O mercado brasileiro de soja ganhou força ao longo de julho e voltou a trabalhar próximo de R$ 150 por saca de 60 quilos nos principais portos do país, segundo análise divulgada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
O dado faz parte das Agromensais de julho de 2026, publicação disponibilizada pelo Cepea nesta segunda-feira, 10 de agosto, que reúne análises sobre o comportamento de diferentes cadeias do agronegócio brasileiro.
De acordo com o Cepea, a valorização da soja ao longo de julho esteve relacionada a uma combinação de fatores no mercado internacional. Entre eles estão a demanda global aquecida, as condições climáticas no Hemisfério Norte e as tensões geopolíticas no Oriente Médio, que contribuíram para movimentar os contratos futuros da oleaginosa.
No mercado brasileiro, o comportamento dos vendedores também ajudou a sustentar as cotações. Segundo o Cepea, produtores e demais agentes permaneceram mais retraídos em alguns momentos, reduzindo a oferta disponível para negociação.
Com menor disposição para vender imediatamente, os compradores precisaram ajustar suas propostas, contribuindo para a recuperação dos preços no mercado físico.
Mercado internacional segue determinante
A formação dos preços da soja brasileira continua diretamente ligada ao comportamento do mercado internacional. As condições das lavouras no Hemisfério Norte, principalmente nos Estados Unidos, são acompanhadas de perto pelos agentes do mercado porque interferem nas expectativas de oferta mundial.
Além dos fundamentos de produção e consumo, fatores geopolíticos também podem aumentar a volatilidade das commodities agrícolas.
No Brasil, a cotação recebida pelo produtor ainda depende de outros componentes, como câmbio, prêmios de exportação, custos logísticos e condições regionais de oferta e demanda.
Por isso, a referência de aproximadamente R$ 150 por saca observada nos portos não significa que esse seja o preço recebido por todos os produtores brasileiros.
Comercialização exige atenção
Para quem ainda possui soja disponível, o cenário de recuperação das cotações melhora as alternativas de comercialização, mas exige avaliação individual da estratégia de cada propriedade.
O produtor precisa considerar o preço praticado na sua região, os custos de armazenamento, o custo de produção e as condições oferecidas pelos compradores.
A análise do Cepea reforça que o mercado permanece sensível a fatores externos e que movimentos de alta podem ocorrer junto com períodos de maior volatilidade.
Com a evolução da safra no Hemisfério Norte e as condições de oferta e demanda mundial, novas mudanças podem ocorrer nas referências internacionais e, consequentemente, nos preços praticados no Brasil.
Fonte: Cepea – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP. Agromensais de julho de 2026 – Cepea