clube, Messi se transformava na principal atração dos campos anexos ao Estádio Marcelo Bielsa. O talento era tão evidente que atletas do elenco principal deixavam o descanso de lado para acompanhar, da arquibancada, mais uma atuação do menino que começava a ganhar fama dentro do próprio clube.
Como Messi virou atração antes mesmo de ser profissional
Quem viveu aquele período foi Matias Fondato, então jogador do elenco principal do Newell’s. Segundo ele, praticamente todos os profissionais comentavam sobre um garoto “mágico” que parecia fazer coisas impossíveis para alguém daquela idade.
“Todo mundo falava desse pequeno mágico, que parecia destruir os times.” Fondato lembra que, depois dos treinamentos, havia poucos minutos antes da saída do ônibus da equipe. Em vez de seguir diretamente para o hotel, muitos jogadores preferiam ocupar a arquibancada para assistir às partidas das categorias de base.
“Era simplesmente absurdo vê-lo jogar. Na verdade, é a mesma coisa que hoje, mas quando ele tinha uns nove anos.” O comportamento chamava atenção porque o Newell’s sempre foi reconhecido por revelar grandes talentos. Mesmo assim, havia a sensação de que Messi era diferente dos demais.
A “Máquina de 87” que quase ninguém conseguia vencer
Messi fazia parte da equipe conhecida como “Máquina de 87”, formada por atletas nascidos naquele ano. O apelido não surgiu por acaso.
Com o pequeno camisa 10 comandando o ataque, o time permaneceu cerca de três anos sem sofrer derrotas, um domínio raro até mesmo para as categorias de base.
Naquele período, Messi não era apenas o principal goleador. Também organizava o jogo, criava oportunidades e ditava o ritmo das partidas, assumindo responsabilidades normalmente atribuídas a jogadores muito mais experientes.
O detalhe que mais impressionava quem via Messi de perto
À primeira vista, o que chamava atenção era justamente aquilo que parecia ser uma desvantagem.
Messi era muito menor que os adversários. Camisa larga, pernas curtas e um físico que pouco lembrava o de um futuro craque mundial. Mas bastava a bola rolar para essa impressão desaparecer.
Segundo Fondato, a diferença estava muito além dos dribles.
“Ele era muito, muito pequeno, mas parecia ter uma mente de adulto jogando contra crianças daquela idade.” A leitura de jogo, a velocidade de raciocínio e a capacidade de tomar decisões certas faziam o menino parecer vários anos mais velho dentro de campo.
Arquibancadas já gritavam o nome de Messi
As apresentações do garoto rapidamente começaram a atrair público. Antes mesmo das partidas, Messi costumava fazer embaixadinhas para divertir quem chegava ao estádio.
Cada sequência de malabarismos era acompanhada por aplausos e gritos vindos das arquibancadas. Naquele mesmo período, Diego Maradona vivia sua passagem pelo Newell’s, aumentando ainda mais a atmosfera de expectativa dentro do clube.
As comparações entre os dois surgiam cedo demais, mas revelavam o tamanho da impressão causada pelo jovem talento.
Por que Messi nunca jogou pelo time principal do Newell’s?
Apesar do enorme destaque na base, Messi nunca chegou a estrear oficialmente pela equipe profissional. A trajetória mudou quando, ainda na pré-adolescência, recebeu a oportunidade de seguir para a La Masia, tradicional centro de formação do Barcelona.
Foi na Espanha que o argentino iniciou a caminhada que o transformaria em um dos maiores jogadores da história do futebol.
A resposta que veio quase 30 anos depois
Décadas depois daquele menino observado das arquibancadas, Messi conquistou praticamente todos os títulos possíveis. Vieram oito Bolas de Ouro, dezenas de troféus pelo Barcelona e, finalmente, a Copa do Mundo de 2022 com a Argentina.
O título encerrou um debate que acompanhou o craque durante muitos anos. Segundo Fondato, nunca houve dúvida de que Messi conseguiria liderar sua seleção até o principal troféu do futebol.
“Na Argentina diziam que ele nunca ganharia uma Copa. Para mim, isso nunca esteve em dúvida.”
O legado deixado ainda nas categorias de base
A passagem de Messi pelo Newell’s também mudou a forma como muitos clubes enxergam jovens jogadores. Sua história mostrou que talento, inteligência e leitura de jogo podem ser mais importantes do que força física durante a formação.
Até hoje, treinadores utilizam o caso do argentino como exemplo para evitar que promessas sejam descartadas apenas pelo porte físico. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que repetir a trajetória de Messi é praticamente impossível, já que poucos atletas conseguem reunir tamanho talento e longevidade em alto nível.
Um quadro fechou um ciclo entre os dois
Anos depois, Matias Fondato deixou o futebol e se tornou artista plástico. Foi justamente por meio da pintura que voltou a encontrar o garoto que observava das arquibancadas.
Antes da Copa do Mundo de 2018, ele entregou pessoalmente um retrato feito por ele ao craque argentino. “Ele tem um quadro meu. Viajei para entregar a obra pessoalmente e visitar toda a seleção antes da Copa de 2018.” O reencontro simbolizou um ciclo completo: o jogador profissional que um dia parou o treino para assistir ao menino viu aquele garoto se transformar em uma das maiores lendas da história do esporte.
Entenda o contexto
Lionel Messi iniciou sua trajetória nas categorias de base do Newell’s Old Boys, em Rosário, antes de se transferir para o Barcelona ainda na adolescência. Mesmo sem atuar pela equipe principal do clube argentino, o desempenho nas categorias infantis já chamava atenção de atletas, dirigentes e torcedores. Décadas depois, o argentino conquistou todos os principais títulos da carreira, incluindo a Copa do Mundo de 2022, consolidando um legado que começou muito antes da fama internacional.