A mais recente pesquisa Quaest de intenções de voto, divulgada nesta quarta-feira (15 de julho de 2026), aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua liderança sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na simulação de um eventual segundo turno. O petista tem 45% das intenções de voto, contra 37% do adversário, consolidando uma vantagem de oito pontos percentuais.
A pesquisa é a primeira realizada após dois episódios de forte repercussão na política nacional:
- O vazamento de vídeos em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acusa o enteado, Flávio, de humilhá-la.
- A operação da Polícia Federal (Caso Master) contra o senador Jaques Wagner (PT), histórico aliado de Lula.
- A briga na família Bolsonaro e a “fragilidade” da campanha
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, a campanha de Flávio demonstra fragilidade, justificada em grande parte pelo conflito público com Michelle. O caso parece ter corroído a base de sustentação do senador.
“A confusão dentro da família acabou provocando uma reação que parece afastar o potencial eleitor independente. Diminuiu de 33% para 29% a percepção de que Flávio é mais moderado que sua família”, explica Nunes.
A pesquisa revela que, entre os que tomaram conhecimento do vídeo, a maioria tendeu a apoiar a ex-primeira-dama:
- 45% acham que Michelle acertou ao expor as críticas; 38% acham que ela errou.
- 42% concordam mais com Michelle na briga; apenas 18% ficam ao lado de Flávio.
- A intenção de voto no senador caiu em dois grupos essenciais: na direita não bolsonarista (despencou de 90% em abril para 74% em julho) e entre os próprios bolsonaristas (caiu de 97% em maio para 91% agora).
O peso do caso Jaques Wagner para o governo
Do outro lado, a investigação contra Jaques Wagner afeta a percepção sobre a campanha petista. Segundo a Quaest, 61% dos entrevistados acreditam que o senador baiano agiu errado. Para 62% do eleitorado geral (somando os que responderam “muito negativamente” e “um pouco”), a investigação causa impactos negativos à campanha de Lula.
Apesar do desgaste, o presidente venceria todos os cenários de segundo turno simulados pelo instituto:
- Contra Flávio Bolsonaro (PL):
Lula 45% x 37% Flávio (Brancos/Nulos: 14% | Indecisos: 4%) - Contra Ronaldo Caiado (PSD):
Lula 45% x 36% Caiado (Brancos/Nulos: 15% | Indecisos: 4%) - Contra Romeu Zema (Novo):
Lula 45% x 35% Zema (Brancos/Nulos: 16% | Indecisos: 4%) - Contra Renan Santos (Missão):
Lula 45% x 33% Renan (Brancos/Nulos: 18% | Indecisos: 4%)
No cenário estimulado de 1º turno, Lula lidera isolado com 40%, seguido por Flávio Bolsonaro (28%), Caiado (4%), Renan Santos (3%) e Zema (2%).
Aprovação do governo Lula volta a ficar positiva
Pela primeira vez desde dezembro de 2024, a aprovação do governo federal superou numericamente a desaprovação na pesquisa Quaest.
- Aprovam o governo: 48%
- Desaprovam: 47%
A avaliação do trabalho pessoal do presidente também alcançou um ponto de equilíbrio inédito no último ano: 36% consideram a gestão positiva, enquanto 36% a avaliam como negativa e 26% a veem como regular.
Apesar da liderança nas intenções de voto, o eleitorado segue dividido sobre a permanência de Lula no poder: 51% acreditam que ele não deveria ter um novo mandato, enquanto 45% defendem que ele merece mais quatro anos no Planalto.
(Dados metodológicos: Encomendada pela Genial Investimentos, a pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de julho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Registro no TSE: BR-07181/2026).