“‘Comeria no lucro’, ‘bêbada vai’: lista criada por alunos em colégio do Rio vira caso de polícia

Plataforma on-line teria sido usada por alunos para criar uma lista com categorias ofensivas envolvendo colegas de escola. Caso é investigado pela Polícia Civil, e instituição afirma que presta apoio às vítimas e às famílias.
Redação NC News
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Uma lista criada por estudantes de um tradicional colégio particular de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, virou alvo de investigação da Polícia Civil após expor alunas em categorias de conotação sexual consideradas ofensivas e humilhantes.

O material circulou em uma plataforma digital conhecida por permitir a criação de rankings personalizados e provocou forte repercussão entre estudantes, pais e responsáveis. A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) apura o caso, enquanto a escola informou que registrou boletim de ocorrência, denunciou o conteúdo à plataforma e oferece apoio psicológico e institucional às vítimas.

O que aconteceu?
Segundo as investigações, um grupo de alunos criou uma lista virtual classificando colegas do sexo feminino em categorias de caráter sexual e depreciativo.

Entre as expressões utilizadas estavam termos que faziam julgamentos sobre aparência, interesse sexual e supostos relacionamentos das estudantes.

As categorias incluíam frases como: “GOAT” (expressão em inglês usada para “melhor de todos os tempos”); “Comeria no lucro”; “Bêbado vai”; “Me arrependi depois”; “Nem olharia”.

As imagens da lista passaram a circular entre alunos da instituição antes de chegarem às famílias e à direção da escola.

Como o caso foi descoberto?

Após o compartilhamento da lista entre estudantes, familiares procuraram a direção do colégio denunciando a exposição das adolescentes. A instituição comunicou imediatamente o caso às autoridades e solicitou que a plataforma retirasse o conteúdo do ar.

A remoção ocorreu após a denúncia. Paralelamente, a Polícia Civil iniciou a investigação para identificar todos os responsáveis pela criação e divulgação da lista.

Quem são os envolvidos?

Os investigados são estudantes menores de idade matriculados no próprio colégio. Por essa razão, a legislação brasileira prevê a apuração por atos infracionais análogos a crimes previstos no Código Penal. Até o momento, os adolescentes poderão responder por atos equivalentes a: injúria; difamação; submissão de adolescente a vexame ou constrangimento.

A Polícia Civil informa que novas infrações poderão ser incluídas conforme o avanço das investigações e da análise do conteúdo compartilhado. Por envolver menores de idade, as identidades dos estudantes são preservadas.

O que diz a investigação?
A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima conduz a apuração para entender: quem criou a lista; quem participou da elaboração; quem compartilhou o conteúdo; qual foi o alcance da divulgação; se outras estudantes também foram vítimas.

Os investigadores também analisam eventuais registros digitais e conversas relacionadas ao caso. O objetivo é identificar a responsabilidade individual de cada participante.

O que diz o colégio?

Em nota, o Colégio Cruzeiro informou que repudia qualquer atitude que exponha ou constranja seus estudantes. Segundo a instituição, foram adotadas medidas imediatas: registro de boletim de ocorrência; denúncia à plataforma responsável pela hospedagem da lista; retirada do conteúdo da internet; comunicação aos responsáveis pelos alunos;
acolhimento às estudantes atingidas e suas famílias.

A escola destacou ainda que sua missão inclui a formação ética dos estudantes e afirmou manter compromisso com um ambiente escolar seguro e respeitoso.

Por que o caso chama atenção?

Especialistas em educação e proteção à infância alertam que episódios envolvendo exposição pública de adolescentes em ambientes digitais podem provocar consequências emocionais profundas. Situações desse tipo podem resultar em: constrangimento coletivo; humilhação pública; danos à autoestima; isolamento social; ansiedade; depressão; episódios de cyberbullying.

Mesmo quando o conteúdo é removido rapidamente, imagens e capturas de tela podem continuar circulando em grupos de mensagens e redes sociais.

O que diz a legislação?

No Brasil, adolescentes também respondem por atos infracionais quando praticam condutas previstas como crime na legislação penal.

Embora não haja aplicação de penas destinadas a adultos, podem ser adotadas medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), dependendo da gravidade do caso e da decisão da Justiça.

Além da responsabilização dos envolvidos, casos de violência digital em ambiente escolar costumam mobilizar ações pedagógicas, acompanhamento psicológico e programas de conscientização sobre respeito, convivência e uso responsável das redes sociais.

O que acontece agora?

A investigação segue em andamento. A Polícia Civil continuará ouvindo estudantes, familiares e representantes da escola para esclarecer todas as circunstâncias do episódio.

Caso sejam identificados novos participantes ou novas vítimas, o inquérito poderá ser ampliado. Também não está descartada a inclusão de outros atos infracionais caso surjam novas evidências durante a apuração.

Entenda o contexto

Casos de exposição de estudantes em plataformas digitais têm se tornado um desafio crescente para escolas e autoridades brasileiras.

Com a popularização das redes sociais e de ferramentas que permitem a criação de listas, rankings e montagens, episódios de cyberbullying passaram a ganhar maior alcance e velocidade de disseminação.

Além dos impactos emocionais sobre as vítimas, esse tipo de ocorrência costuma gerar investigações policiais, mobilizar famílias e reforçar o debate sobre educação digital, responsabilidade no ambiente virtual e combate à violência entre adolescentes.

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