PF faz operação contra ex-sócio de Leo Dias e aponta atuação em esquema para intimidar jornalistas e influenciadores

Publicitário é alvo da décima fase da Operação Compliance Zero após investigação apontar suposta intermediação de campanhas em defesa do Banco Master e ações contra autoridades; defesa dos investigados ainda poderá se manifestar ao longo do processo.
Redação NC News
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A Polícia Federal cumpriu, na manhã da última quinta-feira (9), um mandado de busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do jornalista Leo Dias. A medida faz parte da décima fase da Operação Compliance Zero, que investiga a atuação de um suposto grupo criminoso acusado de tentar influenciar a opinião pública, intimidar jornalistas e monitorar ilegalmente pessoas ligadas a autoridades públicas.

Segundo a investigação, Miranda teria atuado como intermediário entre o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e influenciadores digitais contratados para defender interesses da instituição financeira após a liquidação de um de seus bancos. A apuração também aponta suspeitas de ações direcionadas contra integrantes do Banco Central e profissionais da imprensa.

O que motivou a nova fase da operação?

De acordo com a Polícia Federal, a nova etapa da Operação Compliance Zero busca aprofundar a investigação sobre uma suposta estrutura utilizada para proteger interesses do núcleo dirigente do Banco Master.

Os investigadores afirmam que o grupo teria recorrido a campanhas de influência digital, produção de conteúdo favorável nas redes sociais e ações voltadas à intimidação de jornalistas que publicavam reportagens críticas sobre a instituição.

A investigação também aponta que o objetivo seria criar um ambiente de pressão pública para tentar reverter decisões relacionadas à liquidação do banco, incluindo uma tentativa de influenciar o debate em torno de processos analisados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

O que Thiago Miranda disse à Polícia Federal?

Em depoimento, Thiago Miranda confirmou que participou da contratação de influenciadores para produzir conteúdos relacionados ao Banco Master.

No entanto, segundo o próprio publicitário, não houve determinação para atacar integrantes do Banco Central ou promover campanhas de intimidação contra autoridades e jornalistas.

Essa versão, porém, é contestada pelos investigadores.

Segundo a Polícia Federal, foram reunidos indícios de que as ações ultrapassariam a simples contratação de influenciadores e fariam parte de uma estratégia mais ampla para pressionar adversários, atacar críticos e proteger interesses do grupo investigado.

O que a decisão do STF aponta?

Na decisão que autorizou a operação, o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, cita elementos reunidos pela investigação indicando que Thiago Miranda teria desempenhado papel relevante na suposta estrutura.

Segundo o despacho, há indícios de que ele teria participado de ações destinadas a:

  • contratar influenciadores digitais;
  • intimidar jornalistas;
  • levantar informações pessoais e patrimoniais de pessoas consideradas adversárias;
    monitorar indivíduos ligados a autoridades públicas;
  • auxiliar na proteção dos interesses do grupo investigado.

A decisão destaca que essas condutas, caso sejam comprovadas ao longo da investigação, poderiam representar uma atuação coordenada para manipular a opinião pública e interferir no andamento das apurações.

Jornalistas também teriam sido monitorados

Um dos pontos que mais chamou atenção da investigação envolve a atuação contra profissionais da imprensa.

Segundo a Polícia Federal, conversas analisadas mostram pedidos para levantamento de informações pessoais, profissionais e patrimoniais de uma jornalista que publicava reportagens críticas ao Banco Master.

Os investigadores afirmam ainda que houve tentativas de obter informações bancárias protegidas por sigilo, hipótese que também integra a investigação.

Até o momento, não há condenação relacionada aos fatos investigados.

O que acontece agora?

Com o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a Polícia Federal deve analisar os materiais recolhidos durante a operação para verificar se há novos elementos que reforcem ou afastem as suspeitas.

A investigação continua em andamento e poderá resultar em novos desdobramentos.

Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório durante todo o processo.

Entenda o contexto

A Operação Compliance Zero investiga uma suposta organização criminosa que, segundo a Polícia Federal, teria utilizado diferentes estratégias para proteger interesses privados, monitorar pessoas consideradas adversárias e influenciar a opinião pública.

Nesta décima fase, os investigadores concentraram as diligências sobre Thiago Miranda, apontado como possível elo entre o controlador do Banco Master e campanhas conduzidas por influenciadores digitais.

As suspeitas incluem contratação de influenciadores, monitoramento de jornalistas, coleta de informações sigilosas e ações para pressionar autoridades. A investigação permanece em curso, e os fatos ainda serão analisados pela Justiça. Não há condenação definitiva relacionada às suspeitas descritas.

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