As críticas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), às pré-candidaturas de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ao Senado provocaram uma forte reação do grupo político adversário. Nesta quinta-feira (10), o pré-candidato ao governo paulista, Fernando Haddad (PT), classificou as declarações como uma “agressão gratuita a duas mulheres” e afirmou que o episódio revela um nível desnecessário de confronto político.
A troca de declarações acontece em um momento em que a disputa eleitoral começa a ganhar intensidade em São Paulo. Além da corrida ao Palácio dos Bandeirantes, a eleição para o Senado também passou a ocupar espaço central no debate político, especialmente após pesquisas apontarem Marina Silva e Simone Tebet entre as favoritas para as vagas em disputa.
O que motivou o novo embate?
Durante um evento político realizado nesta semana, Tarcísio questionou o fato de Marina Silva e Simone Tebet disputarem o Senado por São Paulo, embora tenham construído suas trajetórias políticas em outros estados.
Segundo o governador, ambas teriam escolhido São Paulo porque enfrentariam dificuldades eleitorais em seus estados de origem. Na ocasião, ele afirmou que as duas “levaram cartão vermelho” e não seriam eleitas nem em seus estados nem em São Paulo.
As declarações repercutiram imediatamente entre adversários políticos.
Haddad sai em defesa das pré-candidatas
Ao comentar o episódio, Fernando Haddad afirmou que as críticas ultrapassaram o debate eleitoral e representaram uma “agressão gratuita a duas mulheres”.
Para o petista, a campanha deve ser pautada pela discussão de propostas para o estado, e não por ataques pessoais ou questionamentos sobre a origem dos candidatos.
A manifestação reforça o alinhamento entre Haddad, Marina Silva e Simone Tebet, que integram o mesmo campo político nas eleições paulistas deste ano.
Marina e Tebet também rebateram
Antes mesmo da fala de Haddad, as duas pré-candidatas responderam às declarações do governador.
Marina Silva afirmou que Tarcísio adota “dois pesos e duas medidas”, lembrando que ele próprio nasceu no Rio de Janeiro e foi eleito governador de São Paulo.
Segundo ela, quando homens disputam eleições em estados diferentes de onde nasceram, a situação costuma ser tratada com naturalidade, enquanto mulheres enfrentam questionamentos semelhantes. A pré-candidata ainda afirmou enxergar preconceito nas críticas recebidas.
Já Simone Tebet destacou que mora em São Paulo há cerca de dez anos, paga impostos no estado e ironizou o fato de Tarcísio ter transferido seu domicílio eleitoral antes das eleições de 2022.
O que dizem as pesquisas?
O episódio ocorre poucos dias após a divulgação de uma pesquisa Datafolha sobre a disputa ao Senado em São Paulo.
O levantamento aponta Marina Silva com 18% das intenções de voto e Simone Tebet com 16%, ambas à frente dos nomes apoiados por Tarcísio: André do Prado (PL), com 11%, e Guilherme Derrite (PP), com 10%.
Embora a campanha ainda esteja em fase inicial, os números ajudam a explicar o aumento da temperatura política entre governo e oposição.
O debate sobre domicílio eleitoral
A legislação brasileira permite que candidatos disputem eleições em estados onde possuam domicílio eleitoral regularizado dentro dos prazos estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
Marina Silva atualmente exerce mandato de deputada federal por São Paulo, cargo para o qual foi eleita em 2022.
Já Simone Tebet disputa pela primeira vez um cargo eletivo no estado, após uma trajetória política construída em Mato Grosso do Sul.
O que pode acontecer agora?
A expectativa é que o episódio continue repercutindo ao longo da pré-campanha.
Com pesquisas começando a medir o desempenho dos candidatos e as convenções partidárias se aproximando, novos confrontos entre os principais grupos políticos devem marcar o cenário eleitoral paulista nas próximas semanas.
Entenda o contexto
A disputa eleitoral em São Paulo ganhou um novo foco nas últimas semanas com o lançamento das pré-candidaturas ao Senado. O debate passou a envolver não apenas propostas, mas também a origem política dos candidatos e o conceito de domicílio eleitoral.
As declarações de Tarcísio de Freitas abriram uma nova frente de embate com aliados de Fernando Haddad e levaram Marina Silva e Simone Tebet a reagirem publicamente. O episódio também ampliou a discussão sobre participação feminina na política e sobre os critérios utilizados para criticar candidaturas de políticos que disputam eleições em estados diferentes daqueles onde nasceram.
Com a campanha ainda em fase inicial, a tendência é de que esse confronto continue influenciando o debate político nos próximos meses.