O furto de cabos da rede semafórica se transformou em um problema milionário para o Rio de Janeiro. Desde 2021, criminosos já levaram mais de 446 quilômetros de cabos, provocando um prejuízo estimado em R$ 26,6 milhões aos cofres municipais, segundo dados da CET-Rio.
O problema vai muito além do custo para substituir os materiais. Quando os cabos são retirados, semáforos podem deixar de funcionar, comprometendo a circulação de veículos, aumentando a necessidade de agentes de trânsito nos cruzamentos e elevando o risco de acidentes.
Somente entre janeiro e julho de 2026, foram registradas 1.933 ocorrências de furto de cabos na capital. O prejuízo provocado pelos casos nesse período chegou a R$ 2,8 milhões.
Quase 2 mil ocorrências em apenas sete meses
Os números mostram que o problema permanece em ritmo elevado. Nos primeiros sete meses de 2026, a CET-Rio registrou 1.933 furtos de cabos espalhados pela cidade. Em média, foram aproximadamente 276 ocorrências por mês.
A dimensão do problema fica ainda mais clara quando se observa o impacto sobre os equipamentos de trânsito: 455 semáforos foram afetados pelos furtos apenas no primeiro semestre. Na prática, cada ocorrência pode provocar uma reação em cadeia.
O criminoso retira o cabo em um determinado ponto, o semáforo deixa de receber energia ou comunicação adequada e o cruzamento pode ficar sem sinalização.
A partir daí, equipes precisam ser deslocadas para identificar o problema, localizar o trecho danificado e reconstruir a instalação. É dinheiro público sendo gasto para reparar uma infraestrutura que já existia.
Zona Norte concentra parte importante dos furtos
A Zona Norte aparece entre as regiões mais afetadas pelo problema, com destaque para áreas da Grande Tijuca e do Grande Méier. São regiões de circulação intensa, nas quais uma falha em um conjunto de semáforos pode provocar reflexos em diversas ruas próximas.
Quando a sinalização deixa de funcionar, a operação do trânsito precisa ser reorganizada. Em determinados casos, agentes são deslocados para orientar motoristas e reduzir os riscos enquanto o reparo não é concluído. O transtorno, portanto, não termina quando o cabo é levado. Ele continua até que a infraestrutura seja recuperada.
Por que os criminosos furtam os cabos?
O principal interesse está no cobre presente nos cabos, material que possui valor de revenda e pode alimentar uma cadeia clandestina de comercialização. O problema é que, para retirar poucos metros de material, o criminoso pode comprometer uma instalação inteira.
O resultado é desproporcional: o valor obtido com o material furtado pode ser muito menor do que o prejuízo causado ao município. Além da compra de novos cabos, o poder público precisa arcar com mão de obra, equipamentos, deslocamento das equipes e intervenções emergenciais.
Em determinados pontos, a repetição dos furtos também obriga a CET-Rio a modificar a própria infraestrutura para tentar impedir novas ocorrências.

Prefeitura tenta dificultar novos furtos
Diante da repetição dos casos, a CET-Rio passou a adotar medidas de proteção em locais considerados mais vulneráveis. Entre as estratégias estão a soldagem de caixas subterrâneas, instalação de grades e dispositivos antifurto, mudanças no posicionamento de equipamentos e o aterramento de cabos em pontos considerados críticos.
A lógica é simples: tornar o material mais difícil de alcançar e reduzir o tempo disponível para que criminosos consigam retirar os cabos. Mas o tamanho do problema mostra que a prevenção ainda é um desafio.
O prejuízo não aparece apenas na conta da Prefeitura
O valor de R$ 26,6 milhões representa o custo financeiro diretamente associado aos danos provocados pelo furto desde 2021. Mas o impacto sobre a cidade é maior.
Um semáforo desligado em uma avenida movimentada pode aumentar congestionamentos, atrasar ônibus, dificultar a travessia de pedestres e criar situações de conflito entre veículos. Em uma cidade do tamanho do Rio, uma falha localizada pode rapidamente produzir efeitos em uma área muito maior.
E existe ainda um segundo problema: enquanto equipes trabalham para recuperar instalações destruídas, deixam de atuar em outras demandas de manutenção e modernização da rede. O furto de cabos, portanto, não é apenas um crime contra um equipamento. É um ataque à infraestrutura que organiza o trânsito da cidade.
O problema continua em 2026
Os 1.933 registros entre janeiro e julho mostram que o furto continua sendo uma preocupação relevante para a administração municipal.
A quantidade de ocorrências também ajuda a explicar por que o prejuízo acumulado alcançou dezenas de milhões de reais.
O desafio agora é interromper o ciclo: furto, semáforo danificado, reparo, novo furto e novo gasto público.
Enquanto os cabos continuarem sendo retirados, a cidade continuará pagando duas vezes: primeiro para instalar a infraestrutura e depois para reconstruí-la.
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Entenda o contexto
O furto de cabos da rede semafórica se tornou um problema recorrente no Rio de Janeiro nos últimos anos. Desde 2021, mais de 446 quilômetros de cabos foram furtados, segundo os dados da CET-Rio, gerando prejuízo de R$ 26,6 milhões.
2026, o problema permanece em ritmo elevado: entre janeiro e julho, foram contabilizadas 1.933 ocorrências, com custo de R$ 2,8 milhões, enquanto 455 semáforos foram afetados apenas no primeiro semestre. A maior concentração de casos está em áreas da Zona Norte, como Grande Tijuca e Grande Méier.
Para tentar conter os crimes, a CET-Rio vem reforçando a proteção de caixas e equipamentos e modificando instalações em pontos vulneráveis. O problema, porém, permanece porque o cobre possui valor de revenda e pode ser inserido em uma cadeia clandestina de comercialização.
O impacto final recai sobre toda a cidade, já que a ausência de sinalização compromete o trânsito e exige novos investimentos públicos para recuperar equipamentos que já estavam instalados.