A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a Operação Infiltrados para desarticular uma organização criminosa suspeita de desviar cerca de R$ 45 milhões de contas da Caixa Econômica Federal (CEF), incluindo valores pertencentes a correntistas e beneficiários de programas sociais.
Ao todo, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Inicialmente, a Justiça havia autorizado 25 mandados, mas outros três foram expedidos durante o andamento da operação. Não houve mandados de prisão.
Segundo a investigação, além das fraudes eletrônicas, o grupo também é suspeito de obstrução de Justiça e de acessar ilegalmente informações sigilosas para favorecer as atividades criminosas.
Servidores públicos e advogados são investigados
As diligências contaram com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal (MPF). Cerca de 120 policiais federais participaram da operação.
Os mandados foram cumpridos nas cidades do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói, Cabo Frio, além dos municípios paulistas de Indaiatuba e Salto.
De acordo com a Polícia Federal, a organização criminosa contava com a participação de servidores públicos e advogados, que teriam atuado para dificultar investigações e obter acesso a informações protegidas por sigilo.
Os investigadores também apontam que o grupo recebia apoio de contraventores, responsáveis por facilitar a corrupção de agentes públicos e a contratação de advogados para tentar impedir o avanço das apurações.
Novos mandados foram autorizados
Durante o cumprimento das diligências, a Polícia Federal solicitou à Justiça Federal a expedição de mais três mandados de busca e apreensão, que foram autorizados ainda no decorrer da operação.
As novas ordens foram executadas em um escritório de advocacia localizado no Centro do Rio de Janeiro e em duas residências, situadas em Duque de Caxias e Cabo Frio.
Até o momento, a PF não divulgou a identidade dos investigados nem informou quais agentes públicos são suspeitos de envolvimento no esquema.
Caixa diz que colabora com as investigações
Em nota, a Caixa Econômica Federal informou que atua em conjunto com a Polícia Federal no combate a fraudes e golpes financeiros e que fornece informações exclusivamente às autoridades responsáveis pela investigação.
O banco destacou ainda que mantém monitoramento contínuo de produtos, serviços e transações bancárias, além de possuir políticas de segurança e equipes especializadas para proteger os dados e as operações de seus clientes.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, obstrução de Justiça, violação de sigilo funcional e outros delitos que venham a ser identificados ao longo das investigações.