Os bombeiros de São Paulo encerraram nesta sexta-feira (10) a missão humanitária na Venezuela após cerca de 15 dias de atuação nas áreas devastadas pelos fortes terremotos que atingiram o país no fim de junho. Durante as operações, as equipes localizaram e retiraram dos escombros 23 vítimas que morreram em decorrência da tragédia.
O retorno da força-tarefa ao Brasil marca o fim de uma das maiores missões internacionais recentes da corporação paulista. Ao longo da operação, os profissionais participaram de aproximadamente 90 intervenções em estruturas destruídas pelos tremores, utilizando equipamentos especializados, cães farejadores e técnicas internacionais de resgate.
Como foi a atuação dos bombeiros brasileiros
Segundo o Corpo de Bombeiros de São Paulo, duas equipes foram enviadas para reforçar as operações de busca na Venezuela.
A primeira embarcou em 26 de junho com 11 bombeiros militares, dois médicos, um representante da Defesa Civil, duas cadelas de busca e cerca de cinco toneladas de equipamentos especializados.
Dois dias depois, uma segunda equipe seguiu para o país com mais 16 bombeiros, um integrante da Defesa Civil e aproximadamente quatro toneladas de materiais para apoio às operações.
Durante toda a missão, os profissionais trabalharam em estruturas completamente colapsadas, seguindo protocolos internacionais utilizados em grandes desastres naturais.
Segundo a corporação, os trabalhos empregaram equipamentos de alta tecnologia e cães treinados para localizar vítimas sob os escombros.
Retorno ao Brasil já começou
Com o encerramento da missão, um avião da Força Aérea Brasileira foi deslocado para Caracas para transportar os equipamentos utilizados durante a operação.
A aeronave deve decolar entre o meio-dia e o início da tarde desta sexta-feira, com escala em Brasília. Depois disso, a equipe paulista seguirá viagem e tem chegada prevista ao Aeroporto Internacional de Guarulhos por volta das 20h.
Terremotos deixaram milhares de mortos
Os terremotos que atingiram a Venezuela ocorreram em 23 de junho e provocaram uma das maiores tragédias recentes do país.
Segundo as autoridades venezuelanas, o número de mortos chegou a 3.889 pessoas.
Além das vítimas fatais, cerca de 16 mil pessoas ficaram feridas.
Ainda não existe um balanço oficial sobre o número de desaparecidos, mas estimativas preliminares apontam que até 40 mil pessoas seguem sem paradeiro conhecido.
Entre as vítimas confirmadas estão dois brasileiros.
Como foram os tremores
O epicentro dos terremotos foi registrado no estado de Yaracuy.
O primeiro abalo sísmico teve magnitude de 7,2.
Poucos segundos depois, um segundo terremoto, ainda mais forte, atingiu a mesma região, com magnitude de 7,5, ampliando os danos em diversas cidades e dificultando os trabalhos de resgate.
Especialistas destacam importância da cooperação internacional
A participação dos bombeiros brasileiros reforçou a cooperação entre países em grandes desastres naturais.
Além das buscas por vítimas, as equipes auxiliaram na avaliação de estruturas comprometidas e deram suporte às operações coordenadas pelas autoridades venezuelanas.
Missões desse tipo seguem padrões internacionais e permitem ampliar a capacidade de resposta nas primeiras semanas após tragédias de grande proporção.
Entenda o contexto
Os fortes terremotos atingiram a Venezuela em 23 de junho, provocando destruição em diversas cidades do estado de Yaracuy. Diante da gravidade da situação, o Brasil enviou equipes especializadas do Corpo de Bombeiros de São Paulo e da Defesa Civil para reforçar as operações internacionais de busca e resgate. Após cerca de duas semanas de trabalho, a missão foi concluída e os profissionais iniciaram o retorno ao país. A tragédia deixou quase 3,9 mil mortos, milhares de feridos e um número ainda indefinido de desaparecidos.