A Fórmula 1 (F1) volta das férias de verão europeu neste fim de semana com o GP da Holanda, em Zandvoort, que se despede do calendário após seis edições seguidas. O retorno vem com mudanças no grid, corrida sprint e forte pressão sobre Max Verstappen em casa.
Fim de semana cheio e último ato em Zandvoort
O circuito à beira do Mar do Norte vive hoje o início do seu último GP. Zandvoort volta ao calendário em 2021, embalada pela febre laranja em torno de Verstappen, e completa agora seis corridas consecutivas antes de sair de cena por decisão dos promotores locais.
A programação é comprimida e intensa. Nesta sexta-feira, o treino livre único começa às 7h30, no horário de Brasília, e dá lugar direto à classificação sprint, às 11h30, que forma o grid da corrida curta de sábado. Não há segunda e terceira sessões de treinos: todo o acerto do carro precisa caber nesses primeiros 60 minutos de pista.
No sábado, a corrida sprint larga às 7h00, com duração prevista de 44 minutos, e distribui pontos importantes para o campeonato. Às 11h00, pilotos voltam ao traçado holandês para a classificação tradicional, que define o grid da prova principal. No domingo, a largada do GP da Holanda está marcada para as 10h00.
A TV Globo mostra a corrida de domingo em TV aberta, enquanto o Sportv3 transmite todas as atividades ao vivo, da primeira volta do treino livre à bandeirada final. As buscas por “horários F1 esse final de semana” e “F1: horários, onde assistir” se multiplicam desde o início da semana, reflexo do interesse por um formato que mistura treino, sprint e prova principal em três manhãs seguidas.
Grid mexido, Verstappen em casa e despedida emocional
O fim de semana não traz apenas adeus a Zandvoort, mas também um grid redesenhado. Com lesão no punho, Isack Hadjar desfalca a Red Bull e abre espaço para Liam Lawson, promovido para correr ao lado de Verstappen. A Racing Bulls, por sua vez, reage rápido: puxa de volta Yuki Tsunoda, que estava como reserva, para ocupar o lugar de Lawson.
A mudança afeta diretamente a luta por pontos na parte intermediária do pelotão e mexe com a preparação das equipes. Lawson precisa se adaptar de imediato a um carro candidato a vitórias, com pouco tempo de pista e sob holofotes globais. Tsunoda encara uma volta relâmpago ao Mundial, tentando provar que ainda merece vaga fixa no grid.
Na frente, Verstappen chega ao fim de semana em um ponto de virada pessoal e esportivo. O holandês renova o contrato com a Red Bull até 2030 e encerra semanas de especulações sobre um possível salto para outra equipe. “A Fórmula 1 mal voltou das férias e já tem muita emoção na pista”, resume o jornalista Rodrigo França, que vê na decisão um recado de estabilidade em meio à crise interna do time austríaco.
França explica que a escolha do piloto também é emocional. Para ele, Verstappen trata a Red Bull como casa. “O time é uma ‘segunda família’”, diz o comentarista, ao avaliar o peso da relação de confiança construída desde o início da carreira do holandês na equipe.
Recorde em jogo, impacto local e futuro do calendário
A torcida laranja lota as arquibancadas desde cedo à espera de um roteiro perfeito: vitória de Verstappen na última corrida em casa. O tetracampeão, porém, carrega um jejum incômodo de dois anos sem vencer em Zandvoort. O último triunfo ali foi de Oscar Piastri, da McLaren, que também segue em busca da primeira vitória nesta temporada.
O fim de semana ganha um tempero extra com a possibilidade de recorde. “Se ganhar, Verstappen igualará quatro vitórias em Zandvoort, mesmo número de Jim Clark”, lembra Rodrigo França. O britânico é um dos símbolos da era clássica da categoria, e alcançar seu patamar em um mesmo circuito seria um marco para o piloto da casa.
A saída de Zandvoort do calendário não afeta apenas o roteiro esportivo. A região perde uma vitrine internacional e um fluxo anual de dezenas de milhares de turistas, que movimentam hotéis, bares, transporte e serviços. Para a categoria, abre-se espaço para novas praças, em um mapa já apertado por 20 e tantas corridas e pelo apetite de países dispostos a pagar caro por uma vaga.
Do ponto de vista esportivo, o formato com sprint neste fim de semana — o quinto do ano, com apenas mais um previsto até o fim da temporada — exige ajustes nas estratégias. Equipes precisam escolher com mais rigor quando arriscar acertos agressivos, como equilibrar o desgaste físico dos pilotos e em que momento guardar pneus para domingo. Cada saída de pista na corrida curta pode comprometer o restante do GP.
O GP da Holanda marca também a retomada da narrativa da reta final do campeonato. Lewis Hamilton, agora de Ferrari, tenta manter a boa fase que o coloca na briga pelas primeiras posições. McLaren, Mercedes, Aston Martin, Audi, Cadillac, Haas, Alpine, Racing Bulls e Williams chegam pressionadas por resultados em um Mundial que se aproxima da decisão e que passa pela Holanda em clima de despedida.
Quando a bandeira quadriculada cair no domingo, Zandvoort se retira novamente do palco principal da F1. Ficam as cores, o barulho e a lembrança de um circuito que volta impulsionado por um ídolo local e sai abrindo espaço para a próxima disputa geopolítica do calendário. Até lá, três manhãs de pista prometem manter a categoria em destaque na TV aberta, na TV por assinatura e nas telas do celular brasileiro.