Projeto religioso vira alvo de investigação após suspeita de elo entre pastores, dinheiro do crime e celulares em cadeia

Polícia Civil apura suspeita de que grupo usava acesso religioso, empréstimos e movimentações financeiras para beneficiar integrantes da facção; investigação ainda está em andamento
Redação NC News
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Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso colocou sob suspeita um projeto de evangelização realizado dentro de unidades prisionais após a descoberta de indícios de que a iniciativa teria sido usada como uma possível ponte de comunicação e apoio financeiro para integrantes do Comando Vermelho (CV).

Segundo os investigadores, o grupo alvo da Operação Fariseus teria aproveitado a entrada autorizada no sistema prisional para, supostamente, facilitar o envio de celulares, transmitir informações entre presos e pessoas em liberdade e movimentar valores ligados à facção. As acusações ainda fazem parte de um inquérito em andamento e serão analisadas pela Justiça.

A operação foi conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que investigam uma possível rede envolvendo líderes religiosos e integrantes apontados como ligados ao grupo criminoso.

O que a investigação descobriu?

De acordo com a Polícia Civil, o núcleo investigado teria utilizado um projeto de evangelização dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, como forma de se aproximar de detentos e estabelecer contatos que, segundo os investigadores, ultrapassariam a atividade religiosa.

A suspeita é de que a estrutura também teria sido utilizada para facilitar a entrada de aparelhos celulares no presídio e permitir a comunicação entre lideranças presas e integrantes que estavam fora da unidade.

A investigação aponta ainda que os envolvidos teriam realizado movimentações financeiras consideradas suspeitas, incluindo empréstimos e transações que, segundo a polícia, poderiam ter relação com lavagem de dinheiro.

Como funcionaria o suposto esquema?

Segundo os investigadores, a atuação teria ocorrido em diferentes frentes.

Uma delas seria o contato com presos durante atividades religiosas dentro da unidade prisional. Outra envolveria a movimentação de recursos financeiros que, conforme a apuração policial, poderiam ter sido usados para beneficiar integrantes da organização criminosa.

A polícia também investiga se valores obtidos por meio de empréstimos e outras operações financeiras teriam sido utilizados para ocultar a origem de recursos ligados ao crime organizado.

Quem são os investigados?

Entre os alvos estão pastores e familiares apontados pela investigação como integrantes de um núcleo que teria ligação com pessoas associadas ao Comando Vermelho.

A polícia informou que uma das investigadas mantinha relacionamento com um detento apontado como liderança da facção no estado.

Os nomes e responsabilidades individuais ainda serão definidos conforme o avanço das investigações e a análise das provas recolhidas.

Por que celulares dentro dos presídios são uma preocupação?
A entrada de celulares em unidades prisionais é considerada pelas autoridades um dos principais desafios no combate ao crime organizado.

Com acesso a aparelhos, presos podem manter comunicação com integrantes fora da cadeia, transmitir ordens, acompanhar movimentações e participar de decisões relacionadas às atividades criminosas.

Por isso, investigações sobre facilitação de comunicação dentro dos presídios costumam receber atenção especial das forças de segurança.

O que acontece agora?

Durante a operação, materiais foram apreendidos e devem passar por análise pericial para ajudar a identificar a dimensão da rede investigada.

A Polícia Civil busca identificar todos os envolvidos, mapear possíveis movimentações financeiras e esclarecer se outras pessoas participaram do esquema apontado pela investigação.

Até o momento, os investigados são alvos de uma apuração criminal. A confirmação de responsabilidade depende do andamento do processo e de eventual decisão judicial.

ENTENDA O CONTEXTO

O caso surgiu a partir de uma investigação sobre uma possível utilização indevida de um projeto religioso dentro do sistema prisional de Mato Grosso.

Segundo a Polícia Civil, a suspeita é de que uma atividade criada para assistência espiritual teria sido usada como uma ferramenta de aproximação com presos ligados a uma facção criminosa.

A apuração tenta esclarecer se houve participação consciente dos envolvidos, quais valores teriam circulado, como funcionava a comunicação entre presos e pessoas externas e se outras pessoas faziam parte da suposta rede.

A investigação continua e novas informações podem surgir após a análise dos materiais apreendidos.

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