A China intensificou nesta sexta-feira (10), a operação de emergência para enfrentar a chegada do tufão Bavi, que deve atingir a costa leste do país entre a noite de sábado (11) e a madrugada de domingo (12). O governo elevou o nível de alerta, ordenou evacuações em massa e suspendeu diversas atividades nas províncias mais ameaçadas pela passagem do ciclone.
Entre as medidas mais drásticas está a retirada completa da população da cidade costeira de Xiaguan, na província de Zhejiang. Todos os 11.614 moradores deverão deixar a região antes da chegada do fenômeno, considerado um dos mais intensos da temporada de tufões na Ásia.
O que está acontecendo?
O tufão Bavi avança pelo Mar da China Oriental em direção ao litoral localizado entre as províncias de Zhejiang e Fujian, onde deve tocar o continente nas próximas horas.
Segundo as previsões meteorológicas, o sistema poderá atingir a costa com ventos sustentados entre 134 km/h e 166 km/h, além de rajadas ainda mais intensas em algumas regiões.
Antes de chegar ao continente chinês, o fenômeno deve passar próximo ao norte de Taiwan, onde também são esperadas tempestades severas e ventos próximos de recordes históricos para esta época do ano.
As autoridades alertam ainda para chuvas torrenciais capazes de provocar enchentes, deslizamentos de terra, alagamentos urbanos e interrupções em serviços essenciais.
Por que o alerta foi elevado?
Diante da aproximação do ciclone, o Comando Nacional de Controle de Enchentes e Combate à Seca aumentou o nível da resposta de emergência do grau IV para o grau III, indicando que o risco para a população cresceu significativamente.
O plano nacional envolve: evacuação preventiva de moradores; fechamento de áreas consideradas vulneráveis; paralisação de obras; suspensão de linhas marítimas;
retirada de embarcações do mar; monitoramento permanente das áreas costeiras.
O objetivo é reduzir ao máximo o número de vítimas caso o tufão atinja a região com a intensidade prevista.
Cidade inteira será evacuada
A medida mais impactante foi adotada em Xiaguan, localizada no condado de Cangnan, uma das áreas apontadas como provável ponto de chegada do tufão.
As autoridades determinaram que todos os 11.614 moradores deixem suas casas antes do início da tempestade. Além da evacuação da cidade, mais de 6 mil pessoas já haviam sido retiradas preventivamente em outras áreas de Zhejiang.
Para diminuir o risco de enchentes, reservatórios tiveram comportas abertas para reduzir o nível da água antes da chegada das chuvas intensas.
Portos, balsas e obras foram suspensos
Diversas atividades econômicas também foram interrompidas. Entre as medidas anunciadas estão: suspensão das balsas de passageiros; paralisação de obras em áreas sujeitas a alagamentos; inspeções em embarcações pesqueiras; retirada de trabalhadores de plataformas e construções; fechamento de estruturas marítimas.
Na cidade de Taizhou, milhares de pessoas deixaram ilhas da região, enquanto no arquipélago de Shengsi mais de 9 mil turistas foram retirados antes da suspensão total do transporte marítimo.
Navegação no rio Yangtzé foi interrompida
Na província vizinha de Jiangsu, o impacto também já provocou mudanças importantes.
O tráfego de embarcações em trechos do rio Yangtzé foi interrompido, trabalhadores foram retirados de obras sobre a água e centenas de embarcações buscaram abrigo.
Uma das construções afetadas é a ponte Zhangjinggao, projetada para possuir o maior vão suspenso do mundo. Mais de 600 operários foram retirados preventivamente do canteiro de obras.
Xangai também entra em alerta
Mesmo sem previsão de impacto direto do centro do tufão, Xangai deverá enfrentar ventos fortes entre sábado e segunda-feira.
As rajadas podem ultrapassar 130 km/h em áreas portuárias e na orla marítima.
Além dos ventos, há previsão de chuva intensa em curto período, aumentando o risco de alagamentos.
Parques públicos, eventos e diversas atividades ao ar livre foram cancelados ou adiados como medida preventiva.
O que torna o Bavi tão perigoso?
Meteorologistas acompanham o Bavi desde sua formação porque ele permaneceu por mais de cinco dias na categoria máxima de supertufão.
Embora tenha perdido parte da intensidade nas últimas horas, o sistema continua extremamente perigoso.
Especialistas explicam que o formato do olho do tufão é um dos principais indicadores de força. Quanto menor e mais circular essa área central de baixa pressão, maior costuma ser a intensidade dos ventos ao redor.
Mesmo após atingir o continente e perder força gradualmente, o sistema deverá continuar provocando chuvas intensas em diversas regiões da China.
O país ainda enfrenta as consequências do tufão anterior
A chegada do Bavi ocorre poucos dias depois da passagem do tufão Maysak, que deixou um cenário de destruição no sul da China.
Na Região Autônoma de Guangxi, enchentes históricas atingiram dezenas de municípios após o rompimento de uma barragem.
Até o momento, o balanço oficial aponta: 39 mortos; 9 desaparecidos;
dezenas de rios acima do nível de alerta; milhares de pessoas afetadas pelas enchentes.
As equipes de emergência seguem trabalhando na recuperação das áreas atingidas enquanto se preparam para enfrentar um novo evento climático extremo.
O que acontece agora?
O monitoramento seguirá de forma permanente nas próximas horas.
Caso a trajetória prevista seja confirmada, o Bavi atingirá primeiro o litoral entre Zhejiang e Fujian antes de avançar para o interior do país.
As equipes de defesa civil, bombeiros e forças de emergência permanecem mobilizadas para atender possíveis ocorrências e minimizar os impactos do fenômeno.
Entenda o contexto
A costa leste da China está entre as regiões mais atingidas por tufões no mundo durante o verão do Hemisfério Norte. Todos os anos, sistemas formados no Oceano Pacífico avançam em direção ao continente, provocando chuvas intensas, ventos destrutivos e grandes prejuízos econômicos.
Nos últimos anos, especialistas têm observado eventos climáticos cada vez mais extremos, com tempestades mais intensas e maior volume de chuva em períodos curtos. A chegada do Bavi ocorre poucos dias após outra tragédia provocada pelo tufão Maysak, aumentando a preocupação das autoridades diante da possibilidade de novos impactos sobre regiões que ainda se recuperam dos desastres anteriores.