Eclipse solar total de 12 de agosto mobiliza ciência e internet

Evento astronômico atrai observadores e projetos científicos, com transmissão online para o Brasil.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Um eclipse solar total coloca a Groenlândia, a Islândia, o norte da Rússia, o Atlântico, a Espanha e um trecho de Portugal no centro da astronomia em 12 de agosto. O Brasil fica fora da faixa de visibilidade e recorre às transmissões pela internet para não perder o fenômeno.

Faixa de sombra no Norte, telas ligadas no Brasil

A faixa de totalidade atravessa regiões remotas do Hemisfério Norte e toca a Península Ibérica por poucos minutos. Cidades na Espanha e em um pequeno pedaço de Portugal veem o dia virar noite em pleno meio da tarde, enquanto a Lua encobre completamente o disco solar.

Em outros pontos, o eclipse aparece apenas parcial. Do Alasca à Carolina do Norte, nos Estados Unidos, passando pela maior parte do Canadá, por boa parte da Europa e pelo noroeste da África, o Sol surge como um “mordido” no céu. A Nasa estima que o momento de escuridão total dure menos de dois minutos, variando conforme o local. “Será possível ver o momento exato em que a Lua cobre completamente o Sol por menos de dois minutos, dependendo da localização”, afirma a agência.

No Brasil, o céu permanece inalterado. Nenhuma cidade entra na zona de sombra. O público brasileiro, porém, tem acesso a uma cobertura extensa. A Agência Espacial Europeia transmite o eclipse ao vivo em seu canal no YouTube, com início previsto para as 15h no horário de Brasília, e a Nasa mantém programação própria, também em vídeo e redes sociais.

Avião de pesquisa, balões e ciência cidadã em campo

O evento não mobiliza só curiosos com óculos especiais. A Nasa monta uma operação de pesquisa que envolve um avião WB-57, modelo de alta altitude usado em missões científicas, para seguir a sombra da Lua. A aeronave voa acima das nuvens e acompanha o caminho do eclipse, estendendo o tempo útil de observação e permitindo registrar detalhes finos da coroa solar.

A campanha inclui ainda o lançamento de balões científicos na Islândia, Groenlândia e Espanha. Equipados com sensores, eles medem variações na atmosfera terrestre à medida que o Sol é encoberto. A meta é entender como temperatura, ventos e composição do ar reagem ao mergulho súbito na penumbra. A mesma operação coleta imagens e dados da região externa do Sol, a coroa, que só se torna visível a olho nu nesses momentos.

A ESA destaca o caráter estratégico da ocasião. “Eclipses solares são um bom momento para testar instrumentos científicos que podem vir a ser incorporados em missões espaciais”, afirma a agência. A coroa solar, onde se origina parte das tempestades que afetam satélites e redes elétricas, segue pouco compreendida justamente porque a claridade normal do Sol esconde seus detalhes. Cada segundo de escuridão conta.

Dados de pássaros, temperatura e campo magnético

A mobilização não se limita a grandes centros de pesquisa. Redes de ciência cidadã recrutam voluntários em vários países para medir temperatura, registrar sons e observar a natureza. “Diversos projetos de ciência cidadã coletarão informações sobre o evento, citando medidas de temperaturas e canto de pássaros”, informa a ESA. A intenção é combinar milhares de observações pontuais e montar um retrato amplo de como o eclipse mexe com ecossistemas e cidades.

Em eclipses anteriores, estudos já mostraram mudanças no canto de aves e no comportamento de insetos durante a breve noite diurna. Neste, pesquisadores querem cruzar essas informações com dados atmosféricos e solares mais precisos. Os resultados alimentam modelos que descrevem o campo magnético do Sol e ajudam a prever eventos capazes de interferir em comunicações, GPS e redes de energia.

As agências espaciais tratam o eclipse como um laboratório ao ar livre. Observatórios em solo, aviões, balões e até instrumentos em órbita entram em modo intensivo. O conjunto de medições permitirá comparar o que acontece na superfície solar, já relativamente bem mapeada, com o que se observa na coroa, ainda cercada de dúvidas.

Brasil mira eclipses futuros e reforça interesse pela astronomia

Mesmo sem ver o Sol encoberto agora, o Brasil entra na conversa. A ampla cobertura em vídeo e redes sociais serve de aquecimento para um calendário próprio de fenômenos astronômicos. Na noite de 27 para 28 deste mês, um eclipse lunar parcial ficará visível em todo o país, com a Lua ganhando tons alaranjados no auge da sombra terrestre.

No começo do próximo ano, em 6 de fevereiro, um eclipse solar anular passa pelo oceano em frente à costa brasileira. Em terra, moradores do Sul, Sudeste e parte do Nordeste acompanham o Sol coberto em mais de 70% em vários pontos, em um eclipse parcial de grande impacto visual. Em outras regiões, a porcentagem é menor, mas ainda perceptível.

Mais adiante, o país volta à rota de um eclipse total de grande porte. Em 12 de agosto de 2045, a sombra da Lua cruza partes do Nordeste e do Norte, levando a totalidade para cidades como Recife, João Pessoa, São Luís e Belém. Universidades e planetários já usam o eclipse deste mês no Hemisfério Norte como ferramenta de divulgação, explicando o fenômeno e preparando professores e estudantes para aproveitar melhor as oportunidades futuras.

A análise dos dados coletados agora por Nasa, ESA, estudantes e voluntários deve render publicações científicas nos próximos anos e inspirar novos instrumentos para missões solares. Políticas públicas de fomento à pesquisa espacial e atmosférica tendem a se apoiar nesses resultados, enquanto o interesse popular alimentado pelas transmissões ao vivo pode fortalecer projetos de educação científica em vários países, inclusive no Brasil.

Quando e onde será possível ver o eclipse solar total de 12 de agosto?

O eclipse solar total de 12 de agosto será visível na faixa de totalidade que cruza partes da Groenlândia, Islândia, norte da Rússia, oceano Atlântico, Espanha e um pequeno trecho de Portugal, enquanto grande parte dos Estados Unidos, Canadá, Europa e noroeste da África verá apenas o eclipse parcial.

Quanto tempo vai durar o eclipse solar total no dia 12 de agosto?

O fenômeno de 12 de agosto terá a fase de totalidade durando menos de dois minutos em cada ponto da faixa, tempo em que a Lua cobre completamente o Sol, embora o eclipse completo, incluindo as fases parciais antes e depois, se estenda por algumas horas ao longo do percurso da sombra pela superfície terrestre.

Como assistir à transmissão ao vivo do eclipse solar total pela Nasa?

A transmissão ao vivo do eclipse solar total de 12 de agosto pela Nasa será feita em seu canal oficial no YouTube, com imagens da faixa de totalidade e comentários de especialistas, enquanto a ESA também exibirá o fenômeno ao vivo, permitindo que espectadores no Brasil acompanhem tudo a partir das 15h no horário de Brasília.

Por que o eclipse solar total de 12 de agosto não será visível no Brasil?

O eclipse solar total de 12 de agosto não será visível no Brasil porque a faixa de sombra da Lua, estreita e bem definida, se projeta apenas sobre regiões do Hemisfério Norte, como Groenlândia, Islândia, norte da Rússia, Espanha e Portugal, sem cruzar o território brasileiro em nenhum momento do trajeto.

Quais cuidados devo ter para observar o eclipse solar total com segurança?

A observação segura do eclipse solar total exige óculos especiais com filtro adequado, nunca óculos escuros comuns, vidros fumês ou filmes fotográficos, e recomenda acompanhar instruções de astrônomos e agências espaciais, usando métodos indiretos, como projeção em cartão, sempre que não houver equipamento certificado disponível.


Carregar Comentários