O Instituto Pereira Passos (IPP) abre, nesta quarta-feira (15), chamada de artigos para uma edição especial da Revista Estudos Cariocas sobre segurança pública no Rio de Janeiro. Pesquisadores, acadêmicos e gestores públicos podem enviar trabalhos até 30 de setembro de 2026, exclusivamente pelo site da publicação.
Segurança urbana no centro do debate
A iniciativa dá lugar de destaque a um tema que atravessa o cotidiano de boa parte da população carioca: a violência e suas múltiplas expressões no território. Em um momento em que decisões sobre policiamento, políticas sociais e urbanismo se cruzam, o IPP tenta aproximar ciência e gestão pública.
O dossiê temático se chama “(In)Seguranças e o Urbano no Rio de Janeiro” e busca análises sobre como o crime, o medo e as respostas do Estado se distribuem pela cidade. A proposta é oferecer diagnósticos sólidos para orientar políticas mais eficazes, em vez de decisões baseadas apenas em percepções ou pressões de curto prazo.
O que o IPP quer ouvir
O IPP, órgão da Prefeitura do Rio responsável por dados e estudos urbanos, apresenta a chamada como um convite aberto. “O objetivo é explorar os desafios da violência e políticas públicas no Rio de Janeiro”, afirma o instituto, ao divulgar as regras da submissão.
Os trabalhos devem ser enviados pelo portal da Revista Estudos Cariocas, que reúne estudos sobre a cidade e costuma servir de referência para técnicos, gestores e pesquisadores. “As inscrições podem ser realizadas até 30 de setembro, no site da revista”, reforça o IPP, que divulga o convite às 18h18 desta quarta-feira, 15 de julho de 2026.
A edição especial terá coordenação do pesquisador Thiago Rodrigues, do Instituto de Estudos Estratégicos (INEST) e do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (InEAC), ambos da Universidade Federal Fluminense (UFF). Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ele participa também da banca que vai avaliar os artigos submetidos.
Território, violência e políticas em disputa
A chamada procura trabalhos que ajudem a entender a relação entre violência e espaço urbano. Entre os eixos indicados pelo IPP estão o controle territorial por grupos armados e a retomada cidadã do espaço público, a gestão e a economia dos ilegalismos e as conexões entre urbanismo e insegurança.
A ênfase nas “dinâmicas territoriais” revela uma aposta na leitura fina do mapa da cidade. Áreas com forte presença de milícias ou facções, por exemplo, vivem regras próprias de circulação, comércio e convivência, que desafiam tanto o poder público quanto moradores. Estudos sobre esses arranjos locais podem apontar caminhos para políticas mais ajustadas às realidades de cada região.
Na prática, o dossiê também pressiona modelos tradicionais de atuação em segurança pública, focados apenas em repressão policial. Ao priorizar pesquisas que analisam resultados de políticas, impactos sociais e desigualdades urbanas, o IPP estimula a adoção de soluções integradas, que combinem segurança, planejamento urbano e políticas sociais.
“A iniciativa reforça o compromisso do IPP com a produção e a disseminação de conhecimento técnico e científico sobre temas estratégicos para o desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro, promovendo o diálogo entre academia, poder público e sociedade na construção de soluções para os desafios urbanos”, afirma a presidente do instituto, Clara Sanchez.
Quem ganha com a chamada
Os principais beneficiados da iniciativa são, em tese, o setor público e a sociedade civil, que tendem a receber diagnósticos mais detalhados sobre violência, políticas de segurança e desigualdades territoriais. Estudos que avaliem programas, comparem indicadores ou mapeiem padrões de crime podem influenciar escolhas orçamentárias e estratégias de policiamento.
Pesquisadores e universidades também ganham um canal direto para incidir sobre a agenda municipal. A edição especial funciona como vitrine para análises que muitas vezes ficam restritas a congressos acadêmicos. Ao concentrar o olhar na segurança urbana do Rio, a revista pode ainda atrair trabalhos de outras regiões interessadas em comparar realidades e soluções.
Por outro lado, estruturas acostumadas a decisões pouco transparentes, ou baseadas apenas em hierarquias internas, tendem a sofrer maior cobrança. Evidências científicas sobre eficácia ou fracasso de políticas de segurança alimentam o debate público e podem expor resistências a mudanças dentro do aparato estatal.
Da revista às políticas públicas
A chamada, lançada agora, sinaliza um processo de fôlego mais longo. Até 30 de setembro de 2026, pesquisadores poderão submeter artigos, o que indica que o IPP aposta em uma coleta ampla de contribuições. Depois da seleção, a edição especial da Revista Estudos Cariocas deve se tornar referência obrigatória para quem pensa segurança no Rio.
A expectativa no meio acadêmico e entre gestores é de que a publicação desencadeie debates públicos, seminários e encontros técnicos. O IPP indica a possibilidade de eventos para divulgar resultados e discutir propostas com diferentes setores, da segurança pública às políticas sociais e ao urbanismo.
A médio e longo prazo, estudos reunidos no dossiê podem subsidiar planos municipais, programas de prevenção à violência, revisões de protocolos policiais e ações urbanísticas em áreas sob forte controle armado. Experiências bem-sucedidas documentadas na revista também podem inspirar iniciativas em outras capitais brasileiras.
O tamanho do desafio indica que a edição especial não encerra o tema. A violência no Rio é mutante, responde a mudanças econômicas, políticas e territoriais e exige atualização constante. A aposta do IPP é que, ao criar um espaço estável de diálogo entre academia, gestão e sociedade, a cidade se torne mais capaz de produzir respostas duradouras.