Boletim Focus: mercado reduz projeção de inflação para 5,16% em 2026 e mantém estimativa da Selic em 14%

Boletim Focus aponta segunda queda consecutiva na expectativa do IPCA, refletindo o alívio recente nos preços dos alimentos. Indicadores de crescimento econômico e câmbio permanecem estáveis no radar dos analistas.
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O mercado financeiro revisou para baixo, pela segunda semana consecutiva, a expectativa oficial para a inflação no Brasil. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (13 de julho de 2026), a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao final deste ano caiu de 5,30% para 5,16%. A melhora no cenário reflete diretamente os dados de junho, que registraram a inflação oficial em 0,16% — o menor patamar mensal desde outubro de 2025.

Estabilidade em juros, câmbio e crescimento

Apesar do otimismo contido em relação aos preços, as instituições financeiras consultadas pelo Banco Central optaram por manter inalteradas as principais métricas estruturais para a economia brasileira em 2026:

  • Taxa Selic: A expectativa para a taxa básica de juros permanece em 14% ao ano pela terceira semana seguida. Como a Selic atual está fixada em 14,25%, o mercado precifica pelo menos um pequeno corte até o final do ano. (Para 2027 e 2028, as projeções são de 12% e 10,5%, respectivamente).
  • PIB (Produto Interno Bruto): A previsão de crescimento da economia foi mantida em 1,99% para 2026.
  • Dólar: A estimativa para o câmbio segue travada em R$ 5,20 para o fim de dezembro.

O peso dos alimentos no alívio da inflação

A revisão para baixo nas planilhas do mercado foi impulsionada pela desaceleração oficial do IPCA divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostraram que a inflação perdeu força pelo quarto mês seguido.

O grande alívio de junho veio da primeira queda nos preços dos alimentos registrada desde novembro de 2025. Com o resultado, o IPCA acumulado em 12 meses recuou de 4,72% (até maio) para 4,64% — valor que, embora demonstre melhora, ainda opera ligeiramente acima do teto da meta do governo, estipulada em até 4,5%.

Entenda o Caso

As projeções do Boletim Focus são fundamentais para balizar as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), que tem sua próxima reunião agendada para os dias 4 e 5 de agosto.

A atual taxa de 14,25% reflete uma política de restrição monetária severa. Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic operou em 15% ao ano (o maior nível desde 2006) para encarecer o crédito e desestimular o consumo, forçando a queda dos preços. Com o IPCA e o INPC (índice focado em famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, que fechou junho em 0,14%) demonstrando arrefecimento contínuo, o mercado começa a pavimentar o terreno para um ciclo gradual de redução dos juros, o que tende a baratear financiamentos e reaquecer a economia nos próximos anos.

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