Embora a legislação brasileira assegure 30 dias de férias remuneradas por ano aos trabalhadores com carteira assinada, a maioria dos profissionais não consegue aproveitar o período integral de descanso. Uma pesquisa divulgada neste domingo (12) aponta que apenas um em cada três brasileiros utiliza os 30 dias completos previstos em lei.
O levantamento revela que muitos trabalhadores acabam dividindo as férias em períodos menores ou optam por vender parte dos dias para reforçar o orçamento. Questões financeiras, demandas profissionais e a dificuldade de se desconectar do trabalho estão entre os principais motivos para a mudança de comportamento.
O que diz a lei sobre as férias?
Pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), todo empregado com carteira assinada tem direito a 30 dias de férias após completar 12 meses de trabalho na empresa.
Desde a reforma trabalhista, o período pode ser dividido em até três partes, desde que uma delas tenha pelo menos 14 dias corridos e as demais não sejam inferiores a cinco dias cada.
Além disso, a legislação permite a venda de até um terço das férias — o equivalente a dez dias —, prática conhecida como abono pecuniário.
Por que muitos brasileiros não tiram os 30 dias completos?
Segundo a pesquisa, fatores econômicos pesam na decisão de milhares de trabalhadores. Em muitos casos, a venda de parte das férias representa um complemento importante na renda familiar.
A flexibilidade para parcelar o descanso também alterou os hábitos de quem prefere distribuir os dias ao longo do ano, aproveitando feriados prolongados ou períodos específicos para viajar.
Outro ponto levantado pelo estudo é a dificuldade de se afastar completamente das responsabilidades profissionais. O avanço da tecnologia e o uso constante de celulares e aplicativos de mensagens fazem com que muitos trabalhadores permaneçam conectados mesmo durante as férias.
Descanso impacta saúde e produtividade
Especialistas em mercado de trabalho destacam que as férias têm papel fundamental na recuperação física e mental dos profissionais.
O período de descanso ajuda a reduzir o estresse, melhora a produtividade e contribui para o equilíbrio entre a vida pessoal e a carreira. Ainda assim, a pressão financeira e a rotina intensa fazem com que muitos brasileiros deixem de aproveitar integralmente esse direito.
O que mudou com a reforma trabalhista?
Antes da reforma trabalhista, as férias precisavam ser tiradas em um único período ou divididas em duas partes, em situações excepcionais.
Com as mudanças nas regras, os trabalhadores passaram a ter mais liberdade para fracionar o descanso, o que aumentou a adesão às férias parceladas.
A possibilidade de vender parte dos dias também continua sendo uma alternativa para quem busca reforçar o orçamento.
ENTENDA O CONTEXTO
As férias remuneradas são um direito garantido aos trabalhadores brasileiros com carteira assinada. Apesar da previsão legal de 30 dias de descanso por ano, a maioria dos profissionais não consegue aproveitar o período completo.
A combinação entre necessidades financeiras, novas formas de trabalho e a flexibilidade trazida pela reforma trabalhista ajuda a explicar por que apenas uma parcela dos brasileiros utiliza todos os dias disponíveis.