Líder nas pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) vive um impasse aberto com a cúpula do seu próprio partido. Na manhã desta quarta-feira (29), o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, anunciou que o parlamentar não será o candidato da legenda ao Palácio Tiradentes.
Cerca de 40 minutos após a declaração do dirigente partidário, a assessoria de Cleitinho divulgou nota oficial contradizendo a direção da sigla, afirmando que o senador permanece disposto a disputar o governo mineiro.
Em nota conjunta, as executivas nacional e estadual do Republicanos atribuíram a decisão à falta de uma posição clara por parte do senador e classificaram a sua ausência na convenção estadual do partido, realizada no último dia 25, como geradora de “consequências inevitáveis”.
Linha do tempo: As idas e vindas do senador
A pré-candidatura de Cleitinho foi anunciada pelo Republicanos em março de 2026, impulsionada pelos seus mais de 4 milhões de votos obtidos para o Senado em 2022. No entanto, a trajetória até o racha atual foi marcada por sucessivos adiamentos e incertezas:
- Condicionantes iniciais: Cleitinho condicionou a disputa à liderança nas pesquisas e à não candidatura do deputado Nikolas Ferreira (PL).
- Receio fiscal: Interlocutores e adversários apontavam a hesitação do senador em assumir o comando de um estado com grave crise fiscal e pesada dívida com a União.
- Gabinete de crise e prazos estendidos: Em junho, Cleitinho afirmou a aliados do PL que só decidiria sobre a disputa “depois da Copa do Mundo”. Em julho, indicou no plenário do Senado que poderia adiar a definição até 5 de agosto, data limite das convenções partidárias.
- Luto familiar: No dia 18 de julho, o senador perdeu o irmão mais novo, Matheus Azevedo, vítima de leucemia, e afastou-se das articulações políticas.
- Ausência na convenção: A falta de Cleitinho no evento do Republicanos no dia 25 de julho levou a legenda e o PL a abrirem negociações para apoiar a candidatura de Marcelo Aro (PP).
- Reviravolta da pesquisa: Após a divulgação da pesquisa Quaest na terça-feira (28), que voltou a mostrá-lo na liderança, Cleitinho sinalizou internamente que aceitaria disputar o pleito, mas a cúpula do Republicanos decidiu fechar as portas.
“Se o Espírito Santo tocar meu coração e mandar eu vir, é o Espírito Santo e Deus que estão mandando eu vir.” — Cleitinho, em discurso no plenário do Senado antes da convenção de seu partido.
Impasse jurídico e as regras eleitorais
A insistência de Cleitinho em manter-se na disputa enfrenta barreiras legais rígidas estabelecidas pela Justiça Eleitoral para o pleito de 2026. Embora senadores possam trocar de partido sem perder o mandato, o prazo para filiação partidária exigido para disputar as eleições deste ano encerrou-se em 4 de abril. O sistema eleitoral brasileiro não permite candidaturas sem legenda.
Para concorrer ao governo de Minas Gerais, o registro de Cleitinho depende obrigatoriamente da aprovação e da assinatura do Republicanos. A indefinição prejudica o planejamento do partido para a eleição de deputados federais e estaduais, que necessita da confirmação do cabeça de chapa para a confecção de material de campanha e distribuição do fundo eleitoral.