Médico é indiciado após menino de 3 anos morrer picado por escorpião

Polícia aponta que criança não foi transferida imediatamente para hospital de referência e soro foi aplicado mais de quatro horas após a picada
Redação NC News
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A Polícia Civil concluiu a investigação sobre a morte de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, e indiciou o médico Augusto Fortunato de Godoi por homicídio culposo. O menino morreu após ser picado por um escorpião em Conchal, no interior de São Paulo.

Segundo o inquérito, a principal suspeita é de que a demora na transferência da criança para um hospital de referência tenha contribuído para o agravamento do quadro.

O caso agora será analisado pelo Ministério Público, que deverá avaliar se apresenta denúncia à Justiça e também o pedido de afastamento cautelar do médico feito pela Polícia Civil.

Menino chegou rapidamente à Santa Casa

Bernardo foi picado por um escorpião dentro de casa, em Conchal, no fim de março. De acordo com os familiares, ele foi levado à Santa Casa da cidade menos de cinco minutos depois do acidente.

Na unidade, o menino passou a ser acompanhado pelo médico Augusto Fortunato de Godoi.

A investigação aponta que, por se tratar de uma criança com menos de 10 anos vítima de picada de escorpião, o protocolo determinava estabilização e transferência imediata para um hospital de referência com disponibilidade de soro antiescorpiônico. Na região, o hospital de referência fica em Araras.

Transferência só ocorreu após agravamento

Segundo o inquérito policial, o protocolo não teria sido seguido inicialmente.

Em vez de realizar a transferência imediata pelo sistema de “vaga zero”, o médico teria mantido Bernardo em observação na Santa Casa de Conchal.

O estado de saúde da criança piorou progressivamente. O menino sofreu uma parada cardiorrespiratória e entrou em choque cardiogênico provocado pelo envenenamento. A transferência para Araras ocorreu somente depois do agravamento.

O soro antiescorpiônico foi administrado mais de quatro horas após a picada. De acordo com a investigação, naquele momento o quadro já era considerado irreversível.

Bernardo morreu no dia seguinte em decorrência das complicações provocadas pelo veneno.

Polícia aponta negligência no atendimento

O delegado Luís Henrique Lima Pereira, responsável pelo caso, afirmou que a conduta adotada no atendimento contrariou os protocolos destinados a acidentes com escorpiões envolvendo crianças.

Segundo ele, a situação exigia acionamento imediato do Samu e transferência para o hospital de referência.

A investigação concluiu que a demora contribuiu para o agravamento do quadro e levou ao indiciamento do médico por homicídio culposo.

O laudo do Instituto Médico Legal também apontou falha relacionada à não observância do protocolo específico para crianças vítimas de picadas de escorpião.

Pai diz sentir alívio com indiciamento

Para o pai de Bernardo, o tatuador Paulo Henrique Mendes Dias, o indiciamento representa um avanço na busca por responsabilização.

Ele afirmou que recebeu a decisão com alívio e espera que o caso ajude a evitar novas mortes.

A família também defende o afastamento do médico para impedir que situação semelhante aconteça com outras crianças enquanto o caso é analisado pelas autoridades.

Defesa afirma que médico é inocente

A defesa de Augusto Fortunato de Godoi contestou a conclusão da Polícia Civil.

Em nota, os advogados afirmaram ter “plena certeza da inocência” do médico e disseram que ele repetiria os mesmos procedimentos adotados durante o atendimento de Bernardo.

A posição da defesa também passou a ser considerada pela Polícia Civil no pedido de afastamento cautelar. O caso agora está nas mãos do Ministério Público, que deverá decidir os próximos passos da investigação.

Santa Casa contesta versão sobre atendimento

A Santa Casa de Conchal informou que o médico acionou o Centro de Informação e Assistência Toxicológica quatro vezes durante o atendimento.

Segundo a unidade, a transferência foi solicitada assim que o agravamento do quadro foi identificado.

O hospital também afirmou que não possui autorização para manter estoque de soro antiescorpiônico em suas instalações.

A questão sobre o momento adequado para a transferência e a conduta adotada durante o atendimento deverá ser analisada pelas autoridades responsáveis pelo caso.

Caso reacende alerta sobre picadas de escorpião

A morte de Bernardo também chama atenção para os riscos de acidentes com animais peçonhentos envolvendo crianças.

Em situações desse tipo, o tempo de atendimento pode ser decisivo, especialmente quando há necessidade de administração de soro antiescorpiônico.

Foto: internet

O caso coloca ainda em discussão a estrutura de hospitais de cidades menores, que muitas vezes dependem de unidades de referência localizadas em outros municípios.

Para as famílias, a investigação reforça a importância de buscar atendimento médico imediatamente após uma picada e seguir as orientações dos serviços de emergência.

Agora, caberá ao Ministério Público avaliar as conclusões da Polícia Civil e decidir se o médico será denunciado criminalmente.

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