O torcedor do Liverpool que vive na Alemanha só consegue ver todos os jogos do clube ao vivo combinando várias plataformas. Sky, DAZN, Amazon Prime Video, Paramount+ e ZDF dividem hoje as principais competições em que os Reds atuam.
Sky concentra a Premier League e amplia pacote inglês
A Premier League, vitrine semanal do Liverpool, está totalmente nas mãos da Sky no mercado alemão. A emissora confirma que “mostra todos os jogos da liga ao vivo, tanto em transmissões individuais quanto em formato de conferência”, o que inclui cada minuto dos Reds na competição.
Quem assina o pacote de futebol inglês da Sky paga 24,99 euros por mês e pode assistir pela TV e também por streaming, via WOW e aplicativo Sky Go. Esse modelo favorece o torcedor que quer uma experiência mais linear, sem precisar garimpar jogo a jogo entre diferentes serviços ao longo do fim de semana.
A partir da temporada 2025/26, a Sky amplia esse domínio sobre o futebol inglês. O pacote passa a incluir também a English Football League, que reúne as divisões inferiores, e a Carabao Cup, a Copa da Liga. Eventuais confrontos do Liverpool nessas competições entram automaticamente na grade, reforçando a ideia de que, para acompanhar o dia a dia doméstico do clube, a Sky vira ponto de partida obrigatório.
DAZN domina copas inglesas; Champions fragmenta audiência
O caminho muda quando o Liverpool entra em campo pelas copas nacionais. A FA Cup, torneio mais tradicional da Inglaterra, e a FA Community Shield, a supercopa inglesa, são território exclusivo do streaming. “A FA Cup e a FA Community Shield são transmitidas na Alemanha com exclusividade pela DAZN”, diz a plataforma.
Na prática, o torcedor que já paga a Sky pela Premier League precisa adicionar a DAZN ao orçamento para seguir o Liverpool nas fases decisivas das copas. A empresa transmite ao vivo todas as partidas relevantes, incluindo todos os jogos dos Reds nessas competições, o que transforma a assinatura em complemento quase obrigatório para quem busca cobertura completa.
No cenário europeu, a divisão é ainda mais fragmentada. “A maior parte dos jogos da Champions League é exibida ao vivo pela DAZN”, afirma o serviço. Um duelo de destaque, porém, escapa da plataforma a cada rodada: “Um jogo de destaque selecionado na noite de terça-feira passa com exclusividade no Amazon Prime Video.” Se o Liverpool cai justamente no confronto escolhido pelo Prime, o assinante da DAZN sozinho não vê o time em campo naquela data.
Essa engenharia de direitos cria um mosaico complexo. A Champions League, torneio de maior apelo global, exige hoje, no mínimo, duas assinaturas de streaming para um torcedor alemão que queira se garantir contra surpresas na tabela. Em caso de classificação do Liverpool à decisão continental, a equação muda de novo: “Se o Liverpool chegar à final da Champions League, ela também será transmitida na TV aberta, como de costume, pela ZDF.” A emissora pública mantém assim o jogo mais importante da temporada acessível a qualquer telespectador.
Paramount+ entra na disputa e redesenha o futuro
O equilíbrio de forças atual não permanece estático. A partir da temporada 2027/28, o mapa da Champions League na Alemanha se reorganiza de forma decisiva. “A partir da temporada 2027/28, o Paramount+ passará a integrar a transmissão da Champions League e assumirá uma parte considerável dos direitos”, informa o novo entrante.
O movimento adiciona mais uma peça ao quebra-cabeça do fã do Liverpool. Quem já se divide entre Sky, DAZN e Amazon Prime Video pode ter de incluir o Paramount+ no cardápio de assinaturas para não perder fases específicas ou partidas-chave da competição europeia. A tendência é de aumento da concorrência, mas também de maior dispersão da audiência.
No mercado, executivos veem essa segmentação como forma de turbinar a base de assinantes, usando clubes globais como o Liverpool como isca principal. Cada plataforma tenta garantir pelo menos um produto irresistível: seja a exclusividade de uma liga inteira, como faz a Sky com a Premier League, seja um pacote robusto de copas nacionais, como oferece a DAZN, ou um jogo premium por semana, aposta do Amazon Prime Video.
Para o torcedor, o efeito imediato é menos glamouroso: mais logins, mais cadastros, mais senhas. A experiência de acompanhar o Liverpool em todas as frentes passa por trocar de aplicativo conforme o dia da semana e o torneio, comparar preços regularmente e decidir quais competições são prioridade dentro do orçamento doméstico.
Torcedor entre múltiplas assinaturas e escolhas difíceis
No curto prazo, acompanhar o Liverpool de forma integral na Alemanha significa aceitar essa fragmentação como regra do jogo. A Sky se consolida como endereço fixo para a Premier League, especialmente com o reforço da English Football League e da Carabao Cup a partir de 2025/26. A DAZN se mantém como eixo das copas nacionais e de grande parte da Champions League, enquanto o Amazon Prime Video se apoia no jogo de terça-feira para atrair fãs ocasionais.
A ZDF preserva um respiro de acesso universal ao transmitir a eventual final da Champions do Liverpool em TV aberta, oferecendo uma rara exceção ao modelo de paywall que domina o futebol de elite. O Paramount+, por sua vez, já pressiona o mercado antes mesmo de assumir sua fatia relevante na Champions, ao sinalizar nova rodada de disputas por exclusividade.
Os próximos anos indicam um torcedor ainda mais informado e seletivo, obrigado a conhecer com detalhes o calendário e a distribuição de direitos para decidir o que assinar. A reação do público a essa pulverização — seja com mais adesões, seja com cancelamentos estratégicos e rodízio de serviços — tende a definir os próximos movimentos das emissoras. No centro desse tabuleiro, o Liverpool segue como ativo precioso: cada vez que entra em campo, movimenta torcidas, modela pacotes comerciais e ajuda a desenhar o futuro da transmissão esportiva na Alemanha.