Um levantamento inédito realizado pelo Portal NC News, utilizando inteligência artificial para cruzar dados e frentes de monitoramento político, traçou o diagnóstico das promessas de campanha do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O estudo dividiu os compromissos do Executivo em 15 grandes temas e revelou um cenário de fortes contrastes.
Os dados mostram que a gestão foi eficiente em reconstruir a máquina pública e injetar recursos diretamente na base da pirâmide social. Por outro lado, o governo acumula derrotas em reformas estruturais, reveses no Congresso e o abandono de metas de grande apelo popular.
O Raio-X do Mandato
O levantamento consolidou o saldo das propostas eleitorais nas seguintes proporções:
- 33% Cumpridas: Medidas formalizadas e entregues à população, concentradas na área social e na reorganização do Estado;
- 27% Cumpridas em Partes: Projetos que saíram da estaca zero, mas esbarraram na falta de articulação política no Congresso ou em contradições internas do próprio Planalto;
- 40% Não Cumpridas: Compromissos abandonados, vetados pelo Legislativo ou descartados pelo governo por inviabilidade política.

O que foi Cumprido (33%)
A fatia de promessas cumpridas (33%) concentra as principais vitórias econômicas e sociais do governo. Na área fiscal e de renda, destacam-se a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a implementação do programa Desenrola, que renegociou dívidas de milhões de inadimplentes.
Na pauta social e macroeconômica, o governo garantiu:
- Isenção do IR e Dívidas: A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada e formalizada. Na mesma esteira, o programa Desenrola conseguiu renegociar dívidas de milhões de brasileiros inadimplentes.
- Programas Sociais: O Bolsa Família foi mantido no piso de R$ 600 com o acréscimo de R$ 150 por criança. O novo vale-gás (Gás do Povo) foi aprovado, e programas como Farmácia Popular (agora com absorventes) e Mais Médicos foram retomados e ampliados.
- Privatizações e Economia Macro: A promessa de não privatizar Petrobras, Correios e Banco do Brasil foi mantida. O governo também extinguiu o modelo de paridade internacional de preços (PPI) da Petrobras e conseguiu aprovar o fim do teto de gastos (via arcabouço fiscal) e a histórica Reforma Tributária.
- Estrutura Burocrática: Cumprida a recriação imediata dos ministérios da Previdência, Pesca e Cultura, além da criação da pasta dos Povos Indígenas.
O que foi Cumprido em Partes (27%)
As promessas cumpridas apenas em partes (27%) expõem os gargalos na relação com o Poder Legislativo e ruídos no discurso oficial. O fim da escala 6×1, por exemplo, avançou na Câmara dos Deputados, mas permaneceu congelado no Senado, sem virar realidade para os trabalhadores.
Embora tenha cumprido a promessa de derrubar os sigilos de 100 anos da gestão anterior, o governo perdeu tração ao impor novos sigilos centenários sobre informações próprias, como os compromissos de agenda da primeira-dama.
Em relação ao Orçamento, o Supremo Tribunal Federal (STF) extinguiu a versão formal do “Orçamento Secreto”, mas a articulação partidária manteve o controle de verbas bilionárias por meio das emendas de comissão. Na saúde e tecnologia, apesar do aumento de verbas para a merenda e ampliação da banda larga, as metas de “universalizar a internet” e “zerar as filas do SUS” não foram atingidas.
- Fim da Escala 6×1: Como citado na análise de divergências, o fim da escala avançou na Câmara dos Deputados, mas congelou no Senado, não se tornando realidade para o trabalhador.
- Transparência e Sigilos: Lula cumpriu a promessa de derrubar sigilos de 100 anos da gestão Bolsonaro. Contudo, a medida foi classificada como parcial porque o atual governo passou a impor novos sigilos de 100 anos a informações próprias, como a agenda da primeira-dama, quebrando a coerência do discurso.
- Orçamento Participativo vs. Secreto: O STF barrou o orçamento secreto formal, e o governo abriu consultas participativas. Porém, nos bastidores, o Congresso manteve o controle das verbas sem transparência por meio das “emendas de comissão”.
- Serviços Públicos: Houve aportes significativos na merenda escolar e avanço na banda larga, mas as metas absolutas de “universalizar” a internet e “zerar” as filas do SUS não foram alcançadas.
O que Não foi Cumprido (40%)
A maior fatia do levantamento (40%) reúne os compromissos que naufragaram. Entre as desistências mais marcantes está o compromisso de “mandato único”: Lula descartou publicamente a promessa de não tentar a reeleição e já articula sua campanha para 2026.
Na economia do cotidiano, a promessa simbólica de baratear o custo de vida (sintetizada no bordão do “churrasco com picanha e cerveja”) foi corroída pela inflação, com os itens registrando altas acima da média nas prateleiras.
Os pontos críticos que não saíram do papel incluem:
- Fim da Reeleição: A promessa eleitoral de fazer um “mandato único” foi oficialmente descartada pelo presidente, que já se movimenta para a disputa em 2026.
- Custo de Vida (Picanha e Cerveja): A promessa simbólica de baratear o churrasco esbarrou na inflação. Ambos os itens mantiveram preços altos nas gôndolas e registraram altas superiores à média, frustrando o eleitorado mais pobre.
- Segurança Pública e CLT: O Ministério da Segurança Pública não foi recriado, travado por uma PEC no Senado. Na mesma linha, a prometida revisão profunda da reforma trabalhista e a regulação de motoristas de aplicativos foram abandonadas após resistência do setor produtivo e divergências entre os próprios trabalhadores.
- Meio Ambiente e Diplomacia: O projeto estratégico da Autoridade Climática foi engavetado por disputas de poder dentro do próprio Planalto. Na arena global, o protagonismo prometido ruiu diante do alinhamento diplomático com autocracias e dos percalços na condução da agenda verde, culminando em críticas abertas à condução da COP 30.
- Regulação das Redes Sociais: O chamado PL das Fake News, vital para o discurso de combate à desinformação, afundou no Congresso após não resistir ao intenso debate sobre liberdade de expressão e censura.