Tarcísio e Haddad se enfrentam em debate da Band sobre segurança, privatizações, saúde e economia

Segundo bloco do debate da Band, dedicado às perguntas de jornalistas, teve confronto sobre domínio territorial, segurança pública, economia, tarifas americanas e agronegócio
Redação NC News
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O primeiro grande confronto entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad na disputa pelo Governo de São Paulo foi marcado por críticas, respostas diretas e divergências sobre os principais gargalos do estado. No debate promovido pela Band, os candidatos discutiram educação, segurança pública, combate ao crime organizado, privatizações, saneamento, transporte, economia, agronegócio e saúde.

O encontro começou às 20h deste domingo (9), pelo horário de Brasília, e teve mediação do jornalista Rodolfo Schneider, diretor-geral de Conteúdo da Band e âncora do Jornal da Band e da BandNews FM.

Tarcísio, atual governador e candidato à reeleição, foi ministro da Infraestrutura durante o governo Jair Bolsonaro. Haddad foi ministro da Educação e da Fazenda e prefeito de São Paulo.

O debate foi dividido em blocos, com perguntas entre os candidatos e participação de jornalistas da Band.

Educação abre o debate

A educação foi o primeiro tema colocado em discussão.

Tarcísio apresentou como prioridades para os próximos anos a alfabetização na idade certa, o Pacto pela Matemática e a formação continuada dos professores.

O governador também defendeu a ampliação da educação voltada às novas tecnologias e às profissões do futuro, com iniciativas relacionadas à inteligência artificial, programação, semicondutores e economia do conhecimento.

Haddad contestou os resultados apresentados pelo adversário e afirmou que São Paulo perdeu posições em indicadores de qualidade do ensino médio.

O candidato também criticou o modelo de plataformas digitais utilizado nas escolas estaduais e afirmou que o estado precisa ampliar a oferta de ensino em tempo integral.

A educação deu o tom inicial do confronto e abriu uma discussão que seria retomada ao longo do debate: a avaliação dos resultados da atual gestão.

Segurança pública e Cracolândia

A segurança pública rapidamente se tornou um dos principais pontos de divergência.

Tarcísio defendeu as ações realizadas pelo governo estadual contra o crime organizado e citou operações nos setores de combustíveis e transporte, além de ações realizadas na Baixada Santista, Paraisópolis e região central da capital.

Sobre a Cracolândia, o governador afirmou que a estratégia combinou segurança, saúde, assistência social e habitação.

Tarcísio citou a criação de leitos de retaguarda para desintoxicação, casas terapêuticas e a parceria entre o Estado e a Prefeitura de São Paulo.

Haddad questionou os resultados e afirmou que o governo estadual precisa assumir maior responsabilidade na organização da inteligência das forças de segurança.

O candidato também citou o avanço do Comando Vermelho em áreas do estado e criticou o que classificou como falhas no combate às organizações criminosas.

Violência contra a mulher

A violência contra a mulher também provocou divergências.

Tarcísio afirmou que São Paulo apresenta índices inferiores aos registrados no país e citou a ampliação da rede de proteção às mulheres, com Delegacias da Mulher, salas especializadas, o protocolo Não Se Cale e estruturas voltadas ao atendimento de vítimas.

Haddad contestou os números apresentados e afirmou que o feminicídio cresceu no estado.

A discussão foi acompanhada de críticas sobre a atuação das forças de segurança e sobre decisões tomadas pelo governo estadual.

Jornalistas elevam a temperatura

O segundo bloco foi dedicado às perguntas dos jornalistas da Band e concentrou alguns dos momentos mais tensos do debate.

O domínio territorial das organizações criminosas foi um dos principais assuntos.

Haddad propôs a criação de um Gabinete Institucional de Segurança Pública, presidido pelo governador e integrado pelas polícias Civil e Militar, Ministérios Públicos Estadual e Federal, Polícia Federal, Receita Federal e COAF.

A proposta, segundo o candidato, seria centralizar informações de inteligência e ampliar o combate financeiro às facções. Tarcísio respondeu destacando operações realizadas durante sua gestão.

O governador afirmou:

“Onde teve barricada, a gente vai lá e remove.”

O debate esquentou quando Tarcísio citou uma mulher que, segundo ele, teria ligação com o tráfico na região do Moinho e questionou a presença de Haddad em um evento em que ela teria participado.

Haddad negou qualquer proximidade com atividades criminosas e respondeu:

“Se eu soubesse, eu teria dado voz de prisão para ela.”

Na sequência, o candidato criticou a estratégia de segurança do adversário:

“Só a truculência não vai resolver.”

Economia e tarifas americanas

Os jornalistas também questionaram os candidatos sobre os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Haddad defendeu uma reação coordenada entre União e estados e citou o Plano Brasil Soberano e a abertura de novos mercados para exportadores.

Tarcísio destacou os impactos sobre a indústria paulista e citou empresas instaladas no interior do estado.

O governador afirmou que São Paulo adotou medidas para ajudar empresas exportadoras, como antecipação de créditos acumulados de ICMS e linhas de financiamento.

Agronegócio

O agronegócio paulista também entrou na pauta. Tarcísio defendeu a manutenção dos recursos do FEAP e da subvenção ao seguro rural. Segundo o governador, São Paulo possui o maior programa estadual de subvenção ao seguro rural do país.

Haddad defendeu o aumento dos investimentos em seguro agrícola e a recuperação dos institutos estaduais de pesquisa.

O candidato também destacou a importância do Plano Safra e da Embrapa.

Privatizações dominam o confronto

A política de privatizações do governo estadual foi um dos temas mais explorados por Haddad.

O candidato criticou a privatização da Sabesp, concessões de parques e serviços públicos, além de mudanças no sistema de pedágio e implementação do free flow.

Haddad também questionou as parcerias público-privadas utilizadas na construção e manutenção de escolas estaduais.

Tarcísio defendeu o modelo de PPPs e afirmou que a intenção é permitir que profissionais da educação concentrem esforços no ensino enquanto empresas ficam responsáveis por serviços de manutenção e infraestrutura.

“A gente não faz privatização por fazer. A gente faz a privatização, às vezes, por necessidade.”

Sabesp

A privatização da Sabesp provocou uma das discussões mais longas do debate.

Haddad questionou o valor da operação e afirmou que a empresa teria sido vendida abaixo do preço que considerava adequado.

Tarcísio rebateu dizendo que a medida foi necessária para garantir investimentos e alcançar a universalização do saneamento. O governador afirmou que o contrato estabelece uma curva tarifária inferior à que seria praticada caso a companhia permanecesse pública.

Também citou investimentos em saneamento em municípios do interior e na Baixada Santista.

Haddad, por sua vez, questionou os efeitos da tarifa sobre consumidores e setores industriais, citando Cubatão.

Ferrovias e rodovias

Os contratos de concessão ferroviária e rodoviária também foram alvo de críticas.

Haddad afirmou que o governo federal precisou revisar contratos realizados durante a gestão de Tarcísio no Ministério da Infraestrutura. Tarcísio rebateu e defendeu as concessões, citando obras e investimentos realizados durante o período.

O free flow voltou a provocar divergências.

Haddad criticou a forma como o sistema foi implementado em São Paulo e afirmou que motoristas poderiam ser penalizados sem compreender que haviam passado por um ponto de cobrança.

Correios e política econômica

Tarcísio também criticou a situação financeira dos Correios e atribuiu os resultados à gestão federal.

Haddad respondeu citando o desempenho das estatais federais e afirmou que os Correios enfrentam uma transformação no mercado de encomendas, especialmente diante da concorrência internacional.

A discussão avançou para juros, gastos públicos e política fiscal.

Haddad afirmou que os juros elevados prejudicam a indústria brasileira.

Tarcísio criticou os gastos do governo federal e relacionou o cenário fiscal ao desempenho da economia.

Dívida de São Paulo vira disputa política

A renegociação da dívida estadual também foi utilizada pelos candidatos para atacar as respectivas gestões.

Haddad afirmou que São Paulo poderia ter obtido bilhões de reais caso tivesse aderido anteriormente ao programa federal de renegociação.

Tarcísio respondeu que o estado não aderiu inicialmente porque, segundo ele, o modelo não atendia aos interesses paulistas. O governador afirmou que a adesão ocorreu depois de mudanças nas regras do programa.

A relação entre São Paulo e o governo federal também apareceu nas discussões sobre BNDES, Trem Intercidades, Linha 6 do Metrô e túnel Santos-Guarujá.

Saúde fecha série de confrontos

A saúde voltou ao centro do debate na reta final. Tarcísio defendeu a tabela SUS Paulista, criada para ampliar os valores pagos às instituições filantrópicas e Santas Casas.

O governador afirmou que a medida ajudou a reabrir leitos e ampliar a realização de cirurgias eletivas. Também citou a inauguração de hospitais durante o mandato e a abertura de milhares de leitos.

Haddad questionou os resultados e afirmou que parte dos recursos utilizados na saúde paulista é proveniente do governo federal.

O candidato citou dados oficiais para comparar o desempenho paulista com o de outros estados.

Tarcísio rebateu afirmando que o estado precisou utilizar recursos próprios para complementar os valores pagos pelo SUS e garantir o funcionamento da rede filantrópica.

Dois projetos para São Paulo

Ao longo do debate, Tarcísio e Haddad apresentaram propostas e avaliações distintas sobre o futuro de São Paulo.

Tarcísio defendeu a continuidade do modelo de concessões, PPPs, investimentos em infraestrutura, responsabilidade fiscal, expansão da tecnologia e combate ao crime organizado por meio de operações policiais e inteligência.

Haddad propôs maior integração entre órgãos estaduais e federais, fortalecimento dos serviços públicos, ampliação de investimentos em educação, saúde e segurança e revisão de políticas de privatização e concessão.

O confronto também mostrou que a disputa pelo Governo de São Paulo deverá ser marcada pela avaliação dos resultados da atual gestão e pela comparação entre diferentes modelos de administração pública.

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