Trump recua de pedágio de 20% no Estreito de Ormuz, mas mantém bloqueio naval ao Irã

Presidente dos EUA decide substituir tarifa polêmica por acordos comerciais e investimentos com países do Golfo Pérsico. Cerco militar contra embarcações iranianas segue de pé e entra em vigor nesta terça-feira.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (14 de julho de 2026) que desistiu de cobrar a taxa de 20% sobre os produtos de navios que cruzam o Estreito de Ormuz. A cobrança, anunciada por ele na segunda-feira (13), havia provocado uma disparada imediata nos preços internacionais do petróleo, que atingiram o maior nível em um mês.

Substituição por acordos comerciais

De acordo com uma publicação feita por Trump em sua rede social, Truth Social, a decisão de suspender o pedágio foi tomada após negociações com lideranças do Oriente Médio. O presidente norte-americano afirmou que a taxa de reembolso será substituída por compromissos econômicos bilaterais:

  • Investimentos nos EUA: Vários Estados do Golfo Pérsico se comprometeram a realizar investimentos classificados por Trump como “gigantescos” dentro do território americano.
  • Compensação financeira: Segundo o presidente, esses novos aportes e acordos comerciais serão suficientes para compensar o montante que seria arrecadado com o pedágio na via marítima.

Sem validação local: Apesar do anúncio da Casa Branca, nenhum governo da região do Golfo Pérsico havia confirmado oficialmente a celebração desses acordos até o momento.

Cerco militar na costa iraniana segue ativo

Se por um lado o governo americano recuou na ofensiva tarifária para aliviar a pressão sobre o comércio marítimo, a movimentação militar contra o regime de Teerã continua a escalar. Trump confirmou que a retomada do bloqueio naval ao Irã está mantida e entra em vigor na tarde desta terça-feira.

A operação será conduzida por navios de guerra das Forças Armadas dos EUA posicionados na região. Ao contrário do plano anterior, o bloqueio será direcionado especificamente a embarcações do Irã e ao longo de toda a costa iraniana. A retomada formal das hostilidades foi confirmada por meio de uma notificação oficial enviada por Trump ao Congresso norte-americano, documento ao qual a agência de notícias Reuters teve acesso.

Entenda o Caso

O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo estratégico de cerca de 50 quilômetros de largura que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, servindo de canal para o escoamento de aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito comercializados no planeta antes do início da guerra.

A trégua temporária na região havia sido costurada em 17 de junho por meio de um memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerã. O pacto estabelecia um cessar-fogo e previa um período de 60 dias para que os países do Golfo, o Irã e Omã negociassem a administração futura da via, que deveria permanecer totalmente livre de taxas.

No entanto, o cessar-fogo foi rompido no último fim de semana após os EUA realizarem novos ataques ao território iraniano. Washington alega que o bombardeio foi uma resposta a agressões promovidas por Teerã contra navios no estreito. Com a retomada aberta dos combates, as nações do Golfo Pérsico — muitas delas aliadas estratégicas dos EUA — voltaram a se tornar o alvo prioritário das retaliações militares iranianas.

Carregar Comentários