A corrida presidencial já começou nos bastidores e revela um cenário de forte contraste estratégico: enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) costurou uma mega-aliança com outros seis partidos para turbinar sua campanha, o senador Flávio Bolsonaro (PL) não conseguiu avançar nas alianças com o Progressistas e Republicanos, e acabou seguindo praticamente sozinho. No entanto, o isolamento político não será um problema. Como o PL detém a maior fatia do dinheiro público, por ter a maior bancada da Câmara, a chapa “puro-sangue” bolsonarista terá força financeira e tempo de TV considerável para enfrentar o petista.
O peso do dinheiro e do tempo de TV
Historicamente, a tática de formar grandes coligações sempre foi a principal arma dos políticos para conseguir mais espaço na televisão e juntar verbas. No caso de Lula, a união oficial do PT com siglas de peso como PCdoB, PV, PSB, PDT e a federação PSOL-Rede garante uma capilaridade imensa e uma verdadeira máquina de campanha espalhada por todo o país.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro seguirá por um caminho solitário ao confirmar o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice, sem o apoio formal de legendas do Centrão. Mas a matemática da Justiça Eleitoral joga a favor do candidato:
- Fundo Bilionário: O PL garantiu a maior fatia isolada do Fundo Eleitoral para 2026, somando impressionantes R$ 881,6 milhões. Juntos, PT e União Brasil ficam logo atrás, concentrando cerca de 40% do bolo total juntos.
- Tamanho na Câmara: O critério que divide 90% do tempo de rádio e TV considera o número de deputados eleitos. Como o PL elegeu 98 parlamentares, o partido tem força própria para garantir comerciais diários na telinha.
- Teto de gastos: Mesmo com os cofres cheios, o partido não poderá despejar todo o dinheiro na disputa principal. A regra atual limita os gastos da campanha para presidente em, no máximo, R$ 133 milhões por candidato.
Candidatos famosos barrados da televisão
Se a vida está confortável para os dois líderes das pesquisas, o cenário é desesperador para outros nomes que tentam furar a polarização. Apenas candidatos apoiados por legendas que atingiram um mínimo de votos nacionais terão direito a aparecer na televisão — a chamada “cláusula de desempenho”.
Por causa dessa barreira, nomes como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) estão oficialmente banidos do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão este ano.
Com isso, a programação eleitoral será dominada de forma massiva pelos seguintes presidenciáveis:
- Lula (PT e coligados)
- Flávio Bolsonaro (PL)
- Ronaldo Caiado (PSD)
- Augusto Cury (Avante)
Para entender a fundo como funciona o rateio de deputados e conferir a tabela oficial que guiará as propagandas, consulte os dados de representatividade partidária atualizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).