Governador de São Paulo afasta Flávio e foca interior em 2026

Governador prioriza estratégias no interior paulista e evita alianças com Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026.
Redação NC News
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Tarcísio de Freitas recalibra a rota da reeleição em São Paulo e decide manter distância pública de Flávio Bolsonaro na capital, enquanto desloca o centro da campanha para o interior do estado.

Rejeição na capital redesenha palanques

O governador, do Republicanos, avisa a aliados que não pretende fazer atos de rua ao lado do presidenciável do PL na capital e na Região Metropolitana. A avaliação é que a associação direta ao senador, alvo de forte rejeição nesses colégios eleitorais e envolvido em revelações sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cobra um preço alto demais.

Nos bastidores, a explicação é direta. Segundo relato publicado por O GLOBO, Tarcísio teme que as “encrencas” de Flávio “atrapalhem seus planos de superar Haddad na região onde o petista venceu em 2022”. A preocupação vale sobretudo para a capital e para as cidades da Grande São Paulo, onde o governador perdeu na última disputa estadual.

A escolha tem impacto imediato na montagem dos palanques. O PL, partido de Flávio, perde espaço simbólico na vitrine da campanha paulista, enquanto o núcleo do Republicanos ganha mais autonomia para moldar a imagem do governador a seu gosto, com menos ruído vindo do cenário nacional.

Interior vira prioridade e laboratório

No desenho atual, Tarcísio concentra a agenda conjunta com Flávio no interior, onde o bolsonarismo mostra fôlego maior. Aliados falam em “roteiro dos peões”, com destaque para festas agropecuárias como a tradicional Festa de Barretos, que atrai multidões e lideranças políticas do agronegócio.

A leitura da equipe é que o interior oferece terreno mais amistoso para a presença do presidenciável do PL, ao mesmo tempo em que amplia o alcance de Tarcísio em áreas onde o PT teve desempenho expressivo na eleição passada. A disputa com Fernando Haddad, ex-governador e nome do PT para o governo paulista em 2026, passa a ser travada exatamente nesse mapa.

Mesmo quando divide espaço com Flávio em eventos de peso na capital, o governador dosa a exposição. Em convenções de partidos aliados, ele aparece ao lado do senador, mas em posição lateral e com discursos que evitam elogios enfáticos. Fica claro o esforço para marcar presença sem assumir o pacote completo da candidatura presidencial do PL.

O distanciamento também se reflete nas redes sociais. Em vídeos publicados após encontros públicos, Tarcísio mostra Flávio nas imagens, mas deixa o presidenciável fora do texto de apoio. A comunicação oficial do governo paulista e da pré-campanha mede cada menção ao senador.

Pesquisa Vox Brasil orienta próximo movimento

Enquanto redesenha a geografia da campanha, o Palácio dos Bandeirantes acompanha com atenção a pesquisa que o Instituto Vox Brasil realiza a partir desta quarta-feira, com 1.480 eleitores em todo o estado. O levantamento testa cenários para o governo paulista em 2026, incluindo um possível segundo turno entre Tarcísio e Haddad.

A sondagem mede também rejeição dos principais nomes, avaliação da gestão atual e o peso dos debates de TV na escolha do voto. Segundo o instituto, “a margem de erro máxima é de 2,55 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%”.

Os números prometem balizar correções de rota. Se confirmarem que Flávio é um cabo eleitoral tóxico na capital, a tendência é de que o governador endureça a separação de agendas na Região Metropolitana. Se o presidenciável mostrar recuperação, abre-se espaço para reaproximações calculadas em grandes atos, como admitem interlocutores das duas campanhas.

Os questionários da Vox Brasil também abordam a corrida para o Senado, em que surgem nomes como Marina Silva, Simone Tebet, Alex Manente e Ricardo Salles. O quadro para as duas vagas paulistas influencia alianças, composição de chapas e a repartição de palanques entre Republicanos, PT, PL e demais siglas.

Hora da televisão e disputa com Haddad

No tabuleiro estadual, Tarcísio chega à pré-campanha com uma vantagem concreta: o tempo de televisão. Após atrair partidos que orbitavam o antigo PSDB paulista, o governador passa a concentrar 71% do horário eleitoral em São Paulo. Esse domínio da propaganda tende a ampliar sua presença no debate público e dificultar a vida dos adversários.

Para Haddad e o PT, o desafio é romper esse bloqueio de exposição e reconstruir musculatura especialmente no interior, onde Tarcísio tenta avançar sobre redutos que já foram mais simpáticos ao partido. A pesquisa da Vox Brasil deve indicar se o petista mantém a dianteira em regiões específicas ou se o governador já consegue virar o jogo.

No campo conservador, a disputa por protagonismo entre Tarcísio e Flávio é silenciosa, mas real. O governador busca se consolidar como líder moderado, com discurso de gestão e obras, enquanto o presidenciável do PL encarna a ala mais fiel ao bolsonarismo raiz. A decisão de afastar os palanques na capital evidencia esse contraste de estilos e prioridades.

A reconfiguração também alcança aliados locais. Tarcísio ensaia aproximação maior com candidatos ao Senado ligados a sua base, enquanto setores do PL reclamam reservadamente da falta de espaço em eventos estratégicos na capital. O equilíbrio entre acomodar aliados e proteger a própria imagem se torna um exercício diário.

Cenário de polarização prolongada

À medida que a eleição de 2026 se aproxima, tudo indica que São Paulo seguirá palco de uma polarização prolongada entre Tarcísio e Haddad. A diferença, agora, é que o bolsonarismo chega dividido entre o projeto estadual do governador e a candidatura presidencial de Flávio, nem sempre convergentes.

A pesquisa da Vox Brasil, prevista para ser divulgada nos próximos dias, deve funcionar como termômetro dessa divisão. Se apontar um segundo turno consolidado entre o governador e o petista, a tendência é de que outras siglas ajustem suas apostas, seja encostando em Tarcísio, seja tentando ocupar frestas no campo da esquerda.

Nos bastidores, aliados do governador repetem que “os ventos podem mudar” e que a porta para agendas conjuntas com Flávio na capital não está trancada. A decisão final vai depender dos números, do humor do eleitorado e da capacidade de cada um de não contaminar o outro. Até lá, Tarcísio escolhe a prudência: capital sem Flávio, interior com filtro, televisão em volume máximo e olhar fixo em Haddad.

Por que Tarcísio evita Flávio Bolsonaro na capital?

Porque pesquisas internas e avaliações de aliados apontam alta rejeição ao presidenciável do PL na capital e na Grande São Paulo, o que poderia prejudicar a imagem do governador.

O que a pesquisa Vox Brasil vai mostrar sobre a eleição paulista?

O levantamento mede intenção de voto para o governo de São Paulo, cenários de segundo turno, aprovação da gestão Tarcísio, rejeição dos candidatos e impacto dos debates de TV.

Como o tempo de TV favorece Tarcísio de Freitas?

Com 71% do horário eleitoral em São Paulo, o governador terá mais espaço para mostrar ações de governo e atacar adversários, enquanto rivais disputam fatias menores da propaganda.


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