Acordo salarial suspende greve de caminhões-tanque no ES

Motoristas de caminhão-tanque no Espírito Santo aceitam proposta com reajuste salarial e benefícios, evitando paralisação.
Redação NC News
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A greve dos motoristas de caminhão-tanque prevista para começar nesta segunda-feira, 13 de novembro de 2023, no Espírito Santo, é suspensa após um acordo salarial. O entendimento entre o Sindirodoviários-ES e o setor patronal afasta o risco imediato de desabastecimento de gasolina, diesel e etanol nos postos capixabas.

Risco de desabastecimento mobiliza consumidores

A ameaça de paralisação mexe com a rotina do estado desde o fim de semana. O transporte de combustíveis é a espinha dorsal da economia local, sustenta o funcionamento de serviços públicos, frotas de ônibus, transporte de mercadorias e o deslocamento diário da população.

Na véspera do acordo, o clima é de alerta. O presidente do Sindirodoviários-ES, Marcos Alexandre da Silva, o Marquinhos Jiló, recomenda que motoristas não esperem o tanque esvaziar para procurar um posto. “Abasteça seu carro. Você pode ficar sem combustível”, afirma o dirigente, reforçando o risco de desabastecimento gradual caso os caminhões parem.

A orientação provoca corrida pontual a postos de gasolina em diferentes municípios. A preocupação é com os estoques, que poderiam sustentar a demanda por apenas alguns dias sem a reposição diária de cargas.

Cinco rodadas de negociação até o impasse

A mobilização dos tanqueiros nasce de uma campanha salarial arrastada. Em cinco rodadas de negociação, sindicato e empresas não conseguem chegar a um denominador comum. As primeiras propostas patronais desagradam a categoria, que cobra aumentos reais e melhores condições de trabalho.

Os motoristas de caminhão-tanque lidam com cargas inflamáveis, corrosivas e produtos químicos. A responsabilidade é alta, e o sindicato insiste que o risco precisa ser compensado. Sem avanço nas conversas, o Sindirodoviários-ES publica edital de paralisação e marca o início da greve para 13 de novembro.

O plano previa uma paralisação ampla, com impacto em cidades como Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana, além de municípios do interior como Colatina, Fundão, João Neiva, Santa Teresa, Santa Maria de Jetibá, Afonso Cláudio, Baixo Guandu, Itarana, Itaguaçu, Ibiraçu e Aracruz. Cerca de 30% da frota permaneceria ativa, dedicada a serviços essenciais, como hospitais e segurança pública.

O anúncio da greve acende o alerta na cadeia de combustíveis. Postos calculam o tempo de sobrevivência de seus reservatórios. Empresas de transporte de cargas avaliam redirecionar rotas. O governo acompanha à distância, atento ao potencial de desorganizar a economia regional.

A virada na mesa de negociação

No domingo, 12 de novembro, a pressão leva a uma nova rodada de diálogo. Representantes do Sindirodoviários-ES e do setor patronal se reúnem para tentar um desfecho antes do início efetivo da paralisação.

As empresas apresentam uma segunda proposta, mais robusta que as anteriores. Após debates internos, o sindicato leva os termos à assembleia da categoria. A oferta prevê reajuste salarial de 6% e aumento de 10% no ticket alimentação.

A votação confirma a aceitação do pacote. Com a aprovação, a greve é oficialmente suspensa. A decisão é comunicada ainda no domingo, a menos de 24 horas do prazo inicialmente estabelecido para a paralisação.

O acordo preserva o abastecimento dos postos e também a imagem do setor de transporte de combustíveis, considerado estratégico. O setor patronal evita a interrupção de um serviço essencial, mas assume um aumento de custos trabalhistas imediato.

Quem ganha e quem cede com o acordo

Para os motoristas, o reajuste de 6% nos salários e o acréscimo de 10% no vale-alimentação representam um alívio concreto no orçamento mensal. Em um cenário de custos em alta, o ganho ajuda a recompor parte do poder de compra da categoria.

Os trabalhadores também saem do embate com um recado claro: a disposição para paralisar, inclusive com edital publicado, pressiona as empresas a reverem posições. A decisão de suspender o movimento, porém, mostra que o sindicato também considera o impacto de uma greve prolongada sobre a população.

O setor patronal abre mão de parte de suas resistências para não paralisar atividades. O reajuste pesa na folha de pagamento e nas despesas com benefícios, o que pode levar empresas a repassar parte do custo ao frete. Ainda assim, o cálculo é de que isso é menos oneroso que enfrentar uma paralisação com prejuízos logísticos e perda de contratos.

Os consumidores escapam, por ora, de filas longas e da incerteza sobre o abastecimento. Quem correu aos postos após o alerta de Marquinhos Jiló não chega a enfrentar racionamento, mas o episódio expõe a fragilidade de uma cadeia dependente de poucos elos.

Negociação coletiva ganha fôlego

A solução negociada, às vésperas da data marcada para a greve, reforça a centralidade da negociação coletiva num serviço considerado essencial. O desfecho pode servir de referência a outras categorias que lidam com infraestrutura crítica, como transportes, energia e saneamento.

O Sindirodoviários-ES afirma manter-se aberto ao diálogo e sinaliza que o acompanhamento do cumprimento do acordo será o próximo foco. Caso algum ponto não seja respeitado, a mobilização pode voltar à mesa, com possibilidade de novas assembleias e retomada da pressão.

Empresas e sindicato saem com um compromisso tácito: evitar que a próxima campanha salarial chegue de novo à beira da paralisação. O episódio deixa uma lição incômoda, mas clara, para o Espírito Santo. Quando caminhões-tanque ameaçam parar, toda a engrenagem da economia percebe o quanto depende deles.

Quando começa e termina a greve dos tanqueiros no ES?

A paralisação estava marcada para começar em 13 de novembro de 2023, mas foi suspensa em 12 de novembro, após acordo. Na prática, a greve não chegou a começar.

Como a greve dos tanqueiros pode afetar o abastecimento nos postos de gasolina?

A interrupção do transporte de combustíveis não esvazia os postos na hora, mas, sem novas cargas, os estoques acabam em poucos dias, gerando filas e falta de produtos.

O que motivou a greve dos tanqueiros no Espírito Santo?

A greve foi motivada por impasse em cinco rodadas de negociação salarial. Os motoristas reivindicavam reajuste maior, melhores condições de trabalho e avanços nos benefícios.

Quais estados estão sendo afetados pela greve dos tanqueiros?

O movimento e o acordo descritos envolvem apenas o Espírito Santo, com impacto previsto em cidades da Grande Vitória e de municípios do interior capixaba.

Houve acordo para suspender a greve dos tanqueiros? Quais foram os termos?

Sim. Sindicato e setor patronal fecharam reajuste salarial de 6% e aumento de 10% no ticket alimentação, o que levou à suspensão oficial da greve.

O que os motoristas devem fazer para evitar ficar sem combustível durante a greve?

Em cenários de risco de paralisação, a recomendação é abastecer antes de o tanque entrar na reserva e evitar compras de pânico, que pressionam os estoques.


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