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Rio das Ostras amplia vacinação contra HPV para até 19 anos até dezembro

Vacinação contra HPV estendida para jovens até 19 anos em Rio das Ostras até o fim do ano.
Redação NC News
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A Secretaria de Saúde de Rio das Ostras decide prorrogar até dezembro a campanha de vacinação contra o HPV para adolescentes de 15 a 19 anos. A medida se soma à imunização regular de jovens de 9 a 14 anos, já prevista no Calendário de Vacinação.

Campanha se estende e mira quem perdeu a idade-alvo

A decisão vale para todos os adolescentes e jovens de 9 a 19 anos residentes no município, na Região dos Lagos. Na prática, a rede pública passa a mirar não só quem está na idade recomendada, mas também quem deixou de se vacinar quando deveria.

Os técnicos da Vigilância em Saúde afirmam que a ampliação corrige uma lacuna importante. “Essa estratégia busca fazer o resgate vacinal das pessoas que não receberam sua dose na idade recomendada”, informa a Secretaria de Saúde de Rio das Ostras.

A vacinação para quem tem entre 9 e 14 anos segue como rotina, dentro do calendário. O diferencial agora é o convite explícito ao grupo de 15 a 19 anos, historicamente mais difícil de alcançar nas campanhas de imunização.

Como funciona a vacinação nas unidades de saúde

Para receber a dose, basta que o adolescente ou jovem procure uma unidade de saúde do município com a Carteira ou Caderneta de Vacinação. O atendimento ocorre de segunda a sábado, em dois turnos: das 8h30 às 11h30 e das 13h às 16h. Em algumas unidades, o serviço da tarde se estende até 16h30.

A vacinação está disponível em postos de diferentes bairros, de unidades básicas a Clínicas da Família, o que reduz a necessidade de deslocamentos longos. A orientação da Secretaria é que pais, responsáveis e os próprios jovens se organizem para buscar a imunização ao longo dos próximos meses, evitando deixar para a última hora.

Profissionais de saúde que atuam na ponta relatam que parte dos adolescentes chega insegura ou mal informada sobre o HPV. Equipes são orientadas a explicar, em linguagem simples, como ocorre a transmissão do vírus e por que a vacina é considerada prioridade.

HPV, câncer e o papel da vacina

O Papilomavírus Humano está entre as infecções sexualmente transmissíveis mais comuns. A transmissão acontece principalmente pelo contato pele a pele durante relações sexuais com penetração vaginal ou anal, mas também pode ocorrer no sexo oral ou em qualquer contato com a região genital, inclusive com as mãos. O vírus não é transmitido por objetos, como toalhas ou assentos sanitários.

As autoridades locais não escondem o foco da campanha. “A vacinação contra o HPV é importante para evitar infecções que podem levar a diferentes tipos de câncer (como os de colo do útero, vulva, pênis, garganta e pescoço) e verrugas genitais”, destaca a Secretaria de Saúde.

A vacina usada na rede pública de Rio das Ostras é do tipo quadrivalente. “A vacina é segura e previne contra quatro tipos do HPV (tipos 6, 11, 16 e 18)”, reforça o órgão. Esses subtipos estão entre os mais associados ao câncer de colo do útero e às verrugas genitais.

A Vigilância em Saúde resume a prioridade em uma frase. “A medida mais eficaz e segura de prevenção contra o Papilomavírus Humano (HPV) é a vacina”, afirma o setor. Embora a eficácia máxima ocorra quando a dose é aplicada antes do início da vida sexual, o município lembra que mesmo quem já teve contato com o vírus pode se beneficiar, reduzindo riscos de novas infecções e complicações.

Impacto na rede pública e no futuro da cidade

A ampliação até 19 anos pressiona a estrutura de saúde local. A Secretaria precisa garantir estoque suficiente de doses, organizar escalas de profissionais e ajustar o fluxo de atendimento para não prejudicar outros serviços de rotina.

Gestores avaliam, porém, que o esforço compensa. Ao ampliar a cobertura vacinal agora, o município espera reduzir, no médio e longo prazo, a incidência de infecções por HPV e, por consequência, de cânceres relacionados ao vírus. Menos diagnósticos graves significam menos cirurgias, internações e tratamentos de alto custo, tanto na rede pública quanto na privada.

Na ponta, famílias ganham a chance de proteger adolescentes que, por desinformação, medo de agulha ou dificuldades de acesso, não foram vacinados entre 9 e 14 anos. A campanha funciona como uma segunda chamada marcada por prazo definido: até dezembro.

Especialistas ouvidos por gestores municipais costumam apontar que, quanto maior o contingente imunizado, menor a circulação do vírus. A proteção deixa de ser apenas individual e passa a ter efeito coletivo, freando a transmissão na comunidade.

Comunicação, confiança e o que vem pela frente

A Secretaria de Saúde sabe que a ampliação da faixa etária não basta. O sucesso da campanha depende de comunicação clara com pais, estudantes e escolas, presença ativa nas redes sociais locais e engajamento de professores e líderes comunitários.

O município prepara ações de divulgação específicas para adolescentes, faixa etária menos sensível a avisos formais de governo. A aposta é usar uma linguagem direta, que explique a relação entre HPV, câncer e sexualidade sem tabu e sem terrorismo.

O monitoramento da adesão ao longo dos próximos meses será decisivo. Se a procura ficar abaixo do esperado, novas estratégias podem ser adotadas, como dias de mobilização nos bairros com menor cobertura e parcerias mais estreitas com a rede escolar.

Se os índices de vacinação subirem de forma consistente, a experiência de Rio das Ostras tende a ganhar visibilidade na Região dos Lagos e no estado do Rio de Janeiro, abrindo caminho para iniciativas semelhantes em outros municípios. A aposta local é que a decisão tomada agora se traduza, nos próximos anos, em menos diagnósticos de câncer e em uma geração mais protegida contra o HPV.

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