Pesquisa do instituto Nexus em parceria com o Banco BTG Pactual, divulgada nesta segunda-feira, mostra Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico na corrida presidencial de 2026, num cenário que reacende a polarização e deixa o jogo aberto.
No levantamento estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 37%. A diferença de 4 pontos percentuais está no limite da margem de erro de 2 pontos, o que impede que qualquer um seja apontado como favorito consolidado neste momento.
Cenário acirrado no primeiro turno e método da pesquisa
A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em todo o Brasil entre 31 de julho e 2 de agosto, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02874/2026, requisito obrigatório para divulgação em período pré-eleitoral.
No retrato apresentado pela Gazeta do Povo, que divulga o estudo, o quadro é de polarização nítida. “No cenário estimulado de primeiro turno, Lula (PT) lidera numericamente com 41% das intenções de voto contra 37% de Flávio Bolsonaro (PL). A distância entre eles, porém, configura empate técnico no limite da margem de erro da pesquisa de 2 pontos percentuais para mais ou para menos”, registra o jornal.
O instituto Nexus trabalhou com dois tipos de pergunta: o cenário espontâneo, em que nenhum nome é apresentado e o eleitor cita seu candidato preferido, e o cenário estimulado, em que uma lista de presidenciáveis é mostrada. Essa combinação costuma medir, de um lado, o enraizamento dos nomes na cabeça do eleitor e, de outro, o potencial de crescimento quando os candidatos são lembrados explicitamente.
Segundo turno incerto e papel dos outros candidatos
As simulações de segundo turno reforçam a leitura de disputa aberta. Entre Lula e Flávio Bolsonaro, a vantagem do petista encolhe ainda mais. “Na simulação de segundo turno entre os dois, a vantagem do petista cai para 1 ponto percentual, em novo empate técnico”, relata a Gazeta do Povo. Em termos estatísticos, o cenário permite qualquer um dos dois à frente, dentro da margem de erro.
Outros nomes testados também aparecem como peças relevantes no tabuleiro. Ronaldo Caiado (PSD), governador de Goiás, empata tecnicamente com Lula em um eventual segundo turno. Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Renan Santos (Missão) ficam atrás do petista nas simulações, mas o fato de serem incluídos pelo instituto já indica que setores políticos e econômicos os veem como alternativas ou potenciais fiadores de alianças.
Esses candidatos fora da dupla principal dificilmente chegam hoje ao patamar de Lula e Flávio Bolsonaro, mas podem determinar o rumo da disputa ao transferir tempo de TV, palanques regionais e, sobretudo, votos em um segundo turno. Num ambiente de diferença mínima, seus apoios valem mais do que nunca nas negociações entre partidos.
Rejeição, mercado e impacto político imediato
A pesquisa também mede em quem o eleitor “não votaria de jeito nenhum”, indicador conhecido como rejeição. Os números completos não são divulgados, mas esse dado costuma orientar decisões duras de campanha: quais alianças buscar, que imagem suavizar, qual discurso abandonar. Em cenários tão apertados, um ponto a mais ou a menos de rejeição pode definir a passagem ao segundo turno.
No campo político, o levantamento reforça a centralidade das máquinas de PT e PL. O resultado deve ser lido pelos estrategistas como um chamado à mobilização total. Petistas tendem a usar a liderança numérica de 41% para argumentar que Lula segue à frente; aliados de Flávio Bolsonaro, por sua vez, exploram o empate técnico e o 1 ponto de diferença no segundo turno como prova de que a virada está ao alcance.
Para partidos de médio porte, como PSD e Novo, e para legendas menores que abrigam nomes como Renan Santos, o estudo abre espaço de barganha. Quanto mais próximo estiver o primeiro turno e mais indefinido parecer o segundo, maior o valor de um apoio formal, de uma neutralidade estratégica ou até de uma desistência negociada.
No mercado financeiro, a leitura é de cautela. Pesquisas que colocam os dois principais polos da política recente em rota de colisão, sem favorito claro, aumentam a incerteza sobre o rumo da economia a partir de 2027. Investidores acompanham de perto não apenas as intenções de voto, mas também os sinais programáticos que cada campanha envia em áreas como gasto público, reforma tributária e política industrial.
Limites da pesquisa e próximos capítulos da disputa
A Gazeta do Povo volta a lembrar que levantamentos eleitorais são um retrato do momento, não previsão de resultado. O jornal destaca que a forma de perguntar, o desenho da amostra e o método de entrevistas podem influenciar os números. Mesmo assim, reforça que pesquisas como a da Nexus/BTG Pactual seguem sendo uma das ferramentas mais observadas por partidos, lideranças políticas e agentes econômicos para calibrar estratégias.
A experiência recente mostra que discrepâncias entre pesquisas e resultado final podem ocorrer, o que exige prudência na leitura. Ainda assim, nenhum grande partido ignora levantamentos com base amostral robusta, como os 2.002 entrevistados deste estudo e o nível de confiança de 95%. Eles servem para testar narrativas, ajustar o tom do discurso e decidir onde concentrar recursos de campanha.
Com a divulgação de hoje, a tendência é que novas pesquisas se acelerem nas próximas semanas, inclusive de outros institutos como Atlas, Datafolha e Quaest, citados com frequência no debate público. Cada novo número pode reposicionar candidaturas, empurrar legendas a rever alianças e redefinir quem se apresenta como alternativa viável à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Até o início oficial da campanha, a disputa segue no terreno da pré-campanha, das movimentações nos bastidores e da guerra de narrativas. A fotografia captada pela Nexus/BTG Pactual indica um país dividido e uma eleição em que nenhum dos lados pode se dar ao luxo de errar.